A Verdade em Nossas Caras

A psicóloga Bella DePaulo, em seus estudos, levantou uma série de questionamentos acerca da mentira.

Um dos seus artigos sobre o assunto intitula-se “The Many Faces of Lies” e busca levantar:

  • Quantas vezes as pessoas mentem?

  • Sobre o que as pessoas mentem?

  • Como os mentirosos justificam suas mentiras?

  • Que tipos de pessoas dizem mentiras mais facilmente?

Esses são os principais questionamentos, entre outros abordados no estudo, o que demonstra a complexidade de determinar o que seria mentira ou verdade.

 

Bella DePaulo
Comecei minha pesquisa sobre mentira na vida cotidiana com um viés de minha convicção de que contar toda a verdade não é nem possível e nem desejável, se fosse possível. Mesmo a mais simples das perguntas (por exemplo, o que você fez hoje?) pode ser respondida de várias maneiras, em qualquer nível de detalhe. Isso significa que todas as nossas apresentações na vida cotidiana são necessariamente editadas de alguma forma (Goffman, 1959; Schlenker, 2002). Quando estamos interagindo, escolhemos os aspectos de nós mesmos para apresentar que são mais relevantes para a conversa em curso e os nossos objetivos atuais, sem qualquer tentativa de induzir em erro. – DePaulo (2004, p.2)

 

Mentira na vida diáriaQuando interagimos com sinceridade, nós escolhemos os aspectos mais relevantes – à nossa percepção – para a conversa em curso fluir melhor, e atingir os nossos objetivos (transmitir nossa experiência), sem qualquer tentativa de induzir ao erro.

DePaulo ainda reconhecia a necessidade de possuir um número bem maior de participantes em suas pesquisas, a fim de que a mesma fosse mais fiel possível nos resultados. “In our wildest dreams, we wanted to recruit a nationally representative random sample of Americans.”

 

Interessante como foi respondida a primeira questão do seu artigo: Quantas vezes as pessoas mentem? Até o final da semana, os 147 participantes tinha registrado um total de 1.535 em mentiras nos seus diários (ver Tabela 1 do artigo). Isso equivale a duas mentiras por dia para os estudantes universitários, ou uma mentira em cada três de suas interações sociais, e uma mentira um dia para as pessoas na comunidade, ou uma mentira em cada cinco de suas interações sociais. Divergindo brutalmente dos dados da pesquisa realizada por Robert Feldman.

 

E mais, os participantes mentiram mais sobre: (1) os seus sentimentos e opiniões; (2) suas ações, planos e paradeiro, (3) o seu conhecimento, realizações e fracassos; (4) explicações para a seus comportamentos e (5) fatos e pertences pessoais. Demonstrando que ainda mentimos muito por frustrações próprias, como citado no artigo “Mentiras sinceras nos interessam?

Além disso, é necessário tomar em conta o devido cuidado na quantificação da mentira. Muitas pesquisas utilizam médias aritméticas para isso, o que não faz muito sentido. Por exemplo: temos duas pessoas numa família – uma nunca mente, a outra conta 20 mentiras por dia. Se formos utilizar a média, transformaremos a pessoa que nunca mente em um “mentiroso médio” e ainda “quebramos o galho do mentiroso compulsivo! Não acho que isso seja muito justo…..

 

Queremos saber a sua opinião. Colabore nos comentários!

Um abraço

Sergio Senna


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Como citar este artigo:

Formato Documento Eletrônico (ABNT)

PIRES, Sergio Fernandes Senna. A Verdade em Nossas Caras. Instituto Brasileiro de Linguagem Corporal. Disponível em < https://ibralc.com.br/a-verdade-em-nossas-caras/> . Acesso em 4 Dec 2016.

Formato Documento Eletrônico (APA)

Pires, Sergio Fernandes Senna. (2011). A Verdade em Nossas Caras. Instituto Brasileiro de Linguagem Corporal. Recuperado em 4 Dec 2016, de https://ibralc.com.br/a-verdade-em-nossas-caras/.

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Sergio Senna
Psicólogo, doutor em psicologia (UnB), possui diversas especializações na área de educação, segurança e políticas públicas. Tem larga experiência acadêmica e profissional na interpretação da linguagem corporal, presta assessoria institucional no Congresso Nacional e desenvolve trabalhos acadêmicos nas temáticas da análise da mentira e da linguagem corporal. Veja o currículo completo aqui!
Sergio Senna

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31 Comments

  1. Boa noite galera, eu venho pesquisando e estudando micro expressões através de alguns programas,um deles é o SoER( simulator of emotions recognition ), mas muitas vezes fico com dúvida entre a expressão de medo e de surpresa, até porque, muitas vezes o medo vem através da surpresa e isso acaba me confundindo. Alguém pode me dar uma ajuda em relação a isso.
    Grato

  2. Esse assunto é realmente muito complexo e envolve muito mais do que eu poderia imaginar, comecei a me interessar por esse assunto recentemente e estou um pouco confusa. Hora entendo que existem técnicas para desvendar mentiras, hora entendo que não. Afinal, existem tecnicas ou não?

    • Prezada Laura, as técnicas existem. O que tentamos explicar é que uma mesma técnica não funcionará SEMPRE, como alguns querem fazer as pessoas crerem.
      O que argumentamos é que não há receita de bolo. você utilizará as técnicas e terá de ficar atenta a detalhes que poderão alterar a sua interpretação.
      Às vezes o nervosismo é confundido com a mentira. É a isso que você deve estar atenta.
      Abraço
      Sergio Senna

  3. Seu terceiro vídeo teve a conta cancelada parece… o segundo, onde ele está descontraído… Somente com base nele não diria que ele tem o hábito de ficar balançando a cabeça…. foi só no começo.

  4. Bruno Martins Meu foco neste caso é o indicador, estou ignorando se no caso ele estava falando a verdade ou não..

  5. Pelo o que aprendi com o Dr. Sérgio, não existe nenhum sinal definitivo da mentira. Podemos levar em consideracão quando há um grupo de sinais e quando aplicado no contexto correto. O Edinaldo sempre levanta uma questão importante que é o comportamento individual do indivíduo, visto que as pessoas não são iguais. Entretanto, só porque o jogador foi inocentado não significa que não seja mentira ou que ele não tenha culpa.

  6. EDNALDO , ESTOU CORRENDO COMO LOUCO AQUI NA EMPRESA PROMETO QUE NO FINAL DE SEMANA RESPONDEREI… ABRAÇOS AMIGO

  7. Felipe, estamos mais focados no gesto de balançar a cabeça, mas como você observou, ele sempre faz isso. Aí te pergunto: isso seria um gesto confiável para detectar mentiras?

  8. haha Quando ele diz que está tranquilo, ele balança a cabeça negativamente.

    No momento em que ele diz que a manina “se disparou” sozinha, as parte alares do nariz dele se expandem ele exibe sutilmente aquela aparência de “fungada”. Isso significa algo para a análise da mentira?

    Bom, uma coisa que vi em umas entrevistas umas vez no Fantástico é que a pessoa que está mentindo pisca anormalmente durante o discurso, e isso aparece de forma bem explícita no video do Adriano. Mas, se não me engano, ele foi inocentado mesmo, né??

  9. Atena Vieira, Marcos Roberto, Marisa Assis Assis, Bruno Martinss, Dayse Costa Costa Costa, Michele Carvalho, Juan Kelvinn, Pedro Herreraa, Daniel Iwashima Iwashima, Ana Sofia Neves – opiniões?

  10. Gosto muito de dar o exemplo do jogador Adriano, naquele caso do tiro dentro do carro:

    Vídeo ele afirmando ser inocente, primeira entrevista após o ocorrido: http://esporte.uol.com.br/futebol/ultimas-noticias/2011/12/26/adriano-confirma-sua-versao-e-afirma-nao-e-justo-o-que-ela-esta-fazendo-comigo.htm

    Outra entrevista, em um clima totalmente descontraído: http://www.youtube.com/watch?v=jvo5qH4uYVk&feature=related

    Um entrevista mais “tensa”: http://www.youtube.com/watch?v=hR9VKQXKzIA&feature=related

    Observe que ele possui o hábito de balançar a cabeça, que no caso dele, não posso tomar como indicador, já que percebi que este tipo de comportamento faz parte de sua linha de base comportamental.

    Agora imagine se você assiste apenas o primeiro vídeo: iria rapidamente associar o balançar de cabeça como indicativo inequívoco de uma mentira.

  11. Pessoal, o que pensam sobre o indicativo “balançar a cabeça negativamente” como um possível sinal da mentira? É confiável realmente? Qual a sua opinião?

  12. Olá!
    Primeiramente eu gostaria de lhe agradecer e ao mesmo tempo elogiar pelo site e pelos ótimos artigos aqui disponíveis, sobre linguagem corporal. Tudo colocado aqui, além de interessante é muito útil para as pessoas que lidam diretamente com o público em geral.
    Bom, gostaria de tirar algumas dúvidas a respeito disso. Se me responderes, serei infinitamente grato.
    Trabalho na área da saúde, sou técnico em radiologia, faço exames com base na imagem. Para eu conseguir exercer minha profissão com qualidade e eficacia, preciso adquirir o maior número possível de informações o qual o paciente me disponibiliza. Porém, alguns, provavelmente pela sua cultura, vergonha ou timidez, omitem informações que são importantíssimas, muitos mentem descaradamente. Acredite, isso acontece.
    E eu tenho me aprofundado cada vez mais sobre linguagem corporal e PNL, para poder diminuir os fatores de riscos pros próprios pacientes.
    Ainda mais como nesse caso a verdade só tende a fazer o bem.
    Por exemplo se eu recebo um feedback de um paciente, o qual seja contraditório ao que ele disse, eu penso em outro tipo de exame que posso realizar a se tornar mais útil com a necessidade do paciente.

    Enfim, sem mais demora, vou mandar as perguntas.

    1- Notei que muitas afirmações que os pacientes dizem, como sendo verdadeiras, eles fazem o gesto de não com a cabeça. Claro sinal de contradição. Porém, noto que algumas pessoas fazem esse sinal de ”não”, ao mesmo tempo em que eles ressaltam palavras de negação com a boca como: não, nunca, jamais…
    Neste caso, seria uma contradição ou um sinal de afirmação de que isso que ele está falando é realmente algo com negação? Ou depende do contexto em que ele diz?

    2- Algumas pessoas durante a verbalização levantam a sobrancelha num nível superior a outra. Normalmente é a direita para destros e esquerda para canhotos, o que esse sinal pode significar?

    3- Aprendemos muito sobre como sinais da mentira são feitos. Porém gostaria de saber se há sinais os quais ”dizem” que a pessoa está realmente sendo verdadeira. Se existem, quais são?

    Obrigado. Rogério M. Barbosa. Att.

    • Olá Rogério, obrigado por suas perguntas. Vamos a elas:

      “1- Notei que muitas afirmações que os pacientes dizem, como sendo verdadeiras, eles fazem o gesto de não com a cabeça. Claro sinal de contradição. Porém, noto que algumas pessoas fazem esse sinal de ”não”, ao mesmo tempo em que eles ressaltam palavras de negação com a boca como: não, nunca, jamais…
      Neste caso, seria uma contradição ou um sinal de afirmação de que isso que ele está falando é realmente algo com negação? Ou depende do contexto em que ele diz?”

      Esse “indicador” se popularizou no contexto da PROGRAMAÇÃO NEUROLINGUÍSTICA. Eu não o utilizo, pois existem princípios do comportamento humano que contra-indicam a associação direta e imediata entre todo e qualquer comportamento observado simplesmente por ocorrerem próximos uns dos outros na linha do tempo.

      Fazer isso todas as vezes é aplicar princípios da Psicologia sem muita qualidade ou inteligência

      Até mesmo no senso comum, e não precisa ser especialista para entender a coerência desse raciocínio, as pessoas sabem que o ser humano é passível de “multitarefa”. Você pode estar pensando em algo e falando outro. Nesse caso específico, a tal da negação com a cabeça estaria “NEGANDO” o que se está dizendo ou os pensamentos ocultos para o ouvinte?

      Uns vão dizer que a negação é sempre em relação ao que está sendo dito, por isso essa “popularização” do sinal da cabeça como negação da fala. Eu não seria tão rápido para chegar a essa conclusão, mas vi pessoas com formação sólida embarcando nessa…. Não é o meu caso.

      Considero esse indicador MUITO FRACO, uma vez que PODE estar associado à mentira ou à negação, mas igualmente pode não ter nenhuma relação com isso.

      Me preocupa que as pessoas o utilizem indistintamente, meneou a cabeça, está mentindo – o veredito está dado!
      Em minha opinião técnica, chegar a essa conclusão só por que alguém balançou a cabeça é um absurdo.

      Sendo um pouco mais técnico, veja a minha explicação sobre o PRINCÍPIO DA EQUIFINALIDADE nesse artigo:

      Veja, no meio do artigo, a explicação do princípio da EQUIFINALIDADE

      Nesse caso, o comportamento “menear a cabeça” pode ser causado por diversas razões (princípio da equifinalidade), mas os defensores da barbaridade de associar o movimento negativo da cabeça SEMPRE a um sinal evidente e inequívoco da mentira esqueceram de ler os outros capítulos dos livros de psicologia, ficaram só na introdução, no que chamo de Psicologia 1.0.

      Sobre isso, veja também essa postagem:

      Não existe um único e definitivo sinal da mentira

      Além disso, existem muitos mitos na Internet sobre análise do comportamento. Venho escrevendo sobre isso. Veja, por exemplo, esse artigo:

      Realmente contamos 3 mentiras a cada 10 minutos?

      Veja, também, a série Análise do Comportamento Nâo Verbal

      Suas perguntas me motivam a escrever um artigo específico sobre esse “menear” a cabeça.

      Ficamos por aqui, continuarei a responder as suas perguntas em outro comentário.
      Um abraço
      Sergio Senna

    • Rogério,

      Fiquei muito feliz com a aplicação prática que você está dando à linguagem não-verbal. Não se preocupe com estes equívocos no início, vamos trocando idéia aqui no portal e no facebook.

      Recomendo a leitura dos artigos que estão à disposição no portal, te ajudarão bastante nestas dúvidas e em outras que irão surgir, tentamos elaborar artigos no sentido de sanar dúvidas propagadas no senso comum, bem como, dar uma base acadêmica mais sólida para o leitor.

      Complementando a resposta de Dr. Sérgio, em relação ao seu terceiro questionamento: não busque indicadores da mentira ou verdade, mas crie o hábito de perceber a congruência entre a linguagem verbal e não verbal, se a mesma “sair” de sincronia, ligue o alerta, pois pode ter algo de errado.

      Quanto ao indicativo de balançar negativamente a cabeça, não é confiável, como o Dr. Sérgio abordou. Já vi muitas pessoas se utilizarem deste gesto como parte de sua personalidade, como um “costume” gestual. Gosto muito de dar o exemplo do jogador Adriano, naquele caso do tiro dentro do carro:

      Vídeo ele afirmando ser inocente, primeira entrevista após o ocorrido: http://esporte.uol.com.br/futebol/ultimas-noticias/2011/12/26/adriano-confirma-sua-versao-e-afirma-nao-e-justo-o-que-ela-esta-fazendo-comigo.htm

      Outra entrevista, em um clima totalmente descontraído:

      httpv://www.youtube.com/watch?v=jvo5qH4uYVk

      Uma entrevista mais “tensa”: http://www.youtube.com/watch?v=7_QMoC9KcHE

      httpv://www.youtube.com/watch?v=7_QMoC9KcHE

      Observe que ele possui o hábito de balançar a cabeça, que no caso dele, não posso tomar como indicador, já que percebi que este tipo de comportamento faz parte de sua linha de base comportamental.

      Agora imagine se você assiste apenas o primeiro vídeo: iria rapidamente associar o balançar de cabeça como indicativo inequívoco de uma mentira.

      Espero que continue conosco em seus estudos.

      Abraço,

      Edinaldo Oliveira

    • Obrigado Edinaldo, seus exemplos ilustram a explicação e deixam mais claro ainda que é necessária uma aprendizagem séria para analisar o comportamento das outras pessoas.

      Nesse caso, eu lembro como teve gente dizendo que o Adriano estava mentindo…..

    • Genial! E obrigado pelas respostas!
      Sinceramente, comecei a pouco pesquisar sobre linguagem não-verbal, a modo que muitas pessoas expressam no seu comportamento, coisas que não condizem com o que verbalizam.
      Por isso estou aqui, pois este foi o site mais completo que encontrei até agora sobre o assunto.
      Agora sei, sempre que tiver uma dúvida vou ter a quem perguntar. Basicamente, acho que seria muito interessante da parte dos funcionários da área da saúde ao menos se interessar sobre isso, pois a aplicação em onde envolve algo tão sério quanto o bem-estar saudável de todo paciente deve ser sempre levada aos mínimos detalhes e com todo o recurso possível disponível. E esta é uma ótima ferramenta!
      Também sei que é impossível associar ou “diagnosticar” uma mentira a apenas UM sinal que a pessoa passa, porém minhas perguntas foram exatamente sobre os sinais que eu tinha dúvidas. Como o de ”manear” a cabeça em sinal de negação.
      Sergio Senna, quando tu dizes ”Você pode estar pensando em algo e falando outro. Nesse caso específico, a tal da negação com a cabeça estaria “NEGANDO” o que se está dizendo ou os pensamentos ocultos para o ouvinte?”. Claro, todos fazemos isso, mas quando o questionamento é realizado em um hospital e a pergunta é direcionada especificamente ao interlocutor. O ambiente, a pergunta e situação atual do paciente não diminuem essa ”multitarefa” do cérebro ao pensar na resposta?
      Mais uma pergunta, existem “cadeiras” na graduação ou pós em psicologia o qual estuda basicamente essas funções de linguagem não-verbal?

      Obrigado Sergio Senna e Edinaldo Oliveira.

      Att. Rogério M. Barbosa.

    • Olá Rogério,

      Quanto à dúvida da negação, vi certa vez um quadro de algum programa de domingo, que não me recordo agora, em que o noivo sempre quando falava que queria casar, ou que amava a noiva, etc..balançava a cabeça negativamente – pode ser um hábito, não sei….

      Explicando esta situação, um exemplo interessante e bem simples: Imagine que quando ele falava que amava a esposa, queria casar, etc…passava pela cabeça dele (talvez de forma não consciente, não sei) a lembrança daquela secretária do escritório, por exemplo. Então, quando ele balançava a cabeça negativamente, poderia ser em relação a estes seus pensamentos (conscientes ou não).

      Outro exemplo: você falando das qualidades de alguém e balança a cabeça negativamente, estaria mentindo? Não necessariamente. Já considerou a possibilidade de estar sendo verdadeiro, mas passar por alguns instantes a memória de um fato isolado (o qual foi reprovado por você) em relação à pessoa?

      Por estes simples exemplos, você percebe o quanto este indicador é falho, entretanto, estudiosos da PNL continuam a utilizá-lo. Sabe-se lá por qual razão…

      Já vi aqui na UFPE, na graduação de psicologia, uma disciplina sobre os estudos das emoções (citando os métodos desenvolvidos por Ekman e outros estudiosos da área), mas linguagem não-verbal, especificamente, nunca vi.

      Abraço e siga nos acompanhando.

      Edinaldo Oliveira

    • Obrigado Edinaldo! Obrigado mesmo, tuas respostas foram muito esclarecedoras.
      Agradecido pela atenção.

      Relato pessoal, que contei hoje ao Edinaldo Oliveira, que me deu a ideia de colocar aqui.
      O porquê me interessei por linguagem corporal:

      Há dois meses durante uma anamnese que eu realizava em um paciente, para ele poder fazer um exame de ressonância magnética, surgiu uma questão: “Você possui algum clip de aneurisma cerebral ou marcapasso?”, ele me respondeu “não”, porém, ao escutar e ver ele verbalizar a negação, me chamou atenção, algum tipo de intuição que captei na hora em que ele falou.
      Deixei ele aguardando, enquanto eu fui ler o histórico médico do mesmo, e dizia que ele teve uma intervenção cirúrgica para colocação de um marcapasso.
      Até hoje me pergunto do motivo pra ele ter me omitido tal informação, visando que é bem difícil esquecer que tu tens um marcapasso no peito.
      Se por um acaso eu tivesse aceitado o “não” dele, o aparelho de ressonância poderia, provavelmente, desligar o marcapasso. Ou seja a gravidade da situação foi gigantesca. Sendo que foi apenas a resposta dele que não me foi confiável.
      Então o que foi intuição, eu decidi ler e me aprofundar sobre o assunto, sou apenas um iniciante, mas espero adquirir conhecimento suficiente para conseguir minimizar esses fatores de riscos para os próprios usuários do hospital.
      Assim o meu trabalho vai ser mais eficaz e a saúde e integridade física de cada paciente, pode ser mantida com toda segurança.

      Att. Rogério M. Barbosa.

    • Rogério,

      Gostei bastante do seu relato, pode servir de inspiração para outras pessoas da área.

      Outra coisa que achei muito interessante é você querer tornar esta sua percepção empírica (acredito que pela rotina, você tenha adquirido uma percepção do comportamento padrão dos pacientes, algo natural) em algo científico, muito bom ver as pessoas querendo evoluir.

      Abraço,

      Edinaldo Oliveira

  13. Olá, estou estudando expressões corporais em diferentes idades e adorei seus vídeos, você teria expressões corporais/faciais em diferentes idades (infancia, adolescencia, adulto e idoso) é para apresentação de um trabalho, desde ja parabéns e agradeço.

    • Obrigado pelas gentis palavras. Infelizmente não tenho imagens para fornecer.

      Continue acompanhando o nosso Portal.

      saudações
      Sergio Senna

  14. Olhei este último vídeo no youtube.
    A descrição diz que nenhum deles está mentindo. Em ambos o homem está recitando poemas:

    “So… now that you’ve come up with very good rationales for your opinion, well… let me just tell you that the only liar up here is me! The guy in the video was actually reciting poetry, the same poem in fact. But because I convinced you that one was a lie, your brain pulled itself together and gave you concrete, well-thought through evidence for one or the other. You actually “saw” things differently–didn’t you?”

    • Prezado Túlio, saudações.
      Obrigado pelo seu comentário.

      Esse vídeo é um exemplo de alguns que podem ser encontrados na Internet e que são elaborados por pessoas que tentam desacreditar as técnicas de detecção de mentiras. O que elas fazem? Postam vídeos em que, supostamente, há alguma mentira sendo contada e desafiam que se descubra.

      Conheço uns quatro ou cinco com esse teor e certamente existem mais. No entanto, quando constroem esses vídeos deixam pistas sobre as mentiras que contam. Afinal, inserir indicadores da mentira em uma história verdadeira para enganar, também é mentira.

      Uma vez que o próprio autor alega estar mentindo, não temos nenhuma razão para acreditar em qualquer outra informação que nos dê em sua descrição no Youtube, ou temos?

      Seu comentário me animou a escrever sobre isso. E, em breve, farei uma coletânea desses vídeos para analisá-los junto com nossos leitores.

      Muito grato
      Sergio Senna

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