Dilma, expressões de aversão e o eleitor indeciso

Venho realizando a análise de expressões faciais dos candidatos à Presidência da República e, nesse artigo, irei tratar de Dilma Rousseff.

Antes, é necessário esclarecer que há uma técnica para selecionar o que interessa. Não importa apenas RECONHECER as expressões faciais e o gestual que ocorrem. O que adianta reconhecer que houve raiva se o adversário acabou de ofender? Não é esperado que qualquer um de nós sinta raiva ao ser atacado, ao falarem mentiras?

O que realmente importa são as expressões contraditórias ou as que possam eliciar, no eleitorado, algum tipo de reação emocional indesejada. Por essa razão, em cada postagem eu trato apenas de uma expressão e de um candidato. Nos artigos anteriores, que você pode ver listados abaixo, destaquei o duping delight, característico do candidato Aécio Neves e outros assuntos de interesse no campo da política:


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Nosso objetivo é refletir sobre os possíveis desdobramentos desses significativos elementos da linguagem corporal no ELEITORADO INDECISO. Tenho repetidamente destacado que o candidato que obtiver a menor rejeição entre o eleitorado indeciso  ganhará a eleição. Por essa razão estamos identificando e analisando expressões NEGATIVAS, que ganham uma importância significativa nesse contexto, como as de aversão.

 

Expressões de aversão e falta de paciência são importantes?

Todos nós, adultos,  já passamos por alguma situação em que nos deparamos com uma pessoa que demonstra falta de paciência. Recentemente, em viagem aos Estados Unidos, uma vendedora me agradeceu por ter tido paciência com ela (e ela estava mesmo preocupada. Pasmem vocês!) enquanto procurava um item.

Nossa reação à falta de paciência pode envolver raiva, tristeza e não raras vezes MEDO. É comum observar a reação das crianças em relação à falta de paciência dos pais. Ficam acuadas, tristes e, geralmente, amedrontadas. Veja a foto ao lado e procure sentir qual a primeira emoção consciente que surge em você.

Isso ocorre durante toda a nossa vida. Nesse contexto, é esperado que essas expressões sejam muito aversivas para todos nós. Ao observar essas reações, muitos de nós podemos experimentar a evocação dessas emoções negativas, incluindo as que sentíamos na infância.

No contexto eleitoral, esse display pode ser muito prejudicial. Vale alertar que há de se considerar que os correligionários não respondem emocionalmente da mesma forma que o eleitorado indeciso. Quem já escolheu um lado pode sentir alegria com as expressões de desprezo e enfado do candidato de sua preferência. Já o eleitor indeciso tende a sentir AVERSÃO por esse comportamento.

 

Dilma e as expressões de enfado e desprezo nos debates

Dentre as diversas expressões faciais  que podem ser observadas em Dilma Rousseff, a que me parece mais significativa é o enfado acompanhado por expressões de aversão e desprezo. A frequência dessas expressões é bem elevada. Outro elemento é que, em sua maioria, são macroexpressões e gestual que pode ser observado com muita facilidade, diferentemente do duping delight que comentamos nas postagens sobre Aécio Neves, muitos na ordem das microexpressões (rápidas expressões faciais).

Observem as fotografias:

 

Possíveis efeitos das expressões de desprezo e de enfado no eleitorado indeciso

Semelhantemente ao que apresentei nas postagens sobre o candidato Aécio Neves, o meu objetivo aqui é mostrar que esse tipo de equívoco primário (desnudar expressões faciais de emoções negativas, como aversão, em contexto eleitoral) pode prejudicar significativamente a candidata Dilma Rousseff em relação ao voto dos eleitores indecisos pelos seguinte motivos:

  • Uma grande parte dos processos de identificação são emocionais, não passam pelas propostas, e sim pela empatia (ou antipatia);
  • Mostrar aversão e enfado causa empatia em quem compartilha dessa emoção em relação à Aécio Neves, mas não tem o mesmo efeito, necessariamente, no eleitor indeciso;
  • A dinâmica do componente emocional da atitude em relação ao candidato funciona inversamente. O indeciso tende a sentir aversão da aversão, tendendo a aumentar a rejeição subjetiva a Dilma.
Nunca é demais lembrar que existem 40 milhões de brasileiros que não compareceram às urnas e os 20 milhões que votaram em Marina. Essas pessoas, psicologicamente, tendem a não estar envolvidas pela polarização entre tucanos e petistas, podendo até sentir aversão aos ataques mútuos, muitos deles indo até o campo pessoal, o que agrava o quadro de identificação cruzada. Será esse contingente que definirá a eleição. O candidato que conseguir a menor rejeição entre os indecisos ganhará a eleição.

 

Para quem já escolheu um lado é difícil perceber esses detalhes. Os correligionários do Partido dos Trabalhadores e simpatizantes podem até mesmo sentir alegria com as repetidas expressões de enfado, aversão e desprezo de Dilma.

Dessa forma, o candidato que gerar menos AVERSÃO no ELEITORADO INDECISO  terá vantagem no dia da eleição.

 

As expressões de desprezo de Aécio e Dilma são semelhantes e causam o mesmo efeito nos indecisos?

Nos artigos sobre as expressões de Aécio Neves expliqui o duping delight, que é uma satisfação quando alguém vê uma estratégia sua funcionando, não necessariamente relacionada ao engano, apesar do nome, em Língua Inglesa, sugerir isso.

Essa falta de paciência frequente em explicar com cuidado pode ser entendida pelo espectador como uma falta de respeito ao eleitor e não ao candidato adversário, o que seria até compreensível e esperado de ambos os lados tendo em vista os furiosos ataques mútuos que marcaram a campanha até aqui.

Dilma também mostra expressões de desprezo em frequência elevada associadas a expressões faciais e gestual que indicam falta de paciência. Nesse contexto, as emoções que podem ser eliciadas no eleitorado a partir da observação são qualitativamente diferentes das eliciadas pelo duping delight de Aécio Neves, apesar de terem uma origem comum.

O Desprezo de Aécio é sarcástico, pode indicar um sentimento de soberba e narcisismo, que o sorriso acompanhado do deslocamento lateral da boca significa em nossa cultura. Já o desprezo mostrado pela Presidente Dilma Rousseff não tem esse elemento. É desprezo puro e simples, acompanhado sim de demonstrações intensas de impaciência, o que penso ser MUITO SIGNIFICATIVO.

Essa falta de paciência frequente em explicar detalhadamente o tema em pauta pode ser entendida pelo eleitor como uma falta de respeito a ele e não ao candidato adversário, o que seria até compreensível e esperado de ambos os lados tendo em vista os furiosos ataques mútuos que marcaram a campanha até aqui.

O eleitor indeciso pode sentir-se desrespeitado pois, afinal, cada candidato tem que responder as perguntas à exaustão, é sua OBRIGAÇÃO  para com o eleitor.

Nesse intrincado contexto emocional e fortemente subjetivo, existe um elemento que pode contar a favor de Dilma. Nos últimos quatro anos vimos inúmeras expressões de enfado da Presidente Dilma e, ao sermos expostos a essas expressões, podemos ter nos dessensibilizado a elas. Afinal, já estamos acostumados.   Vejam as fotos a seguir:

 

 

Semelhantemente ao que recomendei ao outro candidato, é imperativo que a cadidata Dilma Rousseff reduza as expressões de enfado e desprezo e que sua assessoria esteja alerta quanto a esse erro primário e que pode afetar decisivamente ao comportamento do eleitorado indeciso.

Grato pela sua atenção

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Sergio Senna


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Como citar este artigo:

Formato Documento Eletrônico (ABNT)

PIRES, Sergio Fernandes Senna. Dilma, expressões de aversão e o eleitor indeciso. Instituto Brasileiro de Linguagem Corporal. Disponível em < https://ibralc.com.br/dilma-falta-de-paciencia-e-o-eleitor-indeciso/> . Acesso em 3 Dec 2016.

Formato Documento Eletrônico (APA)

Pires, Sergio Fernandes Senna. (2014). Dilma, expressões de aversão e o eleitor indeciso. Instituto Brasileiro de Linguagem Corporal. Recuperado em 3 Dec 2016, de https://ibralc.com.br/dilma-falta-de-paciencia-e-o-eleitor-indeciso/.

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Sergio Senna
Psicólogo, doutor em psicologia (UnB), possui diversas especializações na área de educação, segurança e políticas públicas. Tem larga experiência acadêmica e profissional na interpretação da linguagem corporal, presta assessoria institucional no Congresso Nacional e desenvolve trabalhos acadêmicos nas temáticas da análise da mentira e da linguagem corporal. Veja o currículo completo aqui!
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