Linguagem não verbal na segurança: A importância e os cuidados

Linguagem não verbal na segurança: A importância e os cuidados.

A linguagem não verbal além de objeto de estudo e pesquisa, tem sua utilização observada nos mais diversos segmentos da atividade humana. segurança-cuidadosSegundo Portella (2006):

O comportamento não verbal é parte integrante de cerimônias e rituais, e também componente das artes (como dança). Assim, é fácil perceber que esse tipo de comportamento está presente em todas as esferas da vida, comunicando sentimentos e emoções. De acordo com o ponto de vista aqui apresentado, esse fato por si só justifica o estudo dessa importante esfera do comportamento humano.

Certamente que um fato tão importante e presente entre nós, não poderia passar ao largo dos interesses de profissionais da segurança, no que diz respeito à sua utilização como ferramenta de inestimável valor quando considerada em entrevistas e interrogatórios. Indiscutivelmente muito se perderia se não fossem analisados os gestos, movimentos do corpo, expressões, na busca pela incongruência entre o verbal e o não verbal, que pode nos fornecer indícios da ocorrência de mentira.

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O eminente delegado paulista Coriolano Nogueira Cobra, quando se referia à acareação, reconhecimento e verificação de sinceridade, já tinha em conta, embora de forma ainda pouco consistente, os recursos da linguagem não verbal.

Ao longo dos anos, diversos estudos e pesquisas foram ampliando e tornando mais eficaz a aplicação da leitura das reações não verbais, com larga utilização em pessoas investigadas por algum delito, por testemunhas ou mesmo vítimas.

 

Embora já fartamente observado pelo Dr. Sergio Senna neste sítio, assim como por diversos outros autores comprometidos com a visão científica e séria da aplicação da leitura da linguagem corporal, a consideração do contexto onde se dá a expressão, assim como o entendimento de que um só sinal não pode ser considerado como definitivo para a ocorrência da mentira, não podem ser esquecidos.

Para termos um exemplo prático de situações onde podemos correr o risco de uma conclusão equivocada, veja o relato de um ex-agente do FBI, citado em Navarro (2010, p. 183):

A entrevista começava tranquilamente. A entrevistada responde as perguntas iniciais do agente com objetividade. À medida que a entrevista avança, a mulher começa a exibir uma inquietude que não deveria existir, já que o assunto da entrevista – seu envolvimento em uma fraude federal – ainda não havia sido abordado. Mesmo assim, durante os primeiros quarenta minutos dedicados a estabelecer uma conexão, ela está cada vez mais tensa, inquieta e de alguma forma distante – todos os comportamentos “de alerta” sugerem que ela tem informações que a incriminam. Para um agente, esses comportamentos são como sangue para um tubarão. O agente finalmente a pressiona: “Se a senhora tem algo que gostaria de contar, então conte; vamos acabar logo com isso e serei o primeiro a afirmar que a senhora cooperou comigo.” “Ai, graças a Deus”, disse a mulher com um suspiro de alívio, “estou tão nervosa que não sabia como dizer isso, mas só tinha quatro moedas de 25 centavos para o parquímetro, e o tempo está acabando. Por favor, deixe-me ir até lá, não quero levar uma multa!”

 

Os sinais estavam sendo lidos de forma correta, indicando o comprometimento da mulher, no entanto convém entendermos que os comportamentos que demonstram a dissimulação, são idênticos aos que estão associados à tensão, que podem ter origem em diversos fatores, que não necessariamente a culpa ou a intenção de enganar.

Na próxima oportunidade vou relatar uma experiência real, que levou ao esclarecimento de um homicídio tendo como base a leitura da linguagem corporal.

 

Até breve.

Vicente Andrade 

 

Referências:

PORTELLA, M. (2006). Como identificar a mentira: sinais não verbais da dissimulação. Rio de Janeiro: Qualitymark.

COBRA, C.N. (1983). Manual de investigação policial: 6. ed., rev. e atualizada. São Paulo: Saraiva.

NAVARRO, J., POYNTER, T. S. (2010). A inteligência não verbal: os segredos de um agente do FBI para decifrar pessoas sem o uso de palavras. Rio de Janeiro: Elsevier.

 

Como citar este artigo:

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ANDRADE, Vicente. [post-name]. Instituto Brasileiro de Linguagem Corporal. Disponível em < https://ibralc.com.br/linguagem-nao-verbal-na-seguranca-a-importancia-e-os-cuidados/> . Acesso em [data-php].

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Andrade, Vicente. (2012). [post-name]. Instituto Brasileiro de Linguagem Corporal. Recuperado em [data-php], de https://ibralc.com.br/linguagem-nao-verbal-na-seguranca-a-importancia-e-os-cuidados/ .

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. Linguagem não verbal na segurança: A importância e os cuidados. Instituto Brasileiro de Linguagem Corporal. Disponível em < https://ibralc.com.br/linguagem-nao-verbal-na-seguranca-a-importancia-e-os-cuidados/> . Acesso em 3 Dec 2016.

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. (). Linguagem não verbal na segurança: A importância e os cuidados. Instituto Brasileiro de Linguagem Corporal. Recuperado em 3 Dec 2016, de https://ibralc.com.br/linguagem-nao-verbal-na-seguranca-a-importancia-e-os-cuidados/.

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Vicente Andrade

Possui experiência de 23 anos em segurança pública com atuação principal na área investigativa. Formado em segurança privada, desenvolveu experiência em segurança pessoal de dignatários. Realiza graduação em Filosofia (bacharelado) pela UNISUL - Universidade do Sul de Santa Catarina. É estudioso da linguagem corporal há cinco anos, mantendo o foco em sua utilização na área de segurança. Contatos pelo email: [email protected]
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