Catherine Berte explica a psicanálise corporal

Em nossos diversos contatos pela Internet, conhecemos Catherine Berte, que é psicanalista corporal.

Achamos o assunto muito curioso e, uma vez que a psicanálise é muito difundida e apreciada no Brasil, pedimos que ela explicasse em que consiste a psicanálise corporal para que os nossos leitores pudessem tomar conhecimento.

A seguir, temos o texto que ela nos enviou.

Um abraço

Sergio Senna

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A psicanálise corporal ®

Sete níveis no corpo para um bem estar fundamental.

 

Essa psicanálise inovadora fundada há 30 anos por Bernard Montaud, até então jovem fisioterapeuta e osteopata, permite ao corpo reviver o passado através de 7 níveis precisos de lapsos corporais. Esta técnica confiável não deixa nenhuma margem à interpretação e permite ao corpo reviver e contar com toda sinceridade, e nos mínimos detalhes, aquilo que aconteceu 30, 40 ou 50 anos atrás.

 

O testemunho abaixo descreve o caso concreto de Elisa, o que ela reviveu na psicanálise corporal.

 

Linguagem CorporalNas primeiras sessões de psicanálise corporal, Elisa descobre o primeiro nível de lapso corporal, o espasmo sem sentido. Esse espasmo é como um sobressalto que ela espera a cada início de sessão, uma tensão abdominal associada a um colapso torácico : é o início da confidência do corpo. Esta primeira etapa é frequentemente sentida como uma experiência positiva. Enfim, o corpo pode se expressar.

 

Ao longo das sessões, os lapsos se tornam mais profundos, o corpo começa a contar fragmentos da história : seus braços se dobram com os punhos fechados. Durante o período de verbalização que sucede a sessão, ela descreve os instantes como um álbum de fotografias de família, onde ela descreve esforços permanentes que ela deve fazer para ser a criança modelo. São os níveis três e quatro da psicanálise corporal. Aqui, acessamos as camadas simbólicas da memória psíquica.

 

Nos níveis seguintes, Elisa apresenta gestos concretos: ela está deitada e brinca com suas mãos. Em seguida, apresenta as pernas dobradas, ela chora para chamar sua mãe. Suas articulações cada vez com uma tensão maior já expressam as dores psíquicas que ela vive. Na verbalização, ela reencontra sua primeira infância – dois meses. Com diversos elementos concretos, a toalha azul com uma girafa na qual ela está deitada, a presença carinhosa de seu pai vestido com um pijama azul.

 

No último nível, Elisa tem o punho direito completamente encurvado, em um conflito articular intenso. Este último lapso corporal quase insuportável manifesta o conflito psíquico que ela vive.

 

Após a sessão, ela exprime toda a dor da situação que ela acaba de reviver… Naquela manhã foi seu pai que deu banho nela. É muita alegria sentir todo o amor que os une.  Quando sua mãe chega, ela a sente cansada. Ela gostaria tanto que a mãe participasse daquele momento carinhoso. A mãe começa a trocar Elisa e ela começa a fazer xixi. Como é bom sentir esse calorzinho na sua barriguinha e perninhas. Mas Elisa sente que sua mãe está furiosa diante deste bebê que está fazendo xixi e tendo uma sensualidade evidente. Então ela esfrega essa barriguinha e sua bunda de uma maneira cada vez mais forte. Ela fica doida. Elisa sente toda a história dessa mãe que não pôde estudar pois era uma menina… despresada pelos seus irmãos! Ela tinha se tornado uma mulher de deveres assumindo a família e negando todos os seus desejos.

 

Elisa recebe uma lição terrível nessa história tão rude… ela deveria eliminar todos os traços de calor…

Durante o tempo que sua mãe termina de trocá-la, Elisa perde a razão: de um lado, essa sensualidade tão viva, mas que vai fazer com que ela perca sua mãe e de outro, a mulher forte, a mulher do dever. Estes dois lados não podem coexistir. Então, em uma escolha dilacerante e para ser amada por sua mãe, Elisa renuncia à sua dimensão de criança cheia de vida. Ela relata  com lágrimas nos olhos: ‘se vocês soubessem como ela sofria essa mãezinha, com tanta roupa para lavar, ela tinha renunciado tanto ao prazer!’

 

Neste nível tão profundo da psicanálise corporal, não há mais nem carrasco nem vítima. Na verdade, este personagem era simplesmente um pai ou uma mãe gentil que fizeram tudo que podiam, tendo também eles uma história antiga tão pesada e com limites de amor.

Graças ao fato de ter revivido esta história tão íntima e desta reconciliação profunda com sua história, Elisa poderia apesar de tudo, aprender em uma prática, pequenos encontros com a mulher  « reprimida e responsável » para viver instantes de sensualidade e de vida.

 

Catherine Berte

Doutora em Ciências

Psicanalista Corporal

 

 

(1) Duret et Montaud , Allô mon corps…Fondements de la psychanalyse corporelle, Ed. Edit’as 2005

(2) Montaud ,  Berte et al …Ni bourreau ni victime, les apports de la psychanalyse corporelle, Ed. Edit’as 2008

 

 

 

Para maiores informações

– Apresentação e sessões práticas de psicanálise corporal por Catherine Berte em dezembro e março em Belo Horizonte.

 

– vinda de Bernard Montaud à Belo horizonte, São Paulo e Rio de Janeira em junho de 2013.

 

www.psychanalysecorporelle.org 

e-mail : [email protected]

Liza : 00553199094420


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Como citar este artigo:

Formato Documento Eletrônico (ABNT)

. Catherine Berte explica a psicanálise corporal. Instituto Brasileiro de Linguagem Corporal. Disponível em < https://ibralc.com.br/catherine-berte-explica-a-psicanalise-corporal/> . Acesso em 2 Dec 2016.

Formato Documento Eletrônico (APA)

. (). Catherine Berte explica a psicanálise corporal. Instituto Brasileiro de Linguagem Corporal. Recuperado em 2 Dec 2016, de https://ibralc.com.br/catherine-berte-explica-a-psicanalise-corporal/.

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Posted in Curiosidades.

3 Comments

  1. Eu acrescentaria aí somente a ressalva de que nem sempre um gesto corporal está relacionado a uma mentira, ou a algo desse tipo. É preciso ser cauteloso nas interpretações.

    Mas foi interessante saber dessa linha da psicanálise que eu não conhecia.

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