Entenda a Programação Neurolinguística

Programação Neurolinguística e comportamento

Muitos alunos perguntam a minha opinião sobre os princípios utilizados pela Programação Neurolinguística e sobre suas bases científicas para a análise do comportamento não verbal. Em função disso, resolvi escrever alguns artigos em que proporei uma breve reflexão sobre a origem desses princípios, sobre a sua difusão e sobre seu uso na análise do comportamento não verbal. Como ilustrado pelo diagrama ao lado, a Programação Neurolinguística é difundida com ênfase nos supostos resultados que alguém pode atingir a partir de suas técnicas. Geralmente, as pessoas que estudam o comportamento não verbal iniciam sua caminhada pela programação neurolinguística tal é a quantidade de material (livros, CDs, áudio, video-aulas etc) disponível para essa aprendizagem.  

Depois de um tempo, elas percebem que os textos, áudios e vídeos se referem a “estudos científicos” e “pesquisas” sem citá-los explicitamente. Além disso, experimentam a frustração de que as técnicas não funcionam sempre como foram ensinadas (sobre isso, encontrei várias explicações dos professores de PNL). Os mais perspicazes acabam por desconfiar sobre a origem supostamente científica desse conhecimento e começam a buscar respostas.
  Nessa breve série de artigos, pretendo articular informações científicas que poderão ajudar os nossos leitores a refletirem e a tomarem uma posição em relação à Programação Neurolinguística. Meu objetivo não é convencê-lo acerca das minhas opiniões, mas sim expor estudos científicos. Carl Sagan certa vez disse:  
“Não é possível convencer um crente de coisa alguma, pois suas crenças não se baseiam em evidências; baseiam-se numa profunda necessidade de acreditar. You can’t convince a believer of anything; for their belief is not based on evidence, it’s based on a deep seated need to believe” Carl Sagan
  Se esse é o seu caso, o que escrevo em seguida não lhe será útil. Passe adiante, feche a janela de seu browser e seja feliz!  
Entretanto, na hipótese de você querer mais informação sobre a PNL, saiba que elaboro esses textos alimentando a convicção de que é um direito das pessoas terem acesso às controvérsias sobre os princípios ensinados pela programação neurolinguística. O que, obviamente, não será divulgado pelos seus professores.
  Além disso, gostaria de ressaltar que não vejo problema na difusão de conhecimento que não seja científico. Entretanto, a propaganda da Programação Neurolinguística se dá, em grande parte, em meio à citação de: – estudos científicos comprovam… – pesquisas revelam…. – nomes famosos como Noam Chomsky, por exemplo, cujas teorias dariam suporte à parte linguística da PNL.   Sempre me perguntei: que estudos seriam esses? E nunca os encontrei “em grande profusão”, como afirmam existirem aqueles que lucram com a Programação Neurolinguística a partir da boa fé de pessoas incautas e sem uma formação científica mais sólida…… Pelo contrário, a profusão é de estudos que contradizem as tão propagadas “mágicas”.  
Informo que, no IBRALC, não utilizamos os princípios da Programação Neurolinguística para ensinar a interpretação do comportamento não verbal.
  A série abrangerá os os seguintes tópicos: 1. Breve histórico da PNL (presente artigo); 2. Suposições fundamentais da Programação Neurolinguística; 3. Principais questionamentos científicos à PNL; 4. Inferências sobre os processos cognitivos a partir da posição do olhar.

Breve histórico da Programação Neurolinguística

As primeiras idéias sobre PNL surgiram quando Richard Bandler (foto ao lado), um estudante da Universidade da Califórnia, Santa Cruz, estava ouvindo e selecionando trechos de sessões de terapia. À época, Bandler afirmava ter reconhecido palavras singulares e estruturas linguísticas que teriam facilitado a aceitação das sugestões terapêuticas. Bandler, então, se aproximou de John Grinder, professor de linguística, e elaboraram suas idéias a partir da observação de modelos terapêuticos para produzir, com a colaboração de Milton Erickson, o que hoje conhecemos como Programação Neurolinguística. O meta-modelo da PNL foi apresentado em 1975 em dois volumes: – A Estrutura da Magia I: um livro sobre linguagem e terapia; e – A Estrutura da Mágia II: um livro sobre comunicação e mudança. Nesses volumes os autores expressaram sua convicção de que a “magia” terapêutica  possuía uma estrutura que poderia ser aprendida por qualquer pessoa a partir dos modelos apropriados. De acordo com Grinder, os aspectos linguísticos da programação neurolinguística foram parcialmente baseados em trabalhos de Noam Chomsky. Desde os anos 80, Bandler e Grinder não trabalharam mais juntos. A partir daí, Bandler criou diversos “produtos” sobre os quais afirma serem diferentes da Programação Neurolinguística. Hoje, a PNL diz ser a essência de muitas abordagens para a comunicação e para a mudança. Foi popularizada por Anthony Robbins, John Bradshaw e outros. Desde então, os princípios da PNL se inseriram nos treinamentos de vendas, seminários sobre comunicação, salas de aula e conversas sem que as pessoas sequer estejam inteiradas do que realmente se trata. Seus próprios seguidores alegam a desvirtuação dos princípios por parte de “maus profissionais” (seriam estes picaretas e aproveitadores?). Entretanto, considerando uma abordagem onde as palavras “mágica”, “magia” entre outras são utilizadas desde de a sua fundação e os seus resultados são anunciados como tão revolucionários quanto sua “mágica” fica difícil acreditar em algo mais consistente e científico se os próprios idealizadores tratam sua criação dessa forma….. Como, então, diferenciar quem é picareta ao ensinar a programação neurolinguística de quem não é, em um contexto de tanta controvérsia sobre seus fundamentos científicos?   

Minha experiência como psicólogo e os anos de estudo que venho dedicando a entender os processos psicológicos me indicam que o argumento que defende a mistura de muitas abordagens (referenciais teóricos)  é geralmente falacioso e oculta outros interesses em seu bojo.
  Em termos científicos, uma teoria é um conjunto de elementos conceituais que serve como referencial interpretativo para o(s) fenômeno(s). É um locus de inteligibilidade. As teorias nos dão condições para explicarmos o porquê, o como e quando as coisas acontecem. Como o entendimento humano é geralmente fragmentado, uma teoria faz sentido dentro de sua própria lógica de elaboração, do seu enquadramento teórico (framework) e a partir de seus pressupostos. Esse é o motivo que me leva a desconfiar de pessoas que se dizem capazes de articular “partes” de várias teorias, pois quase nunca essas partes são compatíveis entre si fora do seu próprio referencial. Em termos de análise do comportamento humano, é difícílimo dominar com bastante competência uma ou duas teorias (é possível “conhecer” superficialmente algumas), imagine articular partes de várias teorias (acrescente-se a isso um certo descaso com a sua comprovação)….. Em minha opinião, essa é uma tarefa cujo ser humano capaz de realizá-la ainda está por nascer. Além de tudo isso, me parece que o método indutivo foi utilizado pelos formuladores da Programação Neurolinguística para chegar aos seus princípios gerais. Esse método introduz muitos problemas na elaboração de conteúdo científico. Para maiores esclarecimentos sobre isso, consulte um bom livro de iniciação científica, pois esse é um debate conhecido desde o início da Idade Moderna.

 

Suposições sobre o comportamento não verbal introduzidas pela PNL

Os criadores da Programação Neurolinguística  reuniram um conjunto de técnicas que, segundo alegam, visam a melhorar o desempenho humano em diversas situações.  

Seu foco principal localizou-se na difusão de aplicações práticas e não na demonstração teórica acerca do que estavam propondo. Durante quase quarenta anos, a maior parte dos estudos científicos não conseguiu comprovar, senão desmentir ou lançar dúvidas sobre os pressupostos da PNL.
  Alguns estudos que questionam pressupostos importantes da PNL foram bastante abrangentes, como o realizado pelo Conselho Nacional de Pesquisas dos EUA e intitulado In the Mind’s Eye: Enhancing Human Performance (veja a lista de referências abaixo). No que interessa à análise do comportamento não verbal, abordaremos dois aspectos centrais da PNL (pois os demais estão fora do nosso escopo de interesse) e que sempre rondam as nossas aulas: – Sistema de Representação Preferencial ou Primário – segundo o qual os criadores da Programação Neurolinguística sugerem que cada pessoa tem uma preferência por um dos três sentidos primários: visual, auditivo ou cinestésico; – A movimentação dos olhos como indicador do sistema representacional primário da pessoa e sua relação com a verdade e a mentira.   Em termos científicos, é necessário que o autor de alguma teoria a demonstre. Ela não é imediata e automaticamente aceita apenas pela sua formulação.   Na caixa abaixo, veja o conteúdo da Wikipedia sobre algumas questões científicas em relação à Programação Neurolinguística.

[wikibox]neuro-linguistic programming and science[/wikibox]

 

A seguir, deixo uma lista de links para estudos científicos relevantes (acerca dos quais indico a leitura cuidadosa), que também servem de referências para o que expus aqui. A totalidade deles provém de meios de divulgação científica reconhecidos e estão na Língua Inglesa, uma vez que não há disponibilidade desse conteúdo em nosso idioma. Nos próximos artigos explicarei alguns desses estudos.

Referências

  Ficamos por aqui e acompanhe os demais artigos da série. Saudações Sergio Senna


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Como citar este artigo:

Formato Documento Eletrônico (ABNT)

PIRES, Sergio Fernandes Senna. Entenda a Programação Neurolinguística. Instituto Brasileiro de Linguagem Corporal. Disponível em < https://ibralc.com.br/entenda-programacao-neurolinguistica/> . Acesso em 2 Dec 2016.

Formato Documento Eletrônico (APA)

Pires, Sergio Fernandes Senna. (2012). Entenda a Programação Neurolinguística. Instituto Brasileiro de Linguagem Corporal. Recuperado em 2 Dec 2016, de https://ibralc.com.br/entenda-programacao-neurolinguistica/.

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Sergio Senna
Psicólogo, doutor em psicologia (UnB), possui diversas especializações na área de educação, segurança e políticas públicas. Tem larga experiência acadêmica e profissional na interpretação da linguagem corporal, presta assessoria institucional no Congresso Nacional e desenvolve trabalhos acadêmicos nas temáticas da análise da mentira e da linguagem corporal. Veja o currículo completo aqui!
Sergio Senna

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32 Comments

  1. É necessário ter muito cuidado com a identificação da mentira pelo movimento ocular. Embora muitos o utilizam e acabam diagnosticando erroneamente. A começar, muitos tem a ação de comportamento da programação ocular invertida. E muitos não induzem em um grupo gestual, outras características de sinais, que são os indicativos de possível mentira. Acredito que funciona sim, mas em meios termos, não é um sinal exato que se define o que é verdade e mentira! pode ser utilizado como um dentro de um contexto como indicador (sabendo qual é o seu padrão comportamental). Pode assim começar a perguntar uma questão que exija uma lembrança, e observar para onde os olhos se move, e depois questionar algo que exija uma construção de imagem. Lembrando também que nem sempre quando alguém move os olhos para o lado da construção de imagem está a mentir, ela pode estar a processar sua mente para poder construir, frases e falas que está expondo no momento. Então tudo depende de um grande contexto incutido com vários indicativos juntos de incongruência.

    • Prezado Bruno, obrigado pelo seu comentário.

      Como expliquei no artigo:

      http://ibralc.com.br/a-mentira/voce-identifica-mentira-pelo-movimento-dos-olhos/

      NÃO HÁ QUALQUER SUPORTE CIENTÍFICO para as afirmações da PNL sobre a mentira e o movimento dos olhos.

      Aliás, não há suporte científico para as afirmações da PNL em geral. No artigo citado, indico diversos estudos (há pelo menos o triplo) que mostram que não há a relação entre movimento dos olhos e a mentira propagada pela PNL.

      Como digo aos meus alunos, se alguém quer acreditar nisso, tudo bem, basta não ficar com a ilusão de que essas “receitas” têm suporte científico.

      Quem deseja acreditar em PNL, acredite, mas como se acredita em uma religião ou algo assim, pois a verdade nua e crua é que esse conjunto de conhecimentos foi criado mais para vender livros do que para apresentar resultados em si…..

      Não adianta dar um “jeitinho” tentando explicar alguma falha. Os estudos são claros….. esse negócio dos olhos é pura bobagem!

      Abraço
      Sergio Senna

  2. 3. Muitos professores de PNL não têm nenhuma formação científica

    Como alguém que não possui familiaridade (e acesso) ao conhecimento científico pode ensinar esse tipo de coisa?

    Então Mayke, minha opinião é que não se deve investir nisso se o argumento é que o conhecimento tem suporte científico. Entretanto, se entramos no mundo da crença (o que a PNL nunca fez), cada um acredita no que quiser…..

    Um dos nossos diferenciais no IBRALC é sermos PNL FREE. Não misturamos teorias, ensinamos conhecimento científico genuíno e mostramos claramente com as indicações em nossos textos. Os cursos também são assim.

    Um dos leitores, em comentário, argumentou que nada é só ruim ou só bom… (ele tentou defender a PNL). Esse é um argumento utilizado para induzir as pessoas a aceitarem o que vem antes ou depois. Todos concordam que dificilmente algo é só ruim ou só bom. Quando alguém usa esse tipo de peroração, eu já fico desconfiado da idéia que desejam difundir……

    Concluo que será uma tarefa sua decidir se investe ou não em PNL. Conte com o IBRALC e sua equipe para ajudá-lo a obter informações verificáveis para tomar a sua decisão. Levamos esse propósito muito a sério, basta você ver a extensão da resposta que produzi para ajudá-lo em seu processo decisório.

    Um abraço
    Sergio Senna

  3. 2. A maior parte das propagandas da PNL destaca o seu compromisso com o conhecimento científico

    . Muitos livros trazem extensas bibliografias ao final, sem mostrar, durante o texto, qual estudo embasa qual afirmação.

    Esse é outro péssimo indicador. Para mim, quem faz isso, deseja passar uma idéia de confiabilidade, sabendo que as pessoas não vão (e não querem) conferir a origem daquele conhecimento. Colocar todas as referências lá no final atinge dois objetivos:

    a. passar uma idéia que o conhecimento descrito no livro é verdadeiro e que o autor entende de ciência;
    b. ajuda a vender o material, sem a necessidade (e o trabalho) de expor-se aos dilemas de defender uma tese.

    É como Power Balance. Quando universidades estudaram a pulseira e disseram que não trazia benefícios, a empresa mudou a estratégia de marketing, afirmando que acreditava quem queria…… Fácil, não?

    Com a PNL é semelhante, um leitor deixou um comentário dizendo que a PNL funciona na vida dele. Não vejo nada de errado nisso, pois tem gente que diz que Buda cura, Jesus cura, Maria cura e ninguém fica duvidando da fé das pessoas.

    O errado não é acreditar em algo, e sim dizer que isso tem comprovação científica (com um intuito meramente mercadológico).

    Um aspecto que precisa ficar muito bem esclarecido é que você pode ter duas teorias que afirmam algo separadamente. Quando você as junta, não significa que esses mesmos pressupostos que separadamente haviam sido comporvados continuem valendo nesse terceiro referencial teórico. A PNL faz isso o tempo todo!

    Para mim, esse é um péssimo indicador de confiabilidade.

  4. 1. Mistura de referenciais teóricos

    que podem não se articular tão facilmente quanto é dito (por isso quem fez iniciação científica 1.0 fica com pé atrás de qualquer um que diz ter articulado referenciais diferentes).

    Um exemplo disso é o Sistema de Representação Primária ou Preferencial e sua suposta relação com a direção que olhamos. Isso é uma mistura de neuroanatomia e lateralidade, sem qualquer compromisso em comprovar a possibilidade disso realmente existir.

    A lateralidade vale para o cortéx motor, descoberta feita pelo Dr. Roger Spery, e que lhe valeu o Prêmio Nobel. Expandir isso para outros campos não é tão simples assim como relacionar o movimento muscular dos olhos com áreas em que se localizam algumas funções do cérebro.

    É óbvio que não é esperado que as pessoas saibam disso, pois nossa formação básica (Ensino Fundamental e Médio) não trata disso.

    Então, essa mistura descuidada, geralmente não é nada promissora!

  5. Minha resposta:

    Prezado Mayke, obrigado pela sua participação.

    Sua pergunta é muito importante e me dá ocasião para explicar por que posto esclarecimentos sobre PNL e também o motivos de anunciar que os nossos ensinos são livres da PNL.

    Em minha caminhada acadêmica, que você pode verificar que tem uma certa extensão, eu me deparei com todo tipo de conhecimento.
    Existe o conhecimento científico, aquele que é atestado por métodos de pesquisa e sobre o qual podemos ter relativa segurança. Existe também o conhecimento do senso comum, que não se invalida, necessariamente, por não estar respaldado por estudos científicos.
    isso quer dizer que aquela erva utilizada pelo Xamã para curar uma doença, pode realmente ter o poder de cura, ainda que não tenha sido estudada.
    Entretanto, utilizando o nosso exemplo, você não encontrará o xamã dizendo que “ESTUDOS CIENTÍFICOS COMPROVAM” o uso das ervas.

    Vejo três grandes problemas com qualquer conhecimento da PNL:

  6. Ótimo artigo, esclarecedor.
    Agora estou com uma dúvida que está me corroendo, gostaria de saber se a pnl é infundada nos demais aspectos, tais como as estruturas da comunicação verbal, o rapport…se tudo isso faz algum sentido do ponto de vista psicológico, se a pnl poderia ser uma ferramenta de comunicação, pelo menos verbalmente ou até nao-verbal através do rapport, de forma se tornar eficiente no que tange a persuasão, resumindo…
    Vale a pena ou nao estudar a pnl?

    • Prezado Mayke, obrigado pela sua participação.

       

      Sua pergunta é muito importante e me dá ocasião para explicar por que posto esclarecimentos sobre PNL e também o motivos de anunciar que os nossos ensinos são livres da PNL.

       

      Em minha caminhada acadêmica, que você pode verificar que tem uma certa extensão, eu me deparei com todo tipo de conhecimento.

      Existe o conhecimento científico, aquele que é atestado por métodos de pesquisa e sobre o qual podemos ter relativa segurança. Existe também o conhecimento do senso comum, que não se invalida, necessariamente, por não estar respaldado por estudos científicos.

      isso quer dizer que aquela erva utilizada pelo Xamã para curar uma doença, pode realmente ter o poder de cura, ainda que não tenha sido estudada.

      Entretanto, utilizando o nosso exemplo, você não encontrará o xamã dizendo que “ESTUDOS CIENTÍFICOS COMPROVAM” o uso das ervas.

       

      Vejo três grandes problemas com qualquer conhecimento da PNL:

      1.

      Mistura de referenciais teóricos

      que podem não se articular tão facilmente quanto é dito (por isso quem fez iniciação científica 1.0 fica com pé atrás de qualquer um que diz ter articulado referenciais diferentes).

      Um exemplo disso é o Sistema de Representação Primária ou Preferencial e sua suposta relação com a direção que olhamos. Isso é uma mistura de neuroanatomia e lateralidade, sem qualquer compromisso em comprovar a possibilidade disso realmente existir.

      A lateralidade vale para o cortéx motor, descoberta feita pelo Dr. Roger Spery, e que lhe valeu o Prêmio Nobel. Expandir isso para outros campos não é tão simples assim como relacionar o movimento muscular dos olhos com áreas em que se localizam algumas funções do cérebro.

      É óbvio que não é esperado que as pessoas saibam disso, pois nossa formação básica (Ensino Fundamental e Médio) não trata disso.

      Então, essa mistura descuidada, geralmente não é nada promissora!

       

      2.

      A maior parte das propagandas da PNL destaca o seu compromisso com o conhecimento científico

      . Muitos livros trazem extensas bibliografias ao final, sem mostrar, durante o texto, qual estudo embasa qual afirmação.

       

      Esse é outro péssimo indicador. Para mim, quem faz isso, deseja passar uma idéia de confiabilidade, sabendo que as pessoas não vão (e não querem) conferir a origem daquele conhecimento. Colocar todas as referências lá no final atinge dois objetivos:

       

      a. passar uma idéia que o conhecimento descrito no livro é verdadeiro e que o autor entende de ciência;
      b. ajuda a vender o material, sem a necessidade (e o trabalho) de expor-se aos dilemas de defender uma tese.

       

      É como Power Balance. Quando universidades estudaram a pulseira e disseram que não trazia benefícios, a empresa mudou a estratégia de marketing, afirmando que acreditava quem queria…… Fácil, não?

      Com a PNL é semelhante, um leitor deixou um comentário dizendo que a PNL funciona na vida dele. Não vejo nada de errado nisso, pois tem gente que diz que Buda cura, Jesus cura, Maria cura e ninguém fica duvidando da fé das pessoas.

      O errado não é acreditar em algo, e sim dizer que isso tem comprovação científica (com um intuito meramente mercadológico).

      Um aspecto que precisa ficar muito bem esclarecido é que você pode ter duas teorias que afirmam algo separadamente. Quando você as junta, não significa que esses mesmos pressupostos que separadamente haviam sido comporvados continuem valendo nesse terceiro referencial teórico. A PNL faz isso o tempo todo!

      Para mim, esse é um péssimo indicador de confiabilidade.

       

      3.

      Muitos professores de PNL não têm nenhuma formação científica

      . Como alguém que não possui familiaridade (e acesso) ao conhecimento científico pode ensinar esse tipo de coisa?

      Então Mayke, minha opinião é que não se deve investir nisso se o argumento é que o conhecimento tem suporte científico. Entretanto, se entramos no mundo da crença (o que a PNL nunca fez), cada um acredita no que quiser…..

      Um dos nossos diferenciais no IBRALC é sermos PNL FREE. Não misturamos teorias, ensinamos conhecimento científico genuíno e mostramos claramente com as indicações em nossos textos. Os cursos também são assim.

      Um dos leitores, em comentário, argumentou que nada é só ruim ou só bom… (ele tentou defender a PNL). Esse é um argumento utilizado para induzir as pessoas a aceitarem o que vem antes ou depois. Todos concordam que dificilmente algo é só ruim ou só bom. Quando alguém usa esse tipo de peroração, eu já fico desconfiado da idéia que desejam difundir……

      Concluo que será uma tarefa sua decidir se investe ou não em PNL. Conte com o IBRALC e sua equipe para ajudá-lo a obter informações verificáveis para tomar a sua decisão. Levamos esse propósito muito a sério, basta você ver a extensão da resposta que produzi para ajudá-lo em seu processo decisório.

      Um abraço
      Sergio Senna

    • Olá Dr. Sérgio,

      Resposta bastante completa, acredito que irá tirar a dúvida de muitas outras pessoas…

      Abraço,

      Edinaldo Oliveira

    • Olá Mayke,

      Na minha opinião é muito difícil confiar em qualquer proposta apresentada pela PNL (divulgada em meios mais “populares”)…a PNL “estritamente acadêmica” foi usurpada das universidades e rapidamente distorcida pelos que a usam, portanto, devemos ter muito cuidado no que nos baseamos (bom senso sempre!!).

      Observe que dificilmente eles utilizam bases cientificamente comprovadas, assim, como confiar em tais técnicas?

      É isto… Abraço!

      Edinaldo Oliveira

    • Muito obrigado pela atenção, sempre muito esclarecedor.
      Vou procurar estudar outros meios que tem respaldo científico junto ao site. Devo dizer, que é uma pena que a PNL não seja o que eu esperava, pois é realmente fácil se iludir quando se quer acreditar…
      Agora uma ultima tentativa de salvar as minhas ambições…
      Você deve ter ouvido falar do Derren Brown, outra figura, ele alega que tudo que ele demonstra fazer(se é montagem ou não, não sou capaz de dizer)tem base científica. Gostaria de saber se esse ditos mentalistas, são capazes de influenciar o inconsciente das pessoas da forma como o fazem.
      Mais uma vez, obrigado

    • Olá Mayke,

      Gostaria de deixar a sugestão de leitura do livro “O mundo assombrado pelos demônios”, de Carl Sagan, acredito que o mesmo possa te ajudar nesta questão de ciência x pseudociência.

      Abraço,

      Edinaldo Oliveira

  7. Gostaria de saber se a questão do movimento do olhar (uma direção indica a criação de imagens, outra uma lembrança visual, outra sonora etc) é falsa ou verdadeira ?

  8. Acho que é aquela coisa que a gente aprende no curso com o Sergio…nunca podemos nos basear inteiramente numa única evidência. E em relação ao aperto de mão pode ser aplicado isso. Mesmo que seja verdade é algo que tem que ser visto com cautela, né…

  9. O esquema da forma como apertar a mão, teria algo relacionado? (de tal forma submisso, ou neutro, etc)…particulamente, não vejo sentido, pois não posso generalizar isso…ou seja, acusar alguém de submisso por um simples aperto de mão, e assim, não contratar esta pessoa por achar que ela não é compatível com o cargo.

  10. Pois é Edinaldo, isso se baseia na hipótese da existência de um suposto Sistema de Representação Preferencial, que um dos pilares da PNL.

    No próximo artigo da série, pretendo explicar o que viria a ser esse sistema e divulgar e resultado de pesquisas sobre isso (que não conseguiram comprovar, nem a sua existência, nem a sua aplicabilidade).

    Abraço
    Sergio Senna

  11. Uma das mais famosas (que inclusive li em um livro hoje na livraria, sobre linguagem não verbal), é a dica do olhar.. olha para um lado, lembrança auditiva, para outro, lembrança visual e por aí vai…está é bem famosa.

  12. Prezado Felipe, existem algumas hipóteses para a ocorrência desse “balançar a cabeça”:

    1. Pode ser resultado de um emparelhamento de comportamentos e ser disparado quando a pessoa fala alguma palavra, sente alguma emoção, está diante de algum estímulo específico. Algunn emparelhamentos podem ser bastante misteriosos em suas origens;

    2. Pode ser a negação, se considerarmos que o balançar a cabeça se tornou um gesto icônico (atenção, pois essa é uma hipótese entre outras categorias de gestos). Nesse caso, temos algumas sub hipóteses:

    a. negação do que a pessoa está sentindo;
    b. negação do que a pessoa está pensando;
    c. negação do que a pessoa está falando;
    d. negação do que a pessoa nem tem consciência.

    Não devemos esquecer que o ser humano pode falar uma coisa, pensar outra e sentir uma terceira (ao mesmo tempo), isso tudo mergulhado em um turbilhão de outras tantas coisas das quais não temos pela consciência…..

    Não devemos esquecer, ainda, que, entre muitos princípios, o comportamento humano obedece o da EQUIFINALIDADE, segundo o qual um comportamento observado pode ser causado por razões diferentes.

    Então, concluímos que a hipótese da negação com a cabeça sobre o que se está dizendo é apenas uma (e talvez a menos provável) entre muitas, incluindo a por vc descrita.

    Mas, em qualquer livro de auto-ajuda de linguagem corporal aparece APENAS a interpretação da negação diretamente relacionada com o que se está dizendo, donde concluímos que esse conhecimento não oferece segurança na interpretação correta.

    Tem psicólogo que anda ensinando isso dessa forma tão reduzida…. Acho que precisam voltar aos bancos escolares da graduação e cursar Psicologia 1.0 novamente!

    Abraço
    Sergio Senna

  13. Sobre o balançar da cabeça…não sei bem o que as pesquisas dizem sobre isso atualmente, mas darei um chute com base no livro de Darwin – A Expressão das Emoções nos Homens e nos Animais.

    Ele fala do princípio de que, provavelmente, quando utilizamos muito dado gesto com determinado significado, aquilo ali fica meio que “impresso” no nosso sistema nervoso assim como um gesto de natureza inata fica. Assim, assim como expressões inatas “saem” sem querer, essas adquiridas, devido a automaticidade que adquiriram, também poderiam sair sem querer em algumas ocasiões.

    Seria o caso desse balançar da cabeça negativamente, não?

  14. O meu primeiro contato com linguagem corporal foi com livros populares que li há muuuuitos anos, que relacionavam alguns gestos comuns à sua raiz evolutiva.

    Depois, fiz um curso sobre introdução à PNL pois tenho uma amiga na faculdade que falava muito bem da área. Mas, aparentemente, nem ela sabia muito da ausência de embasamento científico em muitas afirmações da área.

  15. Iniciei essa série de artigos pois 80% dos meus alunos iniciaram seus estudos sobre linguagem corporal em livros de PNL.

    Tal é a profusão de materiais disponíveis (muitos são cópias de cópias). Como não há a necessidade de comprovar nada, um autor pode ir se apropriando do conteúdo de outro e ir lançando um livro, CD, ou áudio diferente.

    Cheguei a ver gente explicando um dos principais conceitos (não comprovado cientificamente) da PNL que é o Sistema preferencial de Representação e dizer que foi ele mesmo quem descobriu…

    Se quer usar, pelo menos diz que isso é PNL, não?

    Eu queria fazer uma pesquisa informal aqui. Vc que é nosso leitor, já teve alguma experiência com a PNL?

    • Olá, Dr. Sérgio Senna.

      Sou psicólogo e um estudioso ávido por conhecimentos na área de impacto comunicacional (verbal e não-verbal). Conheço e utilizo princípios de PNL em minha atuação na área de treinamentos. Mas não sou de difundir conhecimentos controversos, como o dos movimentos oculares, uma vez que em mim mesmo observei que existem variações em meu processamento de informações e movimentos oculares. Uma coisa estou certo comigo: quanto “olhamos o infinito”, como visão desfocada, significa que estamos num estado de processamento visual de alguma informação, imaginativo. Mas nada mais do que isto, posso comprovar por mim mesmo.

      Sobre os princípios da PNL que faço questão de difundir, cito aqueles que demonstram que podemos, se em estado fisiológico adequado, nos responsabilizarmos pelo impacto de nossa comunicação na interação humana, além daquele que demonstra que é impossível não se comunicar. Através destes princípios PNLísticos acabamos por motivar um crescimento e aperfeiçoamento de nossos clientes.

      Parece-me que nada é totalmente ruim ou totalmente bom.

    • Olá João Lins,

      Obrigado pela participação.

      Confesso que é a primeira vez que vejo ma situação como a sua, em que utiliza a PNL com tais restrições (não sei se o Dr. Sérgio já esbarrou em tal situação).

      O que você percebeu com bom senso e lógica já é comprovado cientificamente pelos artigos indicados no texto e em outros comentários feitos aqui (das falhas da PNL e em especial da movimentação ocular). Entretanto, fico confuso porque você segue utilizando outras técnicas (que você não citou quais são).

      Até pela sua formação em psicologia e sua paixão pela comunicação não verbal, porque não estudar o assunto de forma científica/acadêmica, ao invés de enveredar pelos caminhos obscuros da PNL? Acho que vale a pena repensar isto.

      Espero que nossos artigos ajudem você e qualquer coisa estamos abertos ao diálogo.

      Abraço,

      Edinaldo

  16. Ótimo artigo!

    Engraçado que essa falta de rigor científico na PNL acaba autorizando a introdução das mais diversas idéias equivocadas dentro dela.
    Conheci um professor uma vez que afirmava a existência de energias e outras coisas que obviamente não podem ser perscrutadas cientificamente, para explicar certas facetas do comportamento humano. E aparentemente os alunos não sabiam diferenciar – ou não ligavam – o que era ciência e o que não era. A fusão entre o mágico e o racionalna mente deles era inexistente.

    Ainda ouvi a idéia equivocada de que as mutações que ocorrem naturalmente nos organismos e que são a base para a seleção natural, não são aleatórias, mas sim modificações guiadas pelo nosso pensamento, já que nosso DNA funciona como uma antena que capta as ondas do pensamento.

    Por essas e outras que meu entusiasmo em começar a pesquisar a fundo sobre a área acabou decaindo.

    Mas creio que esse seja um problema generalizado no Brasil, talvez. No meu curso de psicologia existem vários alunos com esse problema, inclusive, professores de INICIAÇÃO CIENTÍFICA cometiam esses erros fatais.

    Um curso para jogadores de poquer seria ótimo!
    Abraço!

    • Felipe,

      Gostei do “erros fatais”, pareceu erro do Windows rsrsr…

      Olha, acho os conceitos abaixo muito interessantes:

      “A pseudociência fala às necessidades emocionais poderosas que a ciência frequentemente deixa de satisfazer. Nutre as fantasias sobre poderes pessoais que não temos e desejamos ter (como aqueles atribuídos aos super-heróis das histórias de quadrinhos modernas e, no passado, aos deuses). Em alguma de suas manifestações, oferece satisfação para a fome espiritual, curas para as doenças, promessas de que a morte não é o fim. Renova nossa confiança na centralidade e importância cósmica do homem. Concede que estamos presos, ligados, ao Universo. Às vezes parece uma parada no meio do caminho entre a antiga religião e a nova ciência, inspirando desconfiança em ambas.”

      Ciência Errônea: A ciência prospera com seus erros, eliminando-os um a um. Conclusões falsas são tiradas todo o tempo, mas elas constituem tentativas. As hipóteses são formuladas de modo a poderem ser refutadas. Uma sequência de hipóteses alternativas é confrontada com os experimentos e a observação. A ciência tateia e cambaleia em busca de melhor compreensão. Alguns sentimentos de propriedade individual são certamente ofendidos quando uma hipótese científica não é aprovada, mas essas refutações são reconhecidas como centrais para o empreendimento científico.

      Se quiserem aprofundar: http://www.godslasteraar.org/assets/ebooks/Sagan_Carl_Does_truth_matter_-_Science_pseudoscience_and_civilization_-_includes_related_articles.pdf

      Daí tirem suas conclusões….

      Abraço,

      Edinaldo Oliveira

    • Boa participação Felipe.

      Também me assusta ver a quantidade de pessoas cultas que embarcam em certos mitos….

      Para professores de iniciação científica isso é indesculpável….

      Eu acredito que o ser humano deve ter liberdade para pensar. Às vezes, uma idéia maluca em uma época pode ser verificada em outra.

      Nosso conhecimento é limitado. Meu problema é com aqueles que se valem da ingenuidade das pessoas para tirarem proveito disso. Como uma forma de tornar os produtos mais vendáveis é dizer que estudos científicos comprovaram….. a maior parte das pessoas não irá verificar e outra parte não terá acesso à informação original…. Então, esse tipo de estratégia é muito utilizada na difusão de conhecimento sobre análise do comportamento não verbal (sempre atrelada à venda de algum produto).

      O absurdo chega a tal ponto que alguns se apropriam de conceitos (da PNL, por exemplo) e dizem que foram eles mesmos que descobriram em sua “prática profissional”….. Imagina…. o cidadão compra um livro qualquer desses tipo Alan Pease, reelabora o conteúdo e diz que foi ele quem descobriu….

      Não sei se é má fé, não sei se é ignorância, mas sei que isso ocorre.

      De qualquer forma, Felipe, seguimos com o propósito de levar informação ao nosso público.

      Abraço
      Sergio Senna

  17. Mais um excelente artigo! Estou aguardando ansiosamente pelos próximos.
    Só uma sugestão para o próximo artigo, o Sistema de Representação Preferencial creio que deve ser bem destacado, porque é o primeiro que os leigos em linguagem corporal tropeçam, e é bom eles verem bem onde eles estão entrando.
    Outra coisa, eu li esses dias que o Dr. Sergio Senna estava pensando em fazer um curso somente aos jogadores de poker, se não me engano.
    Queria deixar aqui um vídeo, de um belo exemplo de blefe no poker.
    Mostra bem a face e as expressões de ambos jogadores e o blefador saindo vitorioso, espero que seja útil para o tal curso.

    httpv://www.youtube.com/watch?v=fSqkhN9Rqk0

    Att. Rogério M Barbossa.

    • Prezado Rogério, obrigado.

      Tratarei do Sistema de Representação Preferencial em detalhes. Caso necessário, elaborarei dois artigos.
      Esse é um dos mitos científicos mais difundidos pela PNL.

      É importante ressaltar que esses artigos NÃO fazem parte de críticas à PNL, pois criticá-la e a postura de uma boa parte de seus professores seria como criticar uma religião e seus profetas.

      Como eu não tenho esse perfil, as informações que divulgo são apenas a publicidade dos resultados de estudos científicos que foram realizados para verificar as hipóteses e chegaram a conclusões divergentes.

      É um serviço que presto apenas para alertar os mais incautos que embarcam na conversa de que PNL tem base em estudos científicos.

      Para aqueles que já sabem que não é ciência, não tenho nada a acrescentar e não vejo problema que acreditem que esse conhecimento é válido, mesmo que os estudos científicos mostrem o contrário. Afinal, cada um tem liberdade para acreditar no que achar mais adequado.

      Siga acompanhando as nossas matérias.

      Abraço
      Sergio Senna

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