30 de janeiro de 2018 casal-bicudo-ibralc

Homens mentem mais do que mulheres?

Mais importante do que a tentar quantificar as mentiras contadas pelas pessoas, é compreender que todos mentem em alguma medida. Uma pessoa que mente com muita frequência pode perder a sua credibilidade e as suas mentiras não causarão o mesmo efeito devastador daquelas que são contadas ocasionalmente por alguém que tem credibilidade. Então, antes de se preocupar com a quantidade das mentiras, verifique o contexto em que os danos podem ser causados na sua vida pelas decisões tomadas em função das mentiras alheias.
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Dito isso, as mais recentes pesquisas indicam que os homens mentem praticamente com o dobro da frequência das mulheres.

Os britânicos e Norte-americanos são fascinados por esse tema, então sempre fazem algum tipo de levantamento de tempos em tempos. Vejamos alguns:

Publicado no MailOnline em agosto de 2014:

É verdade! Os homens mentem mais do que as mulheres: as mulheres evitam a sinceridade em consideração aos sentimentos de alguém, mas os homens mentem para economizar dinheiro

A mentira mais comum é dizer “Estou bem” quando se está chateado, mostrou a pesquisa.

Veja a íntegra em: http://www.dailymail.co.uk/news/article-2713862/Men-lie-women-study-reveal


Publicado no MailOnline em dezembro de 2017:

Os homens mentem duas vezes mais vezes que as mulheres, e um em cada dez acredita que são especialistas nisso. A pesquisa levantou que os homens [britânicos] mentem uma vez a cada quatro dias, enquanto as mulheres mentem apenas uma vez a cada oito. A pesquisa também revelou que a política é a profissão menos confiável, com 71% dos participantes afirmando que os políticos possuem intenções ocultas.

Veja a íntegra em: http://www.dailymail.co.uk/news/article-5140109/Men-lie-twice-women.html


Esses dois exemplos nos indicam que a mentira pode estar presente em nossas vidas em bases diárias. Por isso é tão importante estarmos atentos tanto às mentiras que nos contam, quanto àquelas que sofremos a tentação de contar. Se formos analisar com mais cuidado, é possível dar respostas verazes e assertivas em situações que a nossa cultura acha normal contar uma mentira.

Veja também esse nosso artigo sobre as mentiras do cotidiano:

A mentira na vida diária

Antes de desenvolvermos esse tema, vejamos quais são as 10 mentiras mais frequentemente contadas por britânicos aos seus cônjuges:

1 – Estou ouvindo….

2 – Não estou de mau humor!

3 – Só tomei uma bebida…

3 – Não vi sua mensagem / chamada

4 – Você não está gordo (a)!

5 – Estou fazendo a minha dieta.

6 – Eu tive um orgasmo!

7 – Esta não é uma roupa nova (não gastei com ela…)

8 – Sua roupa cai bem.

9 – Eu não estava olhando outra pessoa….

10 – Não quebrei isso!

Disponível em: https://www.express.co.uk/life-style/life/777229/men-women-lying-cheating

Uma rápida análise nessa lista de mentiras frequentes entre os britânicos nos dá a impressão de que existem pelo menos três tipos de mentiras contidas aí:

  • As totalmente desnecessárias: 1, 5, 6,
  • As protetivas: 2, 3, 7, 9, 10
  • As elegantes: 4, 8

Se as mentiras totalmente desnecessárias e as de proteção fossem eliminadas da lista, os britânicos poderiam reduziríamos a 20% a sua dissimulação. Semelhante raciocínio pode ser aplicado em nossa cultura, já que é possível inferir que a lista seja semelhante. Mentiras totalmente desnecessárias podem ser substituídas pela verdade sem problemas, o que ocasiona a possibilidade de tratar de problemas de forma mais objetiva. Observe, por exemplo, a mentira número 6.

casal-bicudo-2-ibralcAs mentiras que chamo de protetivas são mais complicadas, uma vez que sua origem está na incapacidade do mentiroso em lidar com suas próprias emoções. Note que negar que quebrou algo (10), que não gastou com roupas (7) ou que não viu uma mensagem tem o principal objetivo de evitar uma problema, um conflito. esse tipo de mentira costuma ser bastante efetivo, uma vez que a vítima dessas mentiras pode se sentir impelida a agarrar a oportunidade de não confrontar e também evitar alguma contenda. Essa é uma mentira muito perigosa para os relacionamentos de forma geral já que sua função é bem definida: apresentar uma saída de uma situação embaraçosa ou conflituosa.

É muito importante observar que essas mentiras protetivas existem, funcionam e prosperam em ambientes de imaturidade emocional, nos quais existem a dificuldade em assumir responsabilidades pelas próprias limitações. Esses contextos costumam ser bastante frequentes e as pessoas, não raras vezes, se tornam reféns dessas receitas milagrosas para escapar das consequências.

Sobre as mentiras elegantes tenho uma pergunta: será que não conseguiríamos substituir essas afirmações mentirosas pela verdade? Aqui existem duas possibilidades:

 – A primeira é se a mentira é espontânea. Alguém vê que a roupa não caiu bem e, mesmo assim, diz que está ótima…… Essa hipótese chega a confundir-se com a totalmente desnecessária, pois não vale a pena elogiar algo que não é verdadeiro.

– A segunda é se a mentira segue uma pergunta. Alguém questiona se a roupa ficou boa….. Confesso que, diante de uma pergunta, pode ser mais tentador contar uma mentira para agradar, mas em que contextos essa mentira seria realmente funcional? Se pararmos para pensar chegaremos à conclusão de que são muito poucas as ocasiões nas quais nos veríamos realmente “forçados” a elogiar de forma mentirosa.

Reflita sobre isso! Faça a sua lista e organize nessas três categorias: (1) Totalmente desnecessárias; (2) Protetivas; (3) Elegantes

Se puder, compartilhe a sua opinião com os nossos leitores.

Boa leitura e reflexão

Sergio Senna

 


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Como citar este artigo:

Formato Documento Eletrônico (ABNT)

PIRES, Sergio Fernandes Senna. Homens mentem mais do que mulheres?. Instituto Brasileiro de Linguagem Corporal. Disponível em < https://ibralc.com.br/homens-mentem-mais-do-que-mulheres/> . Acesso em 25 Feb 2018.

Formato Documento Eletrônico (APA)

Pires, Sergio Fernandes Senna. (2018). Homens mentem mais do que mulheres?. Instituto Brasileiro de Linguagem Corporal. Recuperado em 25 Feb 2018, de https://ibralc.com.br/homens-mentem-mais-do-que-mulheres/.

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Psicólogo, doutor em psicologia (UnB), possui diversas especializações na área de educação, segurança e políticas públicas. Tem larga experiência acadêmica e profissional na interpretação da linguagem corporal, presta assessoria institucional no Congresso Nacional e desenvolve trabalhos acadêmicos nas temáticas da análise da mentira e da linguagem corporal. Veja o currículo completo aqui!

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