Casos da vida real: Andrea

Casos da vida real: Andrea

Muitas vezes as pessoas me enviam mensagens ou fazem comentários no Portal, solicitando uma opinião sobre um problema que estão vivenciando.

Sensível a isso, decidi iniciar uma série de artigos onde expresso a minha opinião sobre esses casos. Essas histórias da vida real servem para outros leitores que passam por situações similares, mas que, por algum motivo, não desejam expressar suas emoções e suas questões aqui no Portal.

Não espero que as pessoas sigam as minhas orientações, mas que disponham de mais uma opinião para ajudá-la a decidir o que fazer.

Nosso primeiro caso é de uma pessoa que se identifica como Andrea, tem 35, reside e trabalha no interior de São Paulo. Vejamos a sua narrativa:

Sergio, eu gostaria de tirar uma duvida se possivel com você.

Como é dificil conviver com as pessoas dentro do nosso trabalho e dividir o dia a dia. Veja, Sergio, uma situação,cada um de nós temos um comportamento e uma vivencia.

 

Eu me chamo Andrea e sou consultora de vendas de uma loja de celular. Temos que ter uma garra muito grande para lutar e buscar vendas o tempo inteiro.

 

Sergio, e isso as veses  nos deixa sempre em inconstancia e com sisma pois temos que vender e buscar clientes o tempo todo e essa convivencia com os colegas é muito competitiva e as vezes dá a impreção que não fizemos direito o nosso trabalho e da angustia pois as cobranças por parte dos chefes é muito grande o tempo interio com a gente.

 

Diante dessa pequena historia de trabalho que te contei, pergunto como posso fazer para me relacionar melhor com meus colegas e como posso ter sucesso com as vendas  no meu dia a dia.

Queria que voce me ajudasse, pois eu me sinto um tanto cansada e cheia de cobranças e as veses fica a impressão de que tudo que faço é pouco e que eu to sempre em divida com as vendas e com o trabalho…

 

Sergio, me ajude eu to só e com tantas duvidas e medo de não conseguir atravessar essa jornada na minha vida me ajude como ser uma excelente vendedora e mais confiante dentro do meu trabalho e com os meus colegas de serviço..

 

Envie dicas e tambem algum livro que eu posso ta lendo para me dar essa clareza na mente que tanto preciso …um grande beijo e até breve.

Adoro seu trabalho e estou confiante de que voce possa me ajudar eu tenho 35 anos e sou do interior de são paulo mas tenho muita vontade saber como lidar com tudo isso …..beijos …

Muito obrigada desde já …

 

Prezada Andrea, entendo perfeitamente a sua angústia e gostaria de mostrar a minha solidariedade quanto ao que você está sentindo nesse momento.

Agradeço e celebro a sua coragem em escrever sobre suas emoções, o que muita gente não consegue fazer.

Em minha opinião existem alguns elementos importantes que você traz em sua história:

 

  • Você trabalha em um ambiente competitivo, mas entende que esse ambiente não precisava ser tão intenso e egoísta;

  • Nas entrelinhas, percebo o seu incômodo com os métodos que podem ser sugeridos ou utilizados para “buscar clientes o tempo todo”;

  • Você quer saber como melhorar as suas vendas, mas percebo que sua real questão é como melhorar a qualidade de sua vida.

 

Diante desses três pontos o que posso te dizer é o seguinte:

– Nossas expectativas, desejos e planos são construídos ao logo do curso de nossa vida. Como cada um de nós tem um percurso diferente, esses elementos subjetivos vão se estabelecendo de forma distinta em cada um de nós.

No entanto, há uma componente coletivo, os valores sociais que organizam a nossa vida em grupo. Alguns deles se referem ao trabalho e à forma como devemos oferecer os nossos serviços.

 

 

Há muito que a sociedade estabeleceu uma brutal competição entre as pessoas, pois observou-se que quase todos rendiam mais quando competiam entre si.
  casos-Competição-no-Trabalho

 

No entanto, essa vida em constante competição nos cobra um preço elevado. As empresas promovem esse clima com o intuito de ganhar cada vez mais.

 

Não se engane quando uma empresa fala de bem estar dos funcionários, pois essas medidas quase sempre estarão relacionadas ao crescimento do rendimento do funcionário e, consequentemente, do ganho da empresa.

 

Diante disso, meu conselho é que você encare esse emprego como algo temporário, ainda que você permaneça no ramo de vendas. Procure uma empresa em que os bens sejam de valor mais elevado, assim vendendo menos (e sentindo menos pressão) você poderá cumprir a mesma comissão, garantindo o seu sustento.

A indústria e o comércio de celulares tem uma velocidade de vendas muito acelerada e você precisa vender muitas unidades para cumprir a sua cota, então você precisa prestar atenção a isso e tentar outro ramo, onde a velocidade do negócio esteja mais de acordo com aquilo que você deseja para você.

 

Procure uma empresa onde os métodos de venda estejam de acordo com suas crenças e valores, assim você não se sentirá tão pressionada e poderá atender os seus clientes não só como consumidores, mas como pessoas que são, outro aspecto que percebo nas entrelinhas do que você escreveu e que entendo ser um desejo seu.

 

Melhorar a qualidade de vida depende de uma série de providências. Estudar é essencial.

casos-estudar  

Muitas vezes, na correria do dia a dia, na busca pelo nosso sustento, empregamos todo o nosso tempo nessa tarefa.

É necessário fazer um esforço para prosseguir nos estudos, pois essa é uma forma eficiente de ter acesso a novos e melhores postos de trabalho.

 

Além disso, considere seriamente a possibilidade deixar o comércio de celulares, pois a velocidade dessa atividade tem te trazido incômodo. Tenho certeza de que você conhece colegas que não se importam nem um pouco ou até mesmo gostam dessa correria. Deixe isso para eles. Considere esse emprego como uma passagem temporária enquanto você organiza outra estratégia.

 

Lembre-se de que você é protagonista em sua própria vida. Nem sempre conseguimos tudo o que sonhamos e desejamos, mas podemos dar passos para conseguir ter uma vida que consideramos satisfatória.

 

Muito do que você narrou em sua breve história vem ocorrendo pois a sociedade promove valores alinhados com o egoísmo, com o individualismo e com a ganância.

Muita gente tem operado em consonância com esses valores e percebo que você está muito incomodada com isso.

 

Aproveite que vivemos em um Brasil em fase de pleno emprego, capacite-se e elabore um plano para trabalhar em uma atividade que você gosta, com aquela que sempre sonhou.

Você encontrará dificuldades, mas é possível vencê-las.

 

Mais do que dicas de linguagem corporal para vendas, você precisa e tem direito a uma vida feliz

Um grande abraço e o meu desejo de sucesso para você Andrea.

Sergio Senna

 


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Como citar este artigo:

Formato Documento Eletrônico (ABNT)

PIRES, Sergio Fernandes Senna. Casos da vida real: Andrea. Instituto Brasileiro de Linguagem Corporal. Disponível em < https://ibralc.com.br/casos-da-vida-real-andrea/> . Acesso em 4 Dec 2016.

Formato Documento Eletrônico (APA)

Pires, Sergio Fernandes Senna. (2012). Casos da vida real: Andrea. Instituto Brasileiro de Linguagem Corporal. Recuperado em 4 Dec 2016, de https://ibralc.com.br/casos-da-vida-real-andrea/.

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Sergio Senna
Psicólogo, doutor em psicologia (UnB), possui diversas especializações na área de educação, segurança e políticas públicas. Tem larga experiência acadêmica e profissional na interpretação da linguagem corporal, presta assessoria institucional no Congresso Nacional e desenvolve trabalhos acadêmicos nas temáticas da análise da mentira e da linguagem corporal. Veja o currículo completo aqui!
Sergio Senna

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5 Comments

  1. Excelente iniciativa, Dr. Sergio!
    Está correto em todas às suas colocações.
    O mercado de venda de celulares é refletido pela velocidade em que surge novos produtos, um emprego desses é bom para ter experiência, mas não deve ser encarado como algo permanente. Conheço três lojas na cidade onde eu moro, que a cada seis meses faz uma “limpa” nos funcionários e contrata novos. E alguns nem ficam seis meses.
    O diferencial em um empregado, é a capacitação, estudos sempre! É o que garante a sua permanência.
    Boa sorte, Andrea!

    Abraços!

    PS: Hoje estava conversando com um paciente, sobre como ele tinha fraturado o seu braço. Ele me contou toda uma história sobre ele ter feito um conserto errado em uma motocicleta, na qual acabou se acidentando.
    Notei alguns sinais que não correspondiam a sua verbalização, além de ele contradizer algumas coisas, no final de sua fala, consegui notar o Duping Delight ao mesmo tempo em que ele pressionava os lábios.
    No fim das contas, a esposa dele me contou a verdade, ele tinha tomado umas, e tava voltando pra casa de bicicleta e com um queijo embaixo do braço. O queijo caiu e ele tentou agarrar no ar e não conseguiu, por isso ele caiu e se fraturou.

    Fiquei feliz que eu consegui perceber alguns sinais que tanto tenho lido pra aprender. rs.
    Obrigado Edinaldo e Dr. Sergio Senna.

    Abraços!

    • Olá Rogério,

      Vejo que está fazendo progressos na área apenas pelos artigos do portal, que bom!! Parabéns! Continue neste caminho.

      Abraço,

      Edinaldo Oliveira

    • Obrigado Edinaldo. É a equipe do IBRALC buscando trazer mensagens positivas para as pessoas nesse mundo tão conturbado.

      Espero que nossos leitores percebam que os valores que orientam o trabalho do IBRALC são muito diferentes daqueles que tanto criticamos e que aparecerão nesses casos reais.

      Um abraço
      Sergio Senna

  2. Parabéns pelo trabalho, muito boa iniciativa, além de nos passar dicas de linguagem corporal, tambem aprendemos a lidar com conflitos do dia a dia.

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