Não existe mentira inocente

Muitas pessoas perguntam as minhas opiniões sobre a mentira e sobre os seus impactos na sociedade e nas relações pessoais. Entre muitos aspectos, defendo que não existe mentira inocente pois qualquer mentira promove dois impactos:

  • abala a confiança entre as pessoas quando a mentira é descoberta;
  • cada mentira contada prepara o mentiroso para mentir mais e melhor.

Veja a minha argumentação no vídeo a seguir:

É muito importante compreender que , se focarmos apenas em um único episódio onde ocorre a mentira, facilmente chegaremos à compreensão de que existem mentiras que não causam impacto algum nos relacionamentos e que podem ser consideradas totalmente inocentes.

Entretanto, é quando analisamos o contexto mais amplo, o papel de cada mentira bem sucedida na preparação para outro episódio é que podemos entender que nenhuma delas é inocente. Além disso, o aumento da frequência em mentir vai interferindo na forma como as pessoas avaliam as nossas palavras.

A sociedade brasileira tem chegado a um ponto extremo de aceitação da mentira. Deixamos de reprová-la até mesmo quando não existe qualquer sustentação razoável para a sua ocorrência, como é o caso da mentira na política.

Um exemplo disso é o caso dos usuários de drogas que, nas fases iniciais da dependência química, mentem muito para esconder a sua dependência química. Quando essas pessoas estão em fase de recuperação, a família, não raras vezes, desconfia da sua capacidade de recuperação e os trata com desconfiança. Nesse contexto, as mentiras anteriores acabam por “desqualificar” a pessoa, aspecto o que precisa ser trabalhado na família com a ajuda de um psicólogo competente.

Uma outra forma de compreender o problema, é considerar que nenhuma habilidade se desenvolve da noite para o dia. Não é diferente no caso do desenvolvimento da capacidade de mentir ! Nossa leniência com a mentira pode chegar às raias da irresponsabilidade. Como adultos responsáveis, devemos nos opor à mentira, sem fazer disso, no entanto, um cavalo de batalha.

Mentira

Um adolescente ou uma criança que são pegos mentindo, por exemplo,  não devem ser severamente punidos, mas orientados de que não precisam mentir para conseguir o que desejam. Esse tipo de abordagem deve ser realizado desde cedo, com calma e sem a raiva que naturalmente sentimos nos contexto em que somos vítimas ou testemunhas da mentira.

Por esses motivos, pense bem antes de defender que existem mentiras inocentes e sem importância.

Um abraço e siga nos acompanhando.

Sergio Senna 

Veja o assunto sendo debatido pelo Dr. Sergio Senna durante o programa de Fátima Bernardes no dia 1 de abril de 2013.

Clique na imagem ao lado para assistir.

 


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Como citar este artigo:

Formato Documento Eletrônico (ABNT)

PIRES, Sergio Fernandes Senna. Não existe mentira inocente. Instituto Brasileiro de Linguagem Corporal. Disponível em < https://ibralc.com.br/nao-existe-mentira-inocente/> . Acesso em 3 Dec 2016.

Formato Documento Eletrônico (APA)

Pires, Sergio Fernandes Senna. (2013). Não existe mentira inocente. Instituto Brasileiro de Linguagem Corporal. Recuperado em 3 Dec 2016, de https://ibralc.com.br/nao-existe-mentira-inocente/.

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Sergio Senna
Psicólogo, doutor em psicologia (UnB), possui diversas especializações na área de educação, segurança e políticas públicas. Tem larga experiência acadêmica e profissional na interpretação da linguagem corporal, presta assessoria institucional no Congresso Nacional e desenvolve trabalhos acadêmicos nas temáticas da análise da mentira e da linguagem corporal. Veja o currículo completo aqui!
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One Comment

  1. Falando de uma maneira bem regionalista: ”bah, que saudade de ler esses artigos”.
    Concordo totalmente com o exposto, até pelo fato de que é praticamente inexistente o caso em que uma mentira seja mais útil que a verdade.
    A mentira no Brasil é tratada de forma banalizada, chegando a ponto de ser considerada, indiretamente, uma virtude, como o famigerado ”jeitinho brasileiro”. Que não necessariamente importa em mentir, mas muitas vezes é correlacionado com a maneira de tirar vantagem de alguém ou de uma situação.
    Sei muito bem que a mentira é uma maneira de escapar de uma situação com a qual se tenha de lidar com um sentimento que não temos ”controle”, entretanto, vejo muitas mentiras sendo objetivadas com quase o mesmo princípio, porém não na falta de capacidade do mentiroso, e sim na falta de capacidade do receptor em lidar com a verdade, a mentira para alguns, nessa situação, acaba se tornando viável.
    De qualquer maneira, como disse antes, concordo totalmente com o post.

    E espero um dia que o curso seja sediado em Porto Alegre pra eu poder participar. rs.

    Obrigado.
    Abraços e até mais!

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