Conversando com Sergio Senna Pires

A partir das conversas que temos em nossos cursos e de minha percepção sobre as motivações que levam as pessoas a se interessarem pela linguagem corporal, decidi iniciar essa matéria, postando algumas perguntas e respostas com algumas de minhas reflexões, como especialista em linguagem corporal, sobre o tema.

Como toda opinião, é sujeita à contestação, mas pelo menos já se tem um ponto de partida para a reflexão.

O propósito desse artigo é instigá-lo(a) a perguntar e postar os seus comentários.

Boa leitura

Sergio Senna

 

É possível tornar-me um detector de mentiras humano como as personagens que vejo na televisão?

Análise dos episódios de lie to me - linguagem corporalNão existem tais pessoas no mundo real. O que pode ser feito é um treinamento especializado em reconhecer macro e microexpressões faciais, que são interpretadas juntamento com o conjunto de indicadores gestuais da linguagem corporal.

Essa prática desenvolverá a sua habilidade em perceber sutis alterações emocionais nas pessoas. No curso Desvendando a Face, ensino o que deve ser observado com atenção no rosto das pessoas. A partir desse tipo de aprendizagem, você se sentirá habilitado a reconhecer como, provavelmente, seu interlocutor está se sentindo em um determinado contexto.

Entretanto, restará muita coisa a saber, como por exemplo: os motivos que levaram a pessoa a se sentir daquela forma e os detalhes dos eventos que promoveram aquela emoção.

Conseguir que as pessoas voluntariamente contem seus segredos para você dependerá de sua capacidade em criar empatia e segurança para seus interlocutores.

 

Em que áreas é possível utilizar esse conhecimento?

Depois de ter desenvolvido essas habilidades, você poderá utilizá-las em muitas áreas de sua vida, como nas relações familiares, no trabalho e nos relacionamentos de amizade. Esse conhecimento é uma ferramenta de trabalho para diversos profissionais como psicólogos, advogados, profissionais da segurança pública, magistrados entre muitos outros.

A Educação é uma das áreas mais promissoras, pois os professores se vêm mais capacitados para reconhecer e analisar o campo afetivo das relações pedagógicas, elemento fundamental para o sucesso da aprendizagem.

O campo de vendas também é fértil em aplicações para esse conhecimento, uma vez que é rico em interações e a disposição para comprar tem um componente emocional fundamental.

Na segurança pública e privada esse conhecimento é ferramenta de trabalho muito útil para o investigador.

 

Depois de ter aprendido a reconhecer expressões faciais e a linguagem corporal o que devo fazer?

Sempre recomendo que a pessoa tenha equilíbrio na utilização de sua nova percepção. Você perceberá muitos detalhes que antes passavam despercebidos. Portanto, aconselho a ter paciência com seus interlocutores. Utilize essa nova habilidade como se fosse uma pequena “máquina do tempo” que te dará uma vantagem de 5 minutos.

– Como assim?

Simples! Você percebe os efeitos emocionais da sua interação e ganha a possibilidade de alterar a sua conversa e a sua postura antes que as pessoas verbalizem o que estão sentindo. Isso é muito bom, não?

Por exemplo: você se dá conta de que uma conversa está irritando alguém e não é essa a sua intenção. Percebendo isso antes da pessoa reclamar acerca do incômodo, você pode:

1. Encerrar a conversa amistosamente e deixá-la para outro dia;

2. Trocar de assunto de forma melhorar a interlocução;

3. Perguntar por que a pessoa sente incômodo com o tema (ela vai se surpreender com a sua percepção ou negar que sente o incômodo);

4. Outras abordagens da questão segunda a sua imaginação.

De qualquer forma, uma abordagem honesta e sincera (sem exageros) ajuda a fortalecer as relações de todas as naturezas.

 

O reconhecimento de emoções pelas expressões faciais e pela linguagem corporal é baseado em conhecimento científico ou ainda está no campo da “auto-ajuda”?

É possível afirmar com segurança que existe conhecimento científico robusto sendo produzido sistematicamente há mais de um século sobre esse tema. Explore a área científica do portal e você verá quantas pesquisas já foram realizadas sobre o assunto.

No entanto, é igualmente necessário alertar para o cuidado com pessoas inescrupulosas que se utilizam da boa fé pública para difundir informações distorcidas e sem qualquer base científica. Defendem, também, a existências de certas “receitas infalíveis”. No campo das emoções humanas não existem tais coisas.

O que pode ser realizado é um treinamento meticuloso e sério, sabendo de antemão que uma mesma emoção pode ser originada por razões diferentes as quais somente a própria pessoa poderá revelar.

Para aprender mais, veja o nosso artigo que contém nossas matérias sobre linguagem corporal:


Conhecimento básico em linguagem corporal

Linguagem Corporal – Conhecimento Fundamental

Apresento para você, que deseja começar a estudar a linguagem corporal, uma seleção dos nossos mais importantes artigos que contém o básico para o início do estudo dos seguintes temas: ...
Leia Mais

 

Como é possível aprender esse tema em profundidade?

Primeiramente, serão necessários: curiosidade, gosto pelo assunto e vontade de estudar e de treinar. Então explore o conteúdo do portal e realize os nossos cursos presenciais.

Em breve, um espaço de treinamento na Internet estará disponível para você. Saiba que com seriedade você poderá melhorar muito a sua percepção do mundo ao seu redor, aumentando a possibilidade de êxito nos seus projetos.


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Como citar este artigo:

Formato Documento Eletrônico (ABNT)

PIRES, Sergio Fernandes Senna. Conversando com Sergio Senna Pires. Instituto Brasileiro de Linguagem Corporal. Disponível em < https://ibralc.com.br/conversando-com-sergio-senna-pires/> . Acesso em 2 Dec 2016.

Formato Documento Eletrônico (APA)

Pires, Sergio Fernandes Senna. (2012). Conversando com Sergio Senna Pires. Instituto Brasileiro de Linguagem Corporal. Recuperado em 2 Dec 2016, de https://ibralc.com.br/conversando-com-sergio-senna-pires/.

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Sergio Senna
Psicólogo, doutor em psicologia (UnB), possui diversas especializações na área de educação, segurança e políticas públicas. Tem larga experiência acadêmica e profissional na interpretação da linguagem corporal, presta assessoria institucional no Congresso Nacional e desenvolve trabalhos acadêmicos nas temáticas da análise da mentira e da linguagem corporal. Veja o currículo completo aqui!
Sergio Senna

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15 Comments

  1. Gostaria de fazer algumas observações aos nossos leitores que são interessados na análise da mentira.

    1. O comportamento humano é bastante complexo e devemos evitar abordagens que simplificam demasiadamente a sua interpretação;

    2. É inegável a contribuição do Dr. Ekman para o campo da interpretação dos gestos e expressões faciais para análise da mentira. No entanto, muito do seu conhecimento vem sendo apropriado de maneira incorreta. Então cuidado!

    3. A abordagem do Dr. Ekman prioriza o nível orgânico e filogenético de estabelecimento de comportamentos, o que é válido, mas não são as únicas formas de estabelecimento desses mesmos comportamentos. Então, estude bastante para entender como comportamentos semelhantes podem ser estabelecidos de formas diferentes!

    4. O comportamento humano obedece o princípio da equifinalidade, segundo o qual cadeias comportamentais diferentes (estabelecidas em processos e causadas por razões diferentes) podem apresentar o mesmo resultado. Então, nem todo mundo que coça o nariz é por que está mentindo!

    Aos poucos iremos postando esclarecimentos sobre como interpretar o comportamento não verbal com segurança.

    Saudações
    Sergio Senna

  2. Após um tempo de experiência e estudos na área da análise do comportamento não verbal, é possível notar alguns estudos (a favor ou contestando certas teorias e hipóteses) são produzidos por vaidade.

    É muito importante saber notar isso, quando existem afirmações exageradas, como por exemplo a afirmação de que já foi provado que existem emoções básicas universais.

    Encontra-se isso por aí na literatura disponível. No entanto, isso não é totalmente verdade. O que se demonstrou até o momento é que existe um padrão para o reconhecimento de emoções e também para a sua expressão na face.

    Provar que tudo isso é universal e inato é muito diferente. Imagina a dificuldade metodológica para realizar tal proeza.

    Outro alerta que faço é sobre a disputa ideológica e científica nessa área. Tem gente atirando para todo lado, cada um querendo criar um “sistema” diferente para o reconhecimento da mentira, de emoções etc (e vendê-lo, é claro).

    Então, não é aconselhável que alguém se envolva demasiadamente com essas disputas. É necessário estudar bastante, ser perspicaz e estar alerta para os exageros.

    o comportamento humano é bem complexo. Quando alguém tenta simplificar demais, dizendo que tem receita, padrões rígidos, normalmente existirão diversos problemas caso analisemos essas propostas com bastante cuidado.

    No entanto, os indicadores não verbais são muito produtivos e venho observando e analisando o comportamento não verbal há muitos anos com pleno êxito. Trabalho em meio a negociações muito importantes no meio político (que é um ambiente bastante interessante para aplicar esses conhecimentos) e posso assegurar que funciona se o analista for sensato, inteligente e conhecer as técnicas.

    Não dá para ler os livros de auto-ajuda e sair interpretando o comportamento alheio, como alguns fazem.

    Sergio Senna

  3. Muitas pessoas confundem reconhecer os indicadores não verbais com a sua interpretação.

    RECONHECER é ver a ocorrência de determinado indicador;

    ANALISAR é contextualizar o que foi visto a partir de um referencial que dá sentido àquilo que percebemos.

    Para isso não precisamos ser psicólogos, mas sim termos conhecimento sobre como interpretar esses indicadores.

    Esse é o trabalho que faço, ensinando as pessoas como analisar os indicadores não verbais.

    O primeiro passo para isso é aprender a reconhecê-los. Muita gente pára aí.

    Utilizar uma lista de indicadores e achar que, por exemplo, cada vez que alguém passa a mão no nariz ela está mentindo é a melhor maneira de cometer erros que custarão caro.

    É isso que anda aí pela literatura de auto-ajuda na área de linguagem corporal. Puras listas de indicadores…..

  4. Excelente artigo Sr. Sérgio!

    Para falar a verdade, com o pouco que sei de linguagem corporal e que aprendo a cada dia tem me ajudado muito na vida em todas as áreas, principalmente na vida amorosa. Quem diria que apenas mudar a maneira de andar iria fazer toda o público feminino da praça olhar para mim rsrsrsrs.

    No começo achei que era bobagem e misticismo, mas depois que passei a estudar a sério e a ver que as coisas fazem sentido, fiquei tão fascinado que quero virar especialista na área.

    E também já presenciei muitos artigos na internet sem base científica alguma e infelizmente os livros brasileiros sobre o tema são bem escassos. Mas esse site é rico em informações.

    Parabéns pelo site e pelo artigo!

    • Prezado Thiago, muito obrigado.

      Minha intenção principal é trazer conhecimento científico às pessoas, de forma simples e precisa.

      Siga colaborando conosco para fortalecermos essa iniciativa!

      um abraço
      Sergio Senna

  5. Muito obrigado pela resposta Dr.Sergio.Acredito que eu não tenha essa percepção natural da linguagem corporal,mas pelo menos tenho a paciência necessária para estuda-la.

  6. Quando você fez a pergunta Pedro, fiquei com vontade de escrever outro artigo intitulado: 5 passos para ser um especialista em linguagem corporal….

    Com o aumento do interesse das pessoas pelo assunto, muita gente virou “especialista” da noite para o dia.

    Então, o primeiro aspecto a ser considerado é:

    Ninguém se torna especialista em alguma coisa da noite para o dia!

    Com a linguagem corporal não é diferente. O que ocorre, é que algumas pessoas, por conta de sua história de vida, já têm uma percepção “natural” da linguagem corporal. Esse será o nosso assunto de amanhã.

    É preciso, além de uma percepção apurada, esforço para ANALISAR e não só reconhecer os indicadores não verbais.

    Esse processo Pedro, leva tempo, assim como levamos certo tempo para interpretarmos textos, ou a fala de alguém.

    Se engana quem pensa que com a linguagem corporal é diferente!

    Então lembre-se – 1º Passo para tornar-se um especialista em linguagem corporal: Paciência

    Um abraço
    Sergio Senna

  7. Olá, Dr. Sérgio,
     
    Gostaria de saber se a PNL (Programação Neurolinguística) e a Linguagem Corporal fazem parte da mesma ciência, se Programação Neurolinguísca for considerada ciência. Qual é o caminho dentro do curso de Psicologia que leva se tornar um especialista nessa área.
     
    Abraço,
    Jônatas

    • Prezado Jônatas, obrigado pela sua pergunta.

      As abordagens científicas que estudam a linguagem corporal não têm uma relação direta com a Programação Neurolinguística (PNL).
      No entanto, diversos de meus alunos são estudiosos da PNL e dizem que o conteúdo que ensino é bastante útil para eles.

      O que ministro em meus cursos é uma versão prática dos achados que são comunicados em estudos científicos. Não trabalho apenas com a abordagem do Dr. Ekman, mas também de técnicas ensinadas por David Matsunoto, Aldert Vrij entre outros.

      Como especialista na análise da comunicação não verbal, não utilizo técnicas de PNL. Sob o ponto de vista acadêmico, ainda não há cursos de especialização no Brasil. Para estudar esse assunto em nível acadêmico, você somente encontrará cursos nos EUA e na Inglaterra.

      Prossiga participando do nosso portal.
      saudações
      Sergio Senna

    • Olá, Dr. Sérgio,
       
      A respeito dos estudiosos que tu citaste, há como conseguir abros deles para leitura aqui no Brasil?
       
      Desde já, agradeço,
      Jônatas

  8. Olá Sergio,

    gostei muito, tanto deste, como dos outros artigos. A linguagem corporal é fascinante e depois que se começa a percebe-lá é impossivel deixar de reparar nisso.
    Despertei meu interesse na área a pouco tempo e não conheço uma bibliografia confiável para me aprofundar no assunto. Por isso deixo minha sugestão de um artigo com os especialistas na área e suas obras.
    Grato,
    Felipe.

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