O que o rosto nos fala?

O que percebemos quando vemos o rosto de alguém?

Lisa Nowak Rugas - IBRALCÉ cientificamente possível afirmar que, na face, há pelo menos dois tipos de elementos que são percebidos durante a comunicação: os estáticos e os dinâmicos.
Os elementos estáticos estão relacionados com o formato do rosto e como a nossa musculatura facial foi se desenvolvendo ao longo dos anos. Na verdade, os chamamos de estáticos impropriamente, uma vez que a sua dinâmica é bem mais lenta, mas o aparecimento de rugas, por exemplo, não é algo “estático”.

Uma pessoa que tenha vivido uma vida muito sofrida pode apresentar uma sutil depressão permanente nos cantos da boca, por exemplo.  As fotos ao lado são de Lisa Marie Nowak, oficial da Marinha dos EUA e astronauta, antes e depois do longo processo judicial por tentativa de assassinato.

Pela comparação, pode-se notar a presença dos elementos estáticos da face. Nesse caso, os músculos fixam a expressão depois de um tempo que passam sendo mantidos na posição pelas emoções sentidas pela pessoa.

Lisa Nowak Rugas - IBRALCAlém disso, o formato do rosto também nos comunica impressões sobre nossos interlocutores. O Dr. Alexander Todorov(1) e colaboradores, da Universidade de Princeton, vêm estudando como o formato dos rostos pode influenciar a percepção que temos das pessoas.

Veja o vídeo a seguir e tente perceber se com apenas a mudança do formato  do rosto, há uma alteração na sua percepção sobre a confiança que você teria nessas pessoas.



Todorov defende que  realizamos  juízos sobre a competência de outras pessoas com base unicamente na sua aparência facial. Ele vem estudando a preferência das pessoas por candidatos a governador. Em todos os seus experimentos, os participantes avaliavam os rostos do vencedor e do vice-campeão e era solicitado que decidissem quem era mais competente.

Ao aumentar o tempo para a escolha, Todorov percebeu que não havia grande modificação na decisão dos sujeitos. Com esse método, ele conseguiu alcançar o máximo de  72,4%  de acerto em relação ao que realmente ocorreu nas eleições.  Com esses resultados, ficam abertas oportunidades de estudos sobre a rapidez com que fazemos nossos julgamentos utilizando-nos exclusivamente de indicadores faciais de nossos interlocutores.

Além dos aspectos “estáticos”, como as rugas, temos a dinâmica do rosto que diz respeito aos movimentos musculares realizados durante a interação face a face. Veja nosso artigo sobre as rugas:


Rugas - Microexpressões - IBRALC

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Diversas pesquisas mostram que essa dinâmica pode revelar nossas emoções no exato momento em que interagimos com outras pessoas, ainda que, intencionalmente, tentemos encobri-las. Essa afirmação se baseia no fato de que não é somente o córtex motor do nosso cérebro que está envolvido nos movimentos dos músculos da face, mas outras áreas também são capazes de produzir movimentos faciais que não controlamos conscientemente. Veja:


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Referências

(1). Todorov, A., Said, C. P., Engell, A. D. & Oosterhof, N. N. (2008). Understanding evaluation of faces on social dimensions. Trends in Cognitive Sciences, 12, 455-460.


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Como citar este artigo:

Formato Documento Eletrônico (ABNT)

PIRES, Sergio Fernandes Senna. O que o rosto nos fala?. Instituto Brasileiro de Linguagem Corporal. Disponível em < https://ibralc.com.br/o-que-o-rosto-nos-fala/> . Acesso em 2 Dec 2016.

Formato Documento Eletrônico (APA)

Pires, Sergio Fernandes Senna. (2010). O que o rosto nos fala?. Instituto Brasileiro de Linguagem Corporal. Recuperado em 2 Dec 2016, de https://ibralc.com.br/o-que-o-rosto-nos-fala/.

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Sergio Senna
Psicólogo, doutor em psicologia (UnB), possui diversas especializações na área de educação, segurança e políticas públicas. Tem larga experiência acadêmica e profissional na interpretação da linguagem corporal, presta assessoria institucional no Congresso Nacional e desenvolve trabalhos acadêmicos nas temáticas da análise da mentira e da linguagem corporal. Veja o currículo completo aqui!
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5 Comments

  1. Tenho notado, com o passar do tempo, que muitas pessoas com as quais eu interajo tem a tendência de avaliar a credibilidade da minha opinião, sugestão ou conselho pela minha aparência e ou idade.
    Creio que essa opinião, pré-conceituosa, tem muita origem da cultura das pessoas.
    Por exemplo, moro no RS, aqui a tendência da população é ”falar na cara”, numa conversa com meu sogro e um amigo dele, ambos sem formação acadêmica, eu comentei que iria pedir demissão do meu emprego, o amigo dele olhou pra mim e disse ”aposto que tu é daqueles que liga pro chefe pra pedir demissão, do que ir na cara dele e falar”.
    1- Opinião totalmente controversa, sendo que ele não me conhece ou se quer conhece minhas atitudes, montou uma opinião baseada em quê?
    2-Julgamento pela minha aparência que no pensamento deles é algo passivo.
    3-O próprio fato de eu ser instruído, pode gerar tal opinião. Sendo que historicamente falando, há uma cidade aqui no estado chamada ”Pelotas” onde foi conhecida regionalmente como a ”cidade dos gays”, pelo fato de que em meados de 60, as famílias ricas da cidade embarcavam seus filhos para estudar no exterior, os quais voltavam educados e instruídos. O que no dito cultural da época, era tendência a homossexualidade.
    O que pode mostrar que a cultura também influi no julgamento da pessoa, já que isso é uma história contada de décadas atrás.
    Não estou dizendo que estou certo nas minhas afirmações, mas usando da lógica: eu sou instruído, eles não, eles foram criados a pensar dessa maneira, pois sendo mais velhos que eu, tiveram mais convívio com tal história. Logo a opinião dele pode ter sido formada de um fato histórico, cultural, associado a minha aparência que pra eles talvez seja omissa. Gerando assim o pré-conceito baseado na minha aparência.
    Outro exemplo, trabalho em hospital, como já falei. Uma das minhas atividades é orientar estagiários a como realizar a profissão que eu exerço.
    Possuo 24 anos, e há um estagiário que tem 35 anos. Quando explico algo para um paciente, alguns poucos tem a tendência de olhar para o estagiário mais velho para ver se ele concorda com o que eu digo, como se ele estivesse me supervisionando.
    Não sei se estou certo nas minhas opiniões e se eu estiver errado, gostaria de um alerta.

    Obrigado!

  2. Olá!!
    Fico muito feliz q o senhor possa abordar este assunto em específico, pois como deve saber, este esporte maravilhoso e intelectual tem tomado grandes proporções em nosso país. Ficaria muito honrada em fazer este curso, assim como todos os outros. Se puderes, gostaria q nos trouxesse uma pequena amostra do conteúdo aqui no site, pois tenho certeza de q outros amantes do poker apreciará suas valiosas palavras.
    Sei q é mesmo o senhor quem responde os comentários, e sei tmb q o tempo é curto para tantos afazeres e por isso demora pra responder, nós compreendemos isso sim rs.
    ficarei no aguardo para qualquer assunto relacionado a poker, mas estarei sempre aqui apreciando seu presente pra nós q é um pouco do seu grande conhecimento.
    Grande abraço

  3. Estou muito feliz em ter descoberto este site, só tem me ajudado… Gosto muito de jogar poker, e como jogadora, sei q em uma mesa real só temos o rosto da pessoa como fonte (física) para analisar um movimento do adversário e entender um pouco dessas expressões da face, pode me ajudar muito não só no poker, mas também em muitos estudos que eu costumo fazer.
    Obrigada pela postagem!!

    • Prezada Joyce, mais uma vez agradeço as suas gentis palavras e o apreço que você demonstra pelo nosso conteúdo.

      Às vezes demoro a responder, pois sou eu mesmo que respondo a todas as postagens, nesse Portal não há escritores fantasmas utilizando o meu nome para agilizar as respostas.

      Fico muito feliz que esse conteúdo simples esteja sendo útil. No último curso desvendando a Face, no Distrito Federal, um jogador de Poker profissonal iniciou a formação de um grupo para que façamos um curso somente voltado a esse assunto, com exemplos e análises de jogos de Poker. É uma boa idéia, não?

      Um abraço e siga acompanhando nossas matérias.
      Sergio Senna

  4. Eu acho que o rosto pode nos indicar muitas coisas mas que não podemos levar em consideraçao apenas ele, pois devemos levar em conta a situaçao da pessoa. Obrigado por este post.

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