Microexpressões e o trabalho dos atores

Será que um ator pode ser tão eficiente a ponto de representar as microexpressões?

Quais são as características do bom ator?

Para começar essa discussão precisamos alinhar o conceito de “bom ator”.

Linguagem Corporal - AtoresComo quase todas as disciplinas acadêmicas, o teatro possui diversos teóricos, pensadores e linhas de trabalho. No entanto, todas elas convergem em um mesmo ponto: trata-se de gente representando gente, para gente. E assim, como se percebe, o elemento “humanidade” está sempre em perspectiva. O bom ator é aquele que consegue criar humanidade para um personagem que não está em lugar algum exceto nas páginas do texto e nas cabeças do autor e do diretor. Aquele que consegue transmitir à plateia a emoção daquele personagem representado, que consegue promover a catarse, a descarga de emoções naqueles que o assistem. Tal processo (catarse) demanda identificação e, para tal,  exige verossimilhança.

Mas seria um bom ator suficientemente eficiente em sua representação a ponto de reproduzir fidedignamente a linguagem corporal até mesmo as microexpressões faciais de um personagem? Como isso é possível? Através de técnicas que são criadas para, justamente, treinarem certas habilidades nos atores, como, por exemplo, a observação, concentração, trabalho em equipe… Ferramentas que o ator irá precisar no decorrer do desenvolvimento de seu trabalho.

O bom ator é aquele que consegue criar humanidade para um personagem que não está em lugar algum exceto nas páginas do texto e nas cabeças do autor e do diretor.

Técnicas para atuar

Constantin Stanislavsky, considerado o “pai” do teatro, descreve em seu método de treinamento para atores uma fase importante na criação de um personagem: o laboratório. O ator deve ir à campo pesquisar, observar as pessoas. E é este tipo de observação que lhe dará material para o seu processo de criação. Portanto, podemos dizer que grande parte do ofício do ator, como o do psicólogo, é observar de maneira consciente, imparcial e analítica.

Um ator de olhar apurado para a observação, certamente será capaz de perceber e reproduzir a linguagem corporal e mesmo as microexpressões de seu personagem. Mas claro, nem todos os atores têm a capacidade ou “tarimba” para chegar até este estágio, que leva tempo, treinamento e dedicação. E, mais uma vez podemos constatar que a principal diferença entre um ator profissional e um amador está nos detalhes. Nos mínimos detalhes ao que contribuirão sua capacidade de observação, talento, treinamento e experiência.

st-louis-video-production-studioUm ponto adicional à nossa análise convém fazer: a técnica de atuação também pode variar dependendo do meio de comunicação utilizado. Tomemos, como exemplo, o palco e a t.v. No palco, parte da expressão é perdida, devido à distância do espectador em relação ao ator e por isso, um certo exagero comedido é exigido. O que, de forma alguma, o dispensa de “sentir” seu personagem e torná-lo catártico. Na televisão, as câmeras suprem esta distância proporcionando um olhar detalhado da expressão deste ator o que exige detalhes expressivos mais delicados. Neste caso, ganha-se na proximidade e perde-se o “ao vivo” da representação. Muda-se o meio de transmissão, cada um com suas dificuldades, facilidades e características próprias. No entanto o trabalho do ator de dar vida, crível, ao seu personagem deve ser feito. E, para isso é necessário que ele estude, leia, observe e colete material vital.

O estudo da linguagem corporal ajuda o ator?

Um outro fator que devemos mencionar é que poucos atores se dão conta da importância do estudo metódico da psicologia e da linguagem corporal na composição de seu trabalho. Ignorar estas disciplinas é descartar catalisadores que lhe promoverão a mais profunda fidedignidade de seu personagem. É ignorar uma poderosa ferramenta que só tem à contribuir na criação de um personagem capaz de comover, de maneira sincera e viva uma plateia.

Boa leitura

Jordana Luchini


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Como citar este artigo:

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LUCHINI, Jordana. Microexpressões e o trabalho dos atores. Instituto Brasileiro de Linguagem Corporal. Disponível em < https://ibralc.com.br/microexpressoes-e-o-trabalho-dos-atores/> . Acesso em 3 Dec 2016.

Formato Documento Eletrônico (APA)

Luchini, Jordana. (2016). Microexpressões e o trabalho dos atores. Instituto Brasileiro de Linguagem Corporal. Recuperado em 3 Dec 2016, de https://ibralc.com.br/microexpressoes-e-o-trabalho-dos-atores/.

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Jordana Luchini

Jordana Luchini nasceu em Belo Horizonte, Minas Gerais. Psicologa pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC/MG), realizou pós-graduação em Psicologia Jurídica pela mesma instituição. É atriz de teatro, atualmente residindo na cidade do Rio de Janeiro. Sua formação artística é feita em cursos de dança, como curso de férias Teen Broadway, com direção de Maiza Tempesta, em 2010, em São Paulo; Curso de férias na Escola Wolf Maya, com Henrique Carvalho, em 2010; Workshop de Jazz e Bob Fosse, com Keila Bueno, em 2010, em Belo Horizonte, além de cursos de balé clássico de 1994 a 2006. Faz também aulas de canto com Marconi Araújo e Megan Dawson e na Escola Wolf Maya, além de aulas particulares de canto (técnica de belting), com Ana Taglianetti, e participação na oficina de Teatro Musical na Escola de Música da Universidade Federal de Minas Gerais (2009 e 2010).    Atualmente, é coordenadora do Centro de Pesquisas Teatrais e integra o grupo Arrepia, no Rio de Janeiro.
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