A Face das Emoções

Breve histórico do estudo das emoções básicas

Emoções Charles Darwin, em 1872, no seu livro As Expressões das Emoções no Homem e nos Animais pontuou a possibilidade de que haveria uma relação entre certas emoções e as expressões faciais. Como esperado de um evolucionista, suas observações se dirigem no sentido de tentar demonstrar a existência de emoções básicas que estão diretamente ligadas ao nosso sistema nervoso autônomo. Depois desse livro, que serviu de marco e inspiração para diversos outros pesquisadores, muito se avançou no estudo do tema.

Atualmente, o Dr. Paul Ekman, ainda em atividade na Universidade de São Francisco, é uma das maiores autoridades no assunto e vem conduzindo pesquisas acadêmicas desde a década de 50. Seus achados indicam a existência de uma relação entre as expressões faciais que revelam seis emoções básicas: medo, surpresa, alegria, raiva, aversão e tristeza.

A despeito do debate que se possa realizar sobre a universalidade das expressões faciais e sua vinculação à ocorrência de determinadas emoções, é indiscutível que há uma regularidade na dinâmica da face, pelo menos dentro de um mesmo grupo cultural. Inicie o vídeo a seguir e observe a animação de rostos diferentes que fazem o mesmo movimento e você tem a impressão que as emoções expressas são as mesmas

 

 

Mesmo as crianças aprendem rapidamente a diferenciar um sorriso falso de uma manifestação genuína de alegria ou a reconhecer quando uma pessoa quer encobrir uma emoção ou alguém quando está mentindo. Isso, no entanto, é aprendido de forma assistemática e intuitiva, como a maior parte do conhecimento prático que utilizamos para interagir com as outras pessoas. Na verdade, existem diversas formas de sistematizar e de utilizar esse conhecimento que adquirimos de forma intuitiva em prol da melhoria de nossa comunicação.

 

O que percebemos quando vemos o rosto de alguém?

Independentemente do referencial teórico que se adote, é possível afirmar que, na face, há pelo menos dois tipos de elementos que são percebidos durante a comunicação: os estáticos e os dinâmicos. Os elementos estáticos estão relacionados com o formato do rosto e como a nossa musculatura facial foi se desenvolvendo ao longo dos anos.

Uma pessoa que tenha vivido uma vida muito sofrida pode apresentar uma sutil depressão permanente nos cantos da boca, por exemplo. As fotos ao lado são de Lisa Marie Nowak, oficial da Marinha dos EUA e astronauta, antes e depois do longo processo judicial por tentativa de assassinato. Pela comparação, pode-se notar a presença dos elementos estáticos da face.

Nesse caso, os músculos fixam a expressão depois de um tempo que passam sendo exercitados pelas emoções sentidas pela pessoa. Além disso, o formato do rosto também nos comunica impressões sobre nossos interlocutores. Nesse campo, o Dr. Alexander Todorov (1) e colaboradores, da Universidade de Princeton, vêm estudando como o formato dos rostos pode influenciar a percepção que temos das pessoas.

Veja o vídeo a seguir e tente perceber se com apenas a mudança do formato do rosto, há uma alteração na sua percepção sobre a confiança que você teria nessas pessoas. Observe que as faces mostradas não estão em movimento e você tem apenas a visão do rosto em repouso.  Esse é um dos vídeos da citada pesquisa do Dr. Todorov.

 

 

Referências

1. Todorov, A., Said, C. P., Engell, A. D., & Oosterhof, N. N. (2008). Understanding evaluation of faces on social dimensions. Trends in Cognitive Sciences, 12, 455-460.

 

Como citar este artigo:

Formato Documento Eletrônico (ABNT)

PIRES, Sergio Fernandes Senna. [post-name]. Instituto Brasileiro de Linguagem Corporal. Disponível em < https://ibralc.com.br/face-emocoes/> . Acesso em [data-php].

Formato Documento Eletrônico (APA)

Pires, Sergio Fernandes Senna. (2012). [post-name]. Instituto Brasileiro de Linguagem Corporal. Recuperado em [data-php], de https://ibralc.com.br/face-emocoes/.

Visite as Seções do Portal:

 


Como citar este artigo:

Formato Documento Eletrônico (ABNT)

PIRES, Sergio Fernandes Senna. A Face das Emoções. Instituto Brasileiro de Linguagem Corporal. Disponível em < https://ibralc.com.br/face-emocoes/> . Acesso em 3 Dec 2016.

Formato Documento Eletrônico (APA)

Pires, Sergio Fernandes Senna. (2012). A Face das Emoções. Instituto Brasileiro de Linguagem Corporal. Recuperado em 3 Dec 2016, de https://ibralc.com.br/face-emocoes/.

The following two tabs change content below.
Sergio Senna
Psicólogo, doutor em psicologia (UnB), possui diversas especializações na área de educação, segurança e políticas públicas. Tem larga experiência acadêmica e profissional na interpretação da linguagem corporal, presta assessoria institucional no Congresso Nacional e desenvolve trabalhos acadêmicos nas temáticas da análise da mentira e da linguagem corporal. Veja o currículo completo aqui!
Sergio Senna

Últimos posts de Sergio Senna (ver todos)

Posted in Face and tagged , , , , , , , , , , .

Deixe uma resposta