Defesa pessoal

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Existem muitas artes marciais, cada qual com vários professores, que por sua vez podem ensinar defesa pessoal de diferentes maneiras.

A maioria destes ensinamentos se baseiam em situações ideais, com adversário cooperando com a aplicação das técnicas. Poucas escolas ensinam em situações próximas a realidade, nos “piores cenários possíveis”.

 

O primeiro ponto, se baseia em no fato que uma defesa pessoal efetiva deve trabalhar o controle emocional, aprendendo a dominar a si mesmo e ao adversário, controlando o medo e aprendendo a utilizá-lo a seu favor. O medo pode se transformar em paralisia ou descontrole das suas ações que se reflete em ataques mal executados ou incoerentes.

O lutador deve manipular o medo,transformando-o em agressividade, que se reflete diretamente na sua capacidade de sobreviver a situação de perigo.

O treinamento no “pior cenário possível” se baseia em combates com contato pleno (valendo nocautear o adversário), sem regras limitantes, mas com a utilização de equipamento adequado para preservar a integridade física dos alunos, estudando situações de violência e oferecendo respostas rápidas e eficazes, treinando a formação de um lutador completo, no combate desarmado e armado, contra um ou múltiplos adversários.

 

O segundo ponto importante é o treinamento constante, que trabalha a memória muscular e as qualidades físicas necessárias para diminuir o tempo entre o pensar e o agir, automatizando as respostas, evitando perdas de tempo que podem ser fatais. Neste contexto podemos ressaltar os conceitos e as qualidades físicas fundamentais:

 

Conceitos

 

Explosão – é a capacidade de acelerar o movimento dificultando a defesa de seu adversário

 

Fluidez – é a continuidade dos movimentos em um encadeamento que se molda e/ou adapta-se ao adversário.

 

Timing – é a capacidade de enxergar o momento certo para aplicação de uma técnica, seja de ataque ou de defesa.

 

Precisão – é a capacidade de colocar o golpe no ponto visado, na distância correta, obtendo o máximo de dano no adversário.

 

Qualidades Físicas

 

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Velocidade – É a capacidade de execução de uma sucessão rápida de golpes que, em seu encadeamento, constituem numa só e mesma ação, de uma intensidade máxima e de duração breve ou muito breve. Pode ser de 3 tipos:

 

  1. velocidade de reação
  2. velocidade de deslocamento
  3. velocidade dos membros

 

Resistência – É a qualidade física que permite um esforço proveniente de exercícios prolongados, durante um determinado tempo. Há 3 tipos :

 

Resistência aeróbia – é definida como sendo uma qualidade física que permite a um atleta sustentar por um período longo de tempo uma atividade física relativamente generalizada em condições aeróbicas, isto é, nos limites do equilíbrio fisiológico denominado “steady-state”.

 

“Steady State”- Sustentar por um período longo uma atividade nos limites do equilíbrio de oxigênio. O desenvolvimento da capacidade aeróbica de um indivíduo provoca desenvolvimento da capacidade funcional do coração; aumento da capacidade muscular de queimar açúcares e gorduras; melhoria no transporte de oxigênio; aumento do coração; aumento dos glóbulos vermelhos (número); redução da massa corporal e redução da FC de repouso.

 

Resistência anaeróbia – Permite ao atleta sustentar a atividade em débito de oxigênio. A principal variável é o tempo. O objetivo é resistir a uma solicitação superior ao “Steady-State”, mantendo a velocidade e o ritmo apesar do crescente débito de oxigênio. Provoca fadiga bioquímica e neuro-muscular.

 

Resistência muscular localizada – Permite ao atleta realizar num tempo maior possível a repetição de um movimento com a mesma eficiência. Permite a continuação do esforço tanto em condições aeróbicas quanto anaeróbicas. Depende da duração do esforço para determinados grupos musculares. Provoca fadiga periférica (circulatória e motriz) e também fadiga nervosa.

 

Flexibilidade – É a qualidade física que condiciona a capacidade funcional das articulações a movimentarem-se dentro dos limites ideais de determinadas ações. É a amplitude de movimento. Depende da mobilidade articular e elasticidade muscular. O sexo feminino e as crianças são mais flexíveis. É uma característica corporal pessoal. Deve ser treinada em sessões freqüentes e com aquecimento prévio.

 

Agilidade – É a qualidade física que permite mudar a direção do corpo no menor tempo possível. Conhecida como velocidade de “troca de direção”. Para a agilidade, a flexibilidade é importante.

 

Força – É a qualidade física que permite um músculo ou grupo de músculos produzir tensão e vencer uma resistência na ação de empurrar, tracionar ou elevar. Pode ser de 3 tipos:

 

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Força Dinâmica;

 

Força Estática;

 

Força Explosiva.

 

Coordenação motora – É a qualidade física que permite ao homem assumir a consciência e a execução, levando-o a integração progressiva de aquisições, favorecendo-o a uma ação ótima dos diversos grupos musculares na seqüência de movimentos com um máximo de eficiência e economia.

 

Rítmo – É a qualidade física explicada por um encadeamento de tempo, dinâmico-energético, uma mudança de tensão e repouso, enfim, uma variação regular de repetições periódicas. A sensibilidade ao ritmo é importante para novas performances. Lembrar que cada pessoa possui um ritmo diário próprio que deve ser levado em consideração na preparação do treinamento.

 

Equilíbrio – É a qualidade física conseguida por uma combinação de ações musculares com o propósito de assumir e sustentar o corpo sobre uma base, contra a lei da gravidade. Pode ser de 3 tipos:

 

Equilíbrio dinâmico

 

Equilíbrio estático

 

Equilíbrio recuperado

 

Descontração – É a qualidade física compreendida como um fenômeno neuromuscular resultante de uma redução de tensão na musculatura esquelética. Pode ser de dois tipos:

 

Descontração total – treinadas em processos psicológicos.

 

Descontração diferencial – os grupos musculares não exigidos durante uma atividade devem relaxar (economia energética).

 

O terceiro ponto importante é o estudo da técnica. As artes marciais tem centenas de técnicas diferentes, cada qual deve ser aplicada no momento correto, levando em consideração o tipo de ameaça que devemos enfrentar.

Existem diversas limitações para aplicação de uma técnica, como falta de espaço, número de adversários envolvidos, tipo de terreno, etc.

O lutador deve aprender a controlar as variáveis e escolher a melhor técnica.

 

O último ponto é a avaliação correta da situação como um todo. Reações não devem ser executadas sem considerar se vale a pena ou não sua execução. Reagir por reagir é uma atitude temerária. O ponto principal é a intenção do seu adversário.

Em uma situação de roubo, o marginal pode apenas querer o seu dinheiro, não sendo aconselhável a reação, porém, se a intenção do marginal é tirar sua vida, não há mais escolhas, a reação é imprescindível.

 

Ricardo Nakayama – Colaborador do Portal

 

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Como citar este artigo:

Formato Documento Eletrônico (ABNT)

. Defesa pessoal. Instituto Brasileiro de Linguagem Corporal. Disponível em < https://ibralc.com.br/defesa-pessoal/> . Acesso em 3 Dec 2016.

Formato Documento Eletrônico (APA)

. (). Defesa pessoal. Instituto Brasileiro de Linguagem Corporal. Recuperado em 3 Dec 2016, de https://ibralc.com.br/defesa-pessoal/.

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É especialista em segurança e defesa pessoal com grande reconhecimento, sendo constantemente chamado para prestar consultoria aos mais destacados orgãos de imprensa da América Latina. Ministra aulas desde 1984, exercendo durante 10 anos a coordenação técnica na área de defesa pessoal na maior empresa de segurança do Brasil, tendo treinado mais de 50.000 alunos.

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One Comment

  1. Muito interessante o texto.
    O desenvolvimento do equilíbrio e controle emocional é algo raro hoje em dia. Na maioria das academias vemos alunos sem disciplina e que só se focam no aspecto agressivoda arte marcial. Uma disciplina como essa não é apenas física, mas também mental. E essa parte psicológica não é atingida sem um conhecimento filosófico da arte marcial.

    Nesse sentido, acho que em geral o aikido é uma arte bem completa que enfatiza todos esses aspectos. Sou praticante a quase 4 anos e estou muito satisfeito com os resultados. Será isso tem relação com o fato de que o aikido ter sido uma das únicas artes marciais que não viraram esporte?

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