Ameaças reais e suas emoções.

Ameaças reais e suas emoções.

A seguinte notícia foi publicada nos veículos jornalísticos “Taleban diz que tentará matar príncipe Harry no Afeganistão”, o que nos remete à

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Ameaça ao príncipe Harry. Para ler a notícia clique na imagem.

publicação de um recente artigo intitulado de “Emotions expressed in speeches by leaders of ideologically motivated groups predict aggression” (algo como “Emoções expressas nos discursos de líderes de grupos ideologicamente motivados pode prever a agressão”), publicado no journal of Behavioral Sciences of Terrorism and Political Aggression. A pesquisa sugere que, quando os líderes usam discursos “inflamados”, evocando emoções fortes, essas emoções podem antever quando um grupo vai cometer um ato de violência ou terrorismo.

A pesquisa foi realizada pelo Dr. David Matsumoto , juntamente com os drs. Hyisung Hwang and Mark G. Frank, através de analises de discursos, e perceberam que as expressões de desprezo, raiva e nojo, são predominantes no discurso dos líderes ativistas e terroristas,  antes de cometerem um ato de violência.

Como parte de um projeto de cinco anos financiado pelo Departamento de Defesa dos EUA, Matsumoto e seus colegas estudaram as transcrições dos discursos proferidos pelos líderes de grupos ideologicamente motivados ao longo dos últimos 100 anos. A análise incluiu discursos como observações de Osama bin Laden que levou aos atentados de embaixadas no Quênia e na Tanzânia.

 

Como ocorreu a pesquisa?

Os pesquisadores analisaram o padrão de emoções transmitidos durante o discurso de líderes falando sobre um grupo rival e discursos de “verdadeira” agressão (anunciando um ato terrorista, por exemplo). Após comparação entre os discursos, perceberam que no conteúdo dos discursos proferidos por líderes de grupos que cometeram atos agressivos/violentos, houve um aumento significativo na expressão de desprezo, raiva e nojo 3 a 6 meses antes do grupo de cometer um ato de violência.

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Líderes e seus grupos.

Para grupos não violentos, expressões de desprezo, raiva e nojo foram diminuindo no período de 3 a 6 meses antes do grupo encenar um ato de resistência pacífica.

Matsumoto informa que as descobertas sugerem que o tom emocional de um líder pode fazer com que o resto do grupo compartilhe de suas emoções, motivando o grupo a participar das ações violentas.

A constante expressão destes indicadores, aversão e raiva, podem ser fortes

[pdf ibralc.com.br/wp-content/uploads/2012/09/Emotions-expressed.pdf 200 280]

indicativos de que a ameaça requer atenção, conforme cita Matsumoto: “Entender os fatores anteriores que levam a ataques terroristas e eventos violentos podem ajudar a prever esses incidentes ou prevenir a sua ocorrência, em primeiro lugar … estudar as emoções expressas por líderes é apenas uma peça do quebra-cabeça, mas poderia ser um preditor útil de ataques terroristas. “

Para ler o trabalho completo, veja o link nas referências deste artigo ou amplie o arquivo ao lado.

 

Tragédia em Realengo.

ameaças-linguagem-corporal-Wellington_MenezesPodemos trazer como (lamentável) exemplo a tragédia ocorrida no Rio de Janeiro, no bairro de Realengo, na escola Municipal Tasso da Silveira, ocorrido em 07 de abril de 2011. Onde o atirador Wellington Menezes de Oliveira, de 23 anos, invadiu a escola armado com dois revólveres e começou a disparar contra os alunos presentes, matando doze deles, com idade entre 12 e 14 anos. Oliveira foi interceptado por policiais, cometendo suicídio.

Agora observem atentamente o vídeo que foi encontrado na casa de Wellington, onde o mesmo discursou de forma confusa sobre as razões que o levaram a fazer o que fez (no vídeo abaixo ele narra como “06 de outubro de 2011”, acredito que ele tenha errado a data, que seria dia 06 de abril, já que ele estava indo para lá – escola – na noite anterior)

Abaixo duas imagens destacadas como exemplo, entre as diversas expressões que aparecem no vídeo:

 

 

O discurso possui diversos momentos em que o interlocutor apresenta expressões de aversão e raiva, tal fato não definirá necessariamente que um evento violento ocorrerá, entretanto, este tipo de discurso deve ser sempre levado à sério. Portanto, muito cuidado com o velho ditado “Cachorro que late não morde”, pois pode ser que ele morda.

 

Abraço,

Edinaldo Oliveira

 

Referências:

Jornal Último Segundo. Taleban diz que tentará matar príncipe Harry no Afeganistão. Disponível em: <http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2012-09-10/taleban-diz-que-tentara-matar-principe-harry-no-afeganistao.html>. Acesso em 10 de setembro de 2012

MATSUMOTO, David. Using Emotional Cues to Predict Acts of Terror or Political Aggression. Humintell. Disponível em: <http://www.humintell.com/2012/09/using-emotional-cues-to-predict-acts-of-terror-or-political-aggression/>. Acesso em 10 de setembro de 2012.

MATSUMOTO, David; HWANG, Hyisung C.; FRANK, Mark G. Emotions expressed in speeches by leaders of ideologically motivated groups predict aggression. Behavioral Sciences of Terrorism and Political Aggression.  Disponível em: <http://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/19434472.2012.716449>. Acesso em 10 de setembro de 2012.

 

Como citar este artigo:

Formato Documento Eletrônico (ABNT)

JUNIOR, Edinaldo Oliveira. [post-name]. Instituto Brasileiro de Linguagem Corporal. Disponível em < https://ibralc.com.br/ameacas-reais-e-suas-emocoes/> . Acesso em [data-php].

Formato Documento Eletrônico (APA)

Junior, Edinaldo Oliveira. (2012). [post-name]. Instituto Brasileiro de Linguagem Corporal. Recuperado em [data-php], de https://ibralc.com.br/ameacas-reais-e-suas-emocoes/ .

 

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Como citar este artigo:

Formato Documento Eletrônico (ABNT)

. Ameaças reais e suas emoções.. Instituto Brasileiro de Linguagem Corporal. Disponível em < https://ibralc.com.br/ameacas-reais-e-suas-emocoes/> . Acesso em 2 Dec 2016.

Formato Documento Eletrônico (APA)

. (). Ameaças reais e suas emoções.. Instituto Brasileiro de Linguagem Corporal. Recuperado em 2 Dec 2016, de https://ibralc.com.br/ameacas-reais-e-suas-emocoes/.

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Edinaldo Oliveira

Graduado em ADMINISTRAÇÃO - GESTÃO DE NEGÓCIOS pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Caruaru/PE (2005) e Pós-Graduado em Engenharia de Software pela mesma faculdade, em 2010, além de graduado em Gestão da Tecnologia da Informação, pela ESTÁCIO, em 2014. Diletante do campo da psicologia, com foco no estudo da comunicação não verbal, especialmente no que se refere as expressões faciais, e como esta ferramenta pode ser aplicada em diversas áreas, a saber: segurança, defesa, educação, vendas, nas organizações e na saúde. Além disto, é amante da astronomia, astrofotografia e fotografia.
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4 Comments

  1. Edinaldo esse é um dos artigos mais elaborado, completo e exemplificativo que já vi por aqui, parabéns e obrigado!
    Quero relatar um fato que vem acontecendo no meu âmbito familiar, na verdade não é diretamente relacionado a mim, mas mesmo assim vou relatar e pedir uma orientação.
    Desde o primeiro dia que entrei nesse portal, muitas das dúvidas que eu tinha, com relação ao assunto, foram extintas, aprendi muito aqui e consigo muitas vezes colocar em prática tudo que aprendo no portal. Não vou dar nomes aos “bois” pra evitar qualquer tipo de especulação familiar, que posteriormente possa a vir, então vou colocar o nome ”X” cada vez que citar essa pessoa.
    Convivo de uma maneira esporádica com uma pessoa que tem atitudes suspeitas – na verdade o que vou descrever é alguma possível desordem psicológica/psicossocial, mas como não sou médico/DR. não tenho como afirmar qual doença é – ela mente demais, inventa histórias, acontecimentos, sempre diz que está doente ou que está com alguma dor, etc.. Entretanto, algumas vezes, isso extrapola alguns limites:

    1- Há um ano essa pessoa começou receber bilhetes misteriosos, eram feitos com letras cortadas de revistas, todos eles haviam ameaças ao cônjuge dessa pessoa e enalteciam a ”X” com muitos elogios. Era sempre ela que encontrava os bilhetes, e apenas ela! Tempos depois foi descoberto na churrasqueira dessa família revistas picotadas, faltando letras em algumas páginas e palavras compostas, exatamente como eram feitas nos bilhetes.

    2- Eles moram em uma cidade do interior do Rio Grande do Sul, a principal atividade da família era o cultivo de gado, nessa época um bezerro apareceu degolado e a cabeça tinha um bilhete semelhante a esse.

    3- Havia um galpão no terreno da casa e um dia, nessa época, alguém colocou fogo nele, ficou que era a pessoa misteriosa dos bilhetes que queria dar ”um sinal”.

    4- Em uma conversa informal eu comentei sobre meu trabalho, pois convivo com situações hospitalares extremas, disse que há cenas que parecem ser de guerra pela situação dos pacientes. A pessoa X logo retrucou: “eu não me sensibilizo, não sinto nojo em ver algo assim.”

    5- Outra vez ela sumiu por algumas horas, durante a noite, voltou chorando com cortes e arranhões bem superficiais, alegando que havia sido estuprada. Ao ver as lesões percebi que elas se localizavam na barriga e nas coxas, e em nenhuma outra parte do corpo. O que me pareceu suspeito era não ter nenhuma marca onde ela não pode alcançar e nem no rosto ou braços.

    6- Um dia depois, apareceu um bilhete ordenando que todos os membros da família ficassem em casa, pois o criador dos bilhetes iria se revelar, como esperado, ninguém apareceu.

    Além de tudo, ela é sempre a vítima da história em qualquer situação, atormenta os familiares dela com isso e com essas histórias.
    Quando foi confrontada ela fingiu estar passando mal e foi levada ao hospital, e nada mudou. Depois disso o ser misterioso desapareceu, sem deixar vestígios de que se quer existiu!
    Porém ela voltou a começar a ter atitudes suspeitas atualmente, gostaria de saber como proceder com uma pessoa assim. Ela nunca irá num psicólogo, isso é um fato que tenho como incontestável o que dificultará ainda mais qualquer diagnóstico.
    Existe histórico familiar, a mãe dessa pessoa fazia coisas parecidas, tentou cometer suicídio três vezes e na terceira conseguiu.

    Confrontar não é uma opção? O que seria aconselhável a fazer com uma pessoa assim? Ou como devemos agir?

    Obrigado e até mais!

    Abraços!

    • Olá,

      Bom, por todo seu relato, somado ao histórico familiar, por parte da mãe, existe algum tipo de dificuldade por parte desta pessoa, o que a leva a tais fantasias. Como o caso já aparenta uma certa seriedade, com certeza o confronto não será a melhor solução, mesmo porque, você poderá estar confrontando uma história que para ela é pura realidade.

      O ideal seria um acompanhamento com profissionais da área de saúde mental, como um psiquiatra (para resolver questões mais imediatas e que envolvam riscos mais diretos, pois será que ela ficará apenas nos arranhões??) e um psicólogo, para que ela busque entender melhor os anseios que a levam a agir de tal forma.

      Evidentemente que todo esse processo depende muito dela, pois havendo negação ao tratamento, você e familiares não poderão forçá-la a fazer tal tratamento, por isto, o melhor é ter muita paciência e aos poucos ir mostrando que ela precisa de ajuda e que de forma alguma irão rotular ela de “doida”, “maluca”, “pirada”, etc…e que se trata apenas de um problema de saúde, como qualquer outro, pois ainda vejo muito estigma em relação as pessoas que buscam auxílio médico com tais profissionais, como se fosse diferente de buscar ajuda em um gastro, dermatologista, dentista, etc…

      Boa sorte, espero que consiga êxito na melhora do bem estar dela, pois com certeza ela esta precisando.

      Abraço,

      Edinaldo

  2. Edinaldo Oliveira,

    Percebi a micro-expressão de raiva genuína, mas não tinha percebido a de desdém.

    Ótimo artigo. O cuidado e a postura antecipada de atenção constante é essencial para inibir ações violentas.

    Um vídeo destes, quando encontrado antes do evento, deve servir de ponto de partida para ações de prevenção. No entanto, note que o comportamento verbal dele não menciona ações específicas, o que não chamaria a atenção de quem não tem um olhar sobre o comportamento não-verbal.

    Abraço e sucesso!
    João Lins.

    • Olá João,

      Obrigado pelo elogio. Você falou que “o comportamento verbal dele não menciona ações específicas”…Bom, ele lê uma carta, falando que pessoas (a sua volta evidentemente) tratam ele de forma cruel, ali só podemos ter duas saídas: ou o cara não vai fazer nada e passou de uma “falácia” OU ele vai fazer alguma coisa (qual o nível de gravidade não podemos determinar).

      Quando alguém fala algo desprezando ou ameaçando com uma certa sequência de raiva e desprezo (mesmo que sutis), pode ligar o alerta que provavelmente teremos algum tipo de problema.

      Aproveitei os estudos iniciais citados no inicio do artigo e fiz uma ponte com nossa realidade.

      Desta forma, fique atento quando alguém falar algo de forma “negativa”, que dependendo das expressões, tem grandes chances de ser real.

      Abraço

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