As atribuições do córtex pré-frontal

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Uma das funções do córtex pré-frontal é a tomada de decisão, processo fundamenta as escolhas que fazemos, caminhos que julgamos como melhores ou piores.

Uma lida rápida na maior parte das notícias sobre pesquisas na área das neurociências é o suficiente para encontrarmos referências numerosas ao córtex pré-frontal. A região está envolvida na maioria de nossos comportamentos, cognição e emoção. Seu papel é tão lendário que rendeu uma referência numa das colunas do New Yorker, a Frontal Cortex, que exibe artigos que misturam dados da psicologia, neurociência e reflexões sobre o cotidiano.

Aparentemente, o córtex pré-frontal é uma única região, mas é composto por subdivisões, cada uma com suas próprias atribuições. O córtex orbitofrontal, por exemplo, é um setor ativado sempre que sentimos determinada emoção. A maioria dos estudos que utilizam ressonância magnética funcional (fMRI) detecta a atividade da região, que, segundo os pesquisadores, participa da modulação da emoção. Em estudos sobre a fobia social, é comum encontrarmos uma ativação menor  no local, em relação a grupos de sujeitos sem o transtorno, nos pacientes. Em palavras simples, isso explicaria a estrutura neural do pouco controle do medo que sujeitos fóbicos possuem quando se defrontam com o que temem (ex: falar em público, no caso da fobia social; aranhas, no caso de fobias específicas etc).

cortex pré-frontalPor outro lado, é curioso que estudos sobre meditação encontrem um número maior de conexões entre o córtex orbitofrontal e regiões como a amígdala, fortemente ligadas às emoções, principalmente o medo. Não é novidade que praticantes de meditação demonstram entendimento e controle sobre as emoções que são pouco comuns nos que não praticam. Estudos sobre o cérebro revelam como a estrutura do sistema nervoso permite que esses dados fenomênicos ocorram: como existem maiores conexões entre a região frontal e a amígdala, há a possibilidade de exercer maior controle sobre a ativação das regiões límbicas, responsáveis pelas emoções.

Há, ainda, a questão da lateralidade. O cérebro tem dois hemisférios, o que significa que as regiões cerebrais são sempre divididas em duas, uma esquerda e outra direita. E consequências diferentes surgem da atividade de cada uma. Estudos mostram que pacientes com danos no lado esquerdo do córtex tem maior incidência de depressão. Isso ocorre porque a região é uma das partes da circuitaria neural envolvida na experiência de emoções positivas, assim, danificando-a, grandes dificuldades aparecem no surgimento desse tipo de experiência. Que fique claro, isso não significa que a depressão seja (pelo menos não em todos os casos) causada por danos ao córtex pré-frontal esquerdo; na maioria dos casos a relação com o ambiente é o disparador das reações caracterizadas pelo transtorno.

Como você já deve ter imaginado, o lado direito tem a ver com afeto negativo, como emoções de aversão e medo. Estudos que eliciam essas emoções nos participantes concluem que há uma maior ativação dessas áreas, além do córtex temporal anterior – para citar somente regiões corticais.

Quando antecipamos futuros desfechos positivos ou negativos para os eventos, como uma palestra que será dada no dia seguinte, contamos com a ativação do córtex ventromedial. Indivíduos que sofrem de fobia social, por exemplo, possuem, com frequência, maior ativação nessa área devido ao fato de estarem sempre tensos, prevendo futuras consequências de situações sociais. Como a expectativa é de que sempre dê algo errado, a região com funcionamento mais exagerado é o direito, relacionado ao afeto negativo.

Vemos, portanto, que do julgamento que fazemos sobre o que nos cerca até a valência (positiva ou negativa) de nossos afetos, dependemos fortemente do córtex pré-frontal. O uso de termos como “correlacionar” e “relacionar”, para se referir aos atributos funcionais da área cerebral, são propositais. Não podemos atribuir causalidade, dizendo que tal região faz tal coisa. Claro, ela é condição estruturante de atividades, emoções e etc, mas não é a causa. Dizer um “sim” categórico seria como dizer que a mão é a causa no soco, quando podemos traçar uma rede de influências que, em conjunto e relacionadamente, representam o que chamamos de causa. É nesse contexto que devemos pensar a atividade do córtex pré-frontal. Ele é a base material que torna possível uma série de funcionalidades, funcionalidades essas que nos distinguem como humanos, não é a toa que temos a maior massa cortical do reino animal.


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Como citar este artigo:

Formato Documento Eletrônico (ABNT)

NOVAES, Felipe. As atribuições do córtex pré-frontal. Instituto Brasileiro de Linguagem Corporal. Disponível em < http://ibralc.com.br/atribuicoes-cortex-pre-frontal/> . Acesso em 30 May 2016.

Formato Documento Eletrônico (APA)

Novaes, Felipe. (2014). As atribuições do córtex pré-frontal. Instituto Brasileiro de Linguagem Corporal. Recuperado em 30 May 2016, de http://ibralc.com.br/atribuicoes-cortex-pre-frontal/.

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Estudante de psicologia, com interesse em psicologia cognitiva, psicologia evolucionista, neuropsicologia e neurociência. Atualmente estudo as expressões faciais das emoções básicas sob a perspectiva evolucionista e neurocientífica. Editor do blog de variedades www.nerdworkingbr.blogspot.com
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