A publicidade transmite emoções confusas?

A linguagem não verbal na publicidade transmite emoções confusas?

O que você pensaria se recebesse em suas mãos um folder publicitário, de uma clinica médica, que contivesse fotos de pessoas fumando? Qual seria seu conceito em relação à tal clínica? Longe de criticar quem fuma, mas considerando o esforço de campanhas de conscientização antitabagismo hoje no Brasil, em nossa opinião, tal fato seria um absurdo para a imagem desta clínica (transmitir mensagens e emoções conflitantes)!

Linguagem Corporal

Com essa analogia um tanto estranha, gostaríamos de chamar a atenção para o descaso de algumas empresas publicitárias em relação as emoções expressas pelas pessoas que compõem a peça publicitária (propaganda). Por vezes, recebemos absurdos em nossas mãos.

O primeiro autor do artigo recebeu um folder, onde cinco pessoas compunham a cena em uma fotografia de uma campanha publicitária para uma panificadora de médio porte, não precisou olhar muito para perceber que a pessoa em maior destaque na foto estava fazendo uma expressão de nojo. Caso você percebesse isso, comeria nesta panificadora? Tal fato contribui ou desmerece a imagem da empresa em questão?

Exemplos históricos do uso da linguagem não verbal nas propagandas

Vejamos alguns exemplos históricos dos erros cometidos em campanhas publicitárias:

Exemplo 1

Linguagem não verbal

Nesse exemplo podemos analisar o olhar e o sorriso da criança.

Os produtores da peça certamente desejam promover o produto. No entanto, não prestaram atenção à representação da contração do músculo orbicular do olho, assim como o olhar enviesado, que nos entrega uma mensagem subjetiva de desconfiança ou de que a criança está escondendo algo.
Adicionalmente, temos um sorriso que se desenvolve no plano horizontal. No mundo real, essa dilatação horizontal é produzida pelo músculo Risório, que comunica estados de tensão, não de alegria ou satisfação.
Nesse conjunto, a peça não comunica uma mensagem positiva, se observada a linguagem corporal.

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Exemplo 2

Linguagem não verbalSemelhantemente ao exemplo anterior, podemos notar o olhar “perdido” da criança. Ela deveria estar olhando para o produto.

Seu sorriso também se desenvolve no plano horizontal (produzido pelo Risório e pouco esforço de músculos que levantam o lábio superior.

 

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Equívocos não ocorreram somente no passado. Em outro artigo mostraremos que expressões faciais ambíguas, movimentos e gestos que contradizem as principais mensagens veiculadas em peças publicitárias podem ser encontrados em quantidade significativa.

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Pode não parecer arriscado lançar campanhas com tais “erros” ou falta de “sincronismo” (em um ambiente/cenário agradável, mas não apresentando um sorriso verdadeiro) com o contexto geral da imagem, mas devemos lembrar que a emoção expressa (seja em vídeos ou fotos) terminam por influenciar, mesmo que inconscientemente, nossa opinião sobre determinado assunto. Diante deste contexto, e sabendo que a idéia da publicidade e propaganda é despertar desejos no cliente, acreditamos que estas empresas teriam muito a ganhar caso fizessem uma análise de cada campanha antes de sua aprovação, observando aspectos na linguagem não verbal dos envolvidos.

Em uma campanha de um shopping, esqueceram de observar que ao fundo da foto, tinha uma criança de braços cruzados de frente para o que parecia ser seu pai, em uma atitude fechada e irritada, este tipo de imagem é positiva para um shopping?

A análise do comportamento humano já é comumente utilizada em setores de vendas, onde algumas técnicas são empregadas na percepção dos anseios do cliente, visando assim maximizar vendas e atingir a excelência no atendimento. Outra área que explora muito a linguagem não verbal é a do “marketing pessoal”, onde o sujeito “vende” sua própria imagem, ou seja, ele é o serviço/produto a ser vendido. Ténicas de persuasão são bastante empregadas com o objetivo de transmitir a auto-imagem profissional desejada (de responsabilidade, sucesso, profissionalismo, etc…)

Linguagem não verbal

Prestar atenção a detalhes é muito importante, pois podemos passar uma mensagem completamente diferente da que desejamos. Veja o exemplo ao lado. A intenção dos produtores da peça era mostrar uma pessoa idosa que ficaria calma após o consumo de determinado produto. No entanto, à imagem de agitação foi acrescentado um viés de forte agressividade e violência pelo modo como o idoso usa a bengala, se inclina para a frente e mantém a “boa base” (esta pronto para atacar)!

Há um exagero na mensagem! Não era necessário acrescentar tantos elementos não verbais para vender Thorazine, um dos nomes comerciais da Clorpromazina, substância que foi vendida como calmante e antipsicótico.

No que toca às mensagens transmitidas pelas imagens, pesquisas demonstram que simples alterações em fotos, como dilatar um pouco mais a pupila, por exemplo, torna a mesma pessoa mais atraente, então, porque não utilizar este recurso? A idéia não é manipular, mas passar confiança e criar laços com o cliente (comunicar a mensagem com assertividade para que seja eficaz) – pense nas campanhas que ficaram marcadas em sua memória, possivelmente muitas deles transmitiam esses valores positivos, quando acontece isso, podemos dizer que aquela imagem “tocou nossa alma”.

Curiosamente, parte do sucesso de Marilyn Monroe (especialmente com os homens) devia-se a algo chamado “sorriso esquivo” (de lado, olhando pra cima), isso parece atrair muito os homens. Esquivo é o movimento com a cabeça levemente abaixada e virada para o lado, a pessoa dirige o olhar para cima com um sorriso de lábios entreabertos. Conscientemente ou não, ela se utilizava da linguagem não verbal para transparecer uma auto-imagem de mulher sensual e moderna para seu tempo.

Ora, se este conhecimento já é difundido – sem entrar no mérito se utilizam técnicas corretas ou não – quero com o presente artigo, iniciar uma discussão acerca da utilização de técnicas de linguagem não verbal na área de publicidade, pois quando utilizada de forma correta, além de evitar peças/trabalhos que gerem rejeições, podem tornar as campanhas mais agradáveis, atrativas e sinceras.

Assim, deixamos a sugestão para que as empresas de publicidade e propaganda busquem se especializar na área da emoção/linguagem não verbal, ou firmem parcerias com consultores da área, assim todos irão ganhar, afinal, nada melhor do que um belo sorriso sincero.

E você? O que pensa sobre isso? Deixe-nos o seu comentário!

Saudações e prossiga acompanhando os nossos artigos

Edinaldo Oliveira e Sergio Senna


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Como citar este artigo:

Formato Documento Eletrônico (ABNT)

PIRES, Sergio F. S.; JUNIOR, Edinaldo Oliveira. A publicidade transmite emoções confusas?. Instituto Brasileiro de Linguagem Corporal. Disponível em < https://ibralc.com.br/a-publicidade-transmite-emocoes-confusas/> . Acesso em 4 Dec 2016.

Formato Documento Eletrônico (APA)

Pires, Sergio F. S. & Junior, Edinaldo Oliveira. (2011). A publicidade transmite emoções confusas?. Instituto Brasileiro de Linguagem Corporal. Recuperado em 4 Dec 2016, de https://ibralc.com.br/a-publicidade-transmite-emocoes-confusas/.

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Edinaldo Oliveira

Graduado em ADMINISTRAÇÃO - GESTÃO DE NEGÓCIOS pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Caruaru/PE (2005) e Pós-Graduado em Engenharia de Software pela mesma faculdade, em 2010, além de graduado em Gestão da Tecnologia da Informação, pela ESTÁCIO, em 2014. Diletante do campo da psicologia, com foco no estudo da comunicação não verbal, especialmente no que se refere as expressões faciais, e como esta ferramenta pode ser aplicada em diversas áreas, a saber: segurança, defesa, educação, vendas, nas organizações e na saúde. Além disto, é amante da astronomia, astrofotografia e fotografia.
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9 Comments

  1. Trabalho com vendas em uma empresa de publicidade!

    Gostaria de saber mais sobre marketing pessoal para transmitir uma mensagem assertiva. Em vendas, a ansiedade, a falta de confiança, a pressão pelo resultado interferem na linguagem corporal e atrapalha muito.

    Tenho buscado sobre o assunto mas o que encontrava era algo como PNL, coisas muito óbvias e pouco cientificas!

    Tenho interesse em aprofundar no assunto e realizar cursos! Existe a possibilidade de expandir os cursos presencias para outras regiões do Brasil?

    • Olá Karina,

      Obrigado pelos comentários…continue nos acompanhando.

      Abraço,

      Edinaldo Oliveira

    • Helon,

      Muito obrigado pela sua leitura e elogia. Aos poucos lançaremos mais artigos nesta área. Continue nos acompanhando.

      Abraços,

      Edinaldo

  2. Prezada Sabbahana, agradeço o comentário.

    Foi muito gratificante colaborar com a construção desse artigo produzido pelo Edinaldo.

    Nossa intenção é trazer temas interessantes e diferentes.

    Ao Edinaldo deixo meus parabéns pela bela produção. Aguardamos mais para breve.

    Convido nossos leitores a acompanharem o assunto e divulgarem esse trabalho em suas redes sociais. Se você gostou do que encontrou aqui, compartilhe com seus amigos.

    Saudações
    Sergio Senna

  3. Concordo plenamente. É como diz o ditado: “Uma imagem vale mais que mil palavras”. É importante transparecer esse lado da moeda, pois as pessoas acreditam que um rostinho bonito é a solução dos problemas, mas enganam-se no ponto de vista de que o importante é a expressão e interpretação que a propaganda está pedindo, que o produto necessita para ser compreendido. Adorei a matéria, bem peculiar.
    Parabéns!

    • Olá Sabbahana,

      Primeiramente obrigado pela visita e pelo seu comentário, sei de sua paixão pelo jornalismo — por sinal uma área que possui afinidade com a publicidade, no tocante às imagens atreladas as reportagens!

      Percebo que algumas fotos ou vídeos trabalhados por empresas de publicidade não passam por esta importante análise: a percepção da emoção, demonstrada pela linguagem não verbal.

      Vejo aqui uma oportunidade de criar um diferencial no trabalho da publicidade e torná-lo mais sincero. Por esta razão escrevi o artigos, e continuarei a falar mais sobre o tema.

      Continue participando!

      Abraços,

      Edinaldo Oliveira

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