Mentiras infantis – Como lidar?

Mentira na infância

A Revista Claudia Filhos de setembro de 2014 publicou uma matéria sobre as mentiras infantis. Faz tempo que venho acompanhando reportagens sobre a mentira e confesso que fiquei surpreso com o conteúdo, valendo a pena comentar alguns aspectos e parabenizar a autora, Cintia Marcucci e os especialistas que colaboraram nesse trabalho.

Os motivos para mentir – existem mentiras inocentes?

Um dos elementos essenciais da mentira é a obtenção de algum benefício. Muitas vezes, esses benefícios não são tão claros, mas basta pensar um pouco que será possível identificá-lo. Um outro aspecto que complementa a reportagem da Revista Cláudia é que o resultado da mentira também mantem o ciclo da mentira:

Uma mentira bem sucedida prepara o mentiroso para mentir mais e melhorSergio Senna
Gosto de destacar esse aspecto, pois as pessoas, mesmo especialistas, esquecem de tratar sobre a manutenção do ciclo. Ao atingir o seu objetivo com êxito, o mentiroso ganha a sua recompensa, o que aumentará a probabilidade de mentir novamente. Sobre isso, veja o nosso artigo: Não existe mentira inocente

 

 

Então, realmente não há mentira inocente, o que é muito bem destacado pela autora do artigo e pelos especialistas que participaram.

Fantasia é mentira?

Ouro aspecto interessante da matéria que pode ser complementado com uma explicação  mais técnica diz respeito à diferença entre fantasia e mentira. Toda mentira tem três elementos essenciais:

  • Ser consciente;
  • Ser intencional;
  • Trazer algum benefício para o mentiroso.
De cara, vemos que a fantasia não atende ao segundo requisito, pois ela não é intencional. É parte do desenvolvimento e nem ocorre com todas as crianças da mesma forma. O período em que a criança fantasia tem um início e um fim e que pode variar. Além disso, dependendo da definição de consciência que adotemos, poderíamos dizer que a fantasia não atende ao primeiro requisito, mas esse debate é mais complexo. Para mais detalhes sobre os elementos da mentira leia: Três aspectos da mentira

O importante é tentar reconhecer esses elementos e compreender que fantasia não é mentira. Na fase adulta, uma pessoa que afirma ter amigos invisíveis pode estar com problemas em sua saúde mental. Como lidar com a mentira infantil? Na minha opinião, a melhor parte do artigo são os conselhos sobre como lidar com a mentira. Todos muito equilibrados e técnicos.

  • Não reagir agressivamente movido pela raiva;
  • Diferenciar a fantasia infantil da mentira;
  • Não apresentar suas próprias mentiras adultas como modelo para as crianças;
  • Não envolver a criança nas mentiras adultas;
  • Não fazer vista grossa. Reprovar adequadamente as mentiras infantis;
  • Entender que todo ser humano vai tentar persuadir ou manipular os outros em algum momento;
  • Entender que a criança não conseguirá manter a mentira por muito tempo;
  • Ser equilibrado, fazendo o possível para desestimular as mentiras infantiis sem ser agressivo.
A criança deve perceber que vale a pena falar a verdade e, principalmente, viver a verdade. Que terá que enfrentar as consequências de suas ações.
O mais importante é entender que todos nós mentimos, uns muito mais outros muito menos….  O adulto deve adaptar a sua conversa para que a criança não sinta medo ou raiva e que entenda que existem métodos melhores para conseguir o que deseja ou entender que existem limites para os seus desejos.

Parabéns à autora do artigo e às demais colaboradoras.

Um abraço Sergio Senna


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Como citar este artigo:

Formato Documento Eletrônico (ABNT)

PIRES, Sergio Fernandes Senna. Mentiras infantis - Como lidar?. Instituto Brasileiro de Linguagem Corporal. Disponível em < https://ibralc.com.br/mentiras-infantis-como-lidar/> . Acesso em 3 Dec 2016.

Formato Documento Eletrônico (APA)

Pires, Sergio Fernandes Senna. (2014). Mentiras infantis - Como lidar?. Instituto Brasileiro de Linguagem Corporal. Recuperado em 3 Dec 2016, de https://ibralc.com.br/mentiras-infantis-como-lidar/.

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Sergio Senna
Psicólogo, doutor em psicologia (UnB), possui diversas especializações na área de educação, segurança e políticas públicas. Tem larga experiência acadêmica e profissional na interpretação da linguagem corporal, presta assessoria institucional no Congresso Nacional e desenvolve trabalhos acadêmicos nas temáticas da análise da mentira e da linguagem corporal. Veja o currículo completo aqui!
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3 Comments

  1. Quando pequena, se eu fizesse algo ruim como quebrar um copo ou deixar líquidos cairem no sofá ou na cama, lembro-me de tentar esconder da melhor maneira o que fazia, porque tinha medo que minha mãe não entendesse que aconteceu sem querer -ela tem um certo costume de tratar crianças como adultos. Quando cresci, ao deixar de esconder que fazia, comecei a perceber que meu irmão mais novo também tinha medo e passei a encorajá-lo. Eu o ajudava a consertar o que fez, e depois tentava convencê-lo à contar pra mamãe. Hoje, se meu irmão faz algo que sabe que deixará minha mãe um pouco chateada, ele logo me procura, sente um pouco mais de confiança em mim porque eu o tratava de maneira mais paciente.

  2. A dúvida que fica em minha mente é que: como mostrar para a criança que a mentira é algo negativo?
    Será que o fato de mudarmos o comportamento quando mentimos, está relacionado á estarmos cientes da verdade?
    Nossos pais nos punem de formas diferentes, causando medo, estresse, etc.. sentimentos que fazem qualquer pessoa mentir e para uma criança a punição ou reação exagerada de raiva dos responsáveis causa medo… deixando assustadas fazendo com que elas mintam cada vez mais.
    Tenho experiência com crianças e a melhor forma de ensinar a criança é fazendo-a reconhecer e dizer a verdade.. depois apoie a verdade, tendo a verdade como algo bom e alegre, recompensas por verdades ditas são o melhor meio de estimular e fazer com que as crianças se sintam bem em dizer a verdade.

  3. Muito legal o site, as informações e testes.
    Apenas um teste não está abrindo, não sei se é só comigo.
    Parabéns pelo trabalho, dá uma vontade de aprender mais e mais.

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