Seria realmente um apelo emocional?

Seria realmente um apelo emocional? 

Diante do apelo, aparentemente muito emocionado, da mãe que teve a filha (April Jones) desaparecida, a mesma pedia para que a população ajudasse a encontrar sua filha (pode ler mais sobre o assunto clicando aqui).

Entretanto, olhando com um pouco mais de atenção o vídeo do pedido de ajuda, existe uma certa incoerência entre as palavras (afinal, é um discurso de uma mãe desesperada que perdeu sua filha, normalmente este tipo de fato desencadeia um processo de extrema dor e sofrimento), assistam ao vídeo abaixo:

Para um melhor entendimento do assunto, recomendamos que realmente assistam aos vídeos, os mesmos são curtos, e irão trazer um melhor entendimento sobre o assunto. Apesar de estar no idioma inglês, assistam e percebam bem as expressões faciais das vítimas.

Caso Coral Jones

Percebam que se analisarem apenas a parte superior da face, parece que a mesma esta apenas lendo um texto, o que é um pouco estranho para a situação, e ainda, poucas lágrimas e mão sempre escondendo a face são alguns indicativos de incoerência com o que era expresso verbalmente.

Observem agora, outros dois vídeos sobre um caso semelhante, em que a mãe (Erin Runnion) também teve a filha desaparecida:

Caso Erin Runnion

Mesmo com a imagem de baixa qualidade, é possível perceber a diferença na expressão facial dela. Existe ali uma genuína expressão de tristeza, sendo assim coerente com seu discurso, pois o fato realmente lhe traz tristeza.

Agora vejam que interessante este outro vídeo:

Entrevista Erin Runnion, falando sobre sua luta.

Observem que mesmo passado o caso, falando do engajamento dela nesta “missão” de evitar que novos crimes ocorram, como o que aconteceu com sua filha, a mesma ainda se emociona.

E qual a razão de se observar as emoções? 

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Diane Downs

Um investigador mais atento, observando tal fato, poderá manter aberta outras possibilidades além das mais evidentes.

Já aconteceram casos em que parentes das vítimas, mesmo após relatos “emocionados” diante da mídia, foram os verdadeiros culpados dos crimes, como por exemplo, podemos citar o caso da Diane Downs, que em 1983 chegou em um hospital no Estado do Oregon com os três filhos feridos a bala e dizendo ter sido atacada por um homem em uma estrada, sujeito este que seria o autor dos disparos. Porém sua falta de emoção em relação ao acontecido com as crianças chamou a atenção do detetive, que descobriu depois que ela é quem havia atirado nos próprios filhos. A história rendeu até um filme.

Outro caso foi o do marido (Michael White, Canadá – 2005) que foi na TV, “emocionado”, pedindo por ajuda, pois a esposa dele, grávida, havia sumido. No entanto, mais uma vez, suas emoções eram incongruentes com seu discurso verbal. Posteriormente descobriram que ele foi o responsável pelo assassinato da própria esposa.

Existem outros exemplos, entretanto, podemos perceber que esta estratégia dos mentirosos, de “posarem de vítimas”, muitas vezes é um tiro no próprio pé, principalmente hoje, com a qualidade de imagem, armazenamento e distribuição de mídia.

Desta forma, policiais com esta percepção das emoções, podem tirar um proveito melhor destes pedidos de ajuda. Não podemos afirmar que o caso Coral Jones seja uma farsa, entretanto, devemos ficar atentos à uma possível possibilidade de fraude. Com o desenrolar do caso, saberemos o desfecho, e se existiu de fato ou não algum envolvimento por parte da mãe.

Não podemos descartar outras possibilidades durante nossa análise, como o uso de calmantes ou alterações em seu estado psicológico (em choque com o caso, por exemplo), mas será que vale descartar uma possível pista em um caso que se possui ainda poucos indícios? Ainda mais vindo de uma fonte “aberta”, que foi o pedido de ajuda em rede de TV.

Portanto, mais uma vez, ressaltamos a importância do uso das expressões faciais na análise da segurança pública.

Até a próxima,

Edinaldo Oliveira


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Como citar este artigo:

Formato Documento Eletrônico (ABNT)

JUNIOR, Edinaldo Oliveira. Seria realmente um apelo emocional?. Instituto Brasileiro de Linguagem Corporal. Disponível em < https://ibralc.com.br/emocoes-incongruentes/> . Acesso em 4 Dec 2016.

Formato Documento Eletrônico (APA)

Junior, Edinaldo Oliveira. (2012). Seria realmente um apelo emocional?. Instituto Brasileiro de Linguagem Corporal. Recuperado em 4 Dec 2016, de https://ibralc.com.br/emocoes-incongruentes/.

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Edinaldo Oliveira

Graduado em ADMINISTRAÇÃO - GESTÃO DE NEGÓCIOS pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Caruaru/PE (2005) e Pós-Graduado em Engenharia de Software pela mesma faculdade, em 2010, além de graduado em Gestão da Tecnologia da Informação, pela ESTÁCIO, em 2014. Diletante do campo da psicologia, com foco no estudo da comunicação não verbal, especialmente no que se refere as expressões faciais, e como esta ferramenta pode ser aplicada em diversas áreas, a saber: segurança, defesa, educação, vendas, nas organizações e na saúde. Além disto, é amante da astronomia, astrofotografia e fotografia.
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