Pequenas ou grandes: mentiras são mentiras!

Os elementos da mentira

Costumo receber muitas perguntas sobre a mentira. Percebo como as pessoas se sentem incomodadas quando são vítimas de mentirosos ou mesmo quando têm que conviver com familiares e amigos que desenvolveram o péssimo hábito de mentir.

Nesse contexto mais doméstico, existe um mito de que uma “mentirinha” não tem problema. Alguns chegam até a estimularem os seus filhos a mentirem de vez em quando. Hoje vou explicar por que toda a mentira tem algum tipo de problema.

Você lembra que já expliquei as características da mentira:

  • (1) alterar a informação de alguma forma;
  • (2) estar consciente dessas alterações; e
  • (3) ter algum propósito em fazer isso (para detalhes veja o artigo abaixo):

Sobre os três aspectos da mentira, veja em:


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Três aspectos da mentira

Três coisas que você precisa saber sobre a mentira Muitas pessoas pensam que a mentira é simplesmente contar algo que não aconteceu. Não é bem assim. Para considerarmos que algo é uma mentira, são necessários, ...
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Qualquer coisa que não possua essas características não é considerado mentira. Por exemplo, alguém que se diz Nero, acreditando nisso, está com um comprometimento psicológico, não está mentindo.

Ninguém nasce mentiroso, o que pode ocorrer são alterações orgânicas que promovem ou facilitam determinados comportamentos, nos quais a mentira entra como uma estratégia para enganar as pessoas para atingir determinados objetivos.

É o caso dos psicopatas, que têm sérios comprometimentos em seu Sistema Límbico (das emoções) e que utilizam da mentira para manipular as suas vítimas. Um exemplo disso é a estratégia utilizada por Ted Band com suas vítimas que era usar uma tipoia e uma muleta para que suas vítimas o ajudassem e ficasse mais fácil dominá-las.

Não é desse tipo de mentiroso que tratamos nesse texto. Explicamos aqui a mentirinha boba, dizer que não está quando alguém liga, essas coisas.

 

Por que então essas pequenas mentiras importam?

 

Não existe mentira inocente, pois em alguma medida cada mentira prepara o mentiroso para mentir mais e melhor.Sergio Senna

Se você entender esse processo, estará no caminho para jamais incentivar a mentira em quem quer que seja. Veja o vídeo abaixo:

 

 

O mecanismo psicológico básico é muito parecido com o sucesso na aprendizagem. Há uma “premiação” pelo êxito. Nesse caso, o mentiroso consegue o que deseja por meio da mentira e recebe a “recompensa”. Sob um ponto de vista estritamente comportamental (podem existir outros aspectos) seu comportamento mentiroso é reforçado pelo êxito. Estou aqui tratando do que chamo psicologia 1.0, processos psicológicos muito básicos, sem adentrar argumentações mais sofisticadas.

Por outro lado, se não dá certo ou é descoberto, ele vê os seus intentos frustrados e não atinge o seu objetivo.

É óbvio que, considerando a intencionalidade da ação, que é um dos elementos fundamentais para alguma história ser considerada mentirosa, um mentiroso em formação não vai desistir no primeiro insucesso.

Ele vai tentar analisar o que deu errado e continuar tentando. Mas observe que isso envolve outros processos psicológicos muito diferentes dos que encontramos no caso do sucesso na mentira.

mentiroso

É o mesmo processo da aprendizagem de qualquer assunto. O repetido sucesso aumentará rapidamente a confiança do mentiroso e indicará que está empregando as técnicas certas para enganar, independentemente de maiores elaborações por parte dessa pessoa.

Então, por meio dessa comparação que acabamos de fazer, fica fácil entender o porquê de qualquer mentira ser nociva. Assim como pequenos avanços na aprendizagem de um assunto qualquer preparam para o avanço seguinte, qualquer pequeno êxito na mentira preparará o aprendiz para ser uma melhor mentiroso.

Isso sem debater os possíveis impactos no sistema de crenças e valores dessa pessoa, o que pode levá-la a uma total dessensibilização em relação à mentira, o que a tornará muito proficiente, o que pode incluir até mesmo não exibir os sinais clássicos da mentira.

Por esse motivo, não devemos incentivar ou ensinar as pessoas a mentirem, por mais inocente que pareça o assunto. Nesse sentido, não existe diferença entre mentiras grandes e pequenas.

Hoje ficamos por aqui. Se tiver dúvidas, deixe o seu comentário, pois ficarei feliz em explicar melhor esse tema.

Um abraço

Sergio Senna


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Como citar este artigo:

Formato Documento Eletrônico (ABNT)

PIRES, Sergio Fernandes Senna. Pequenas ou grandes: mentiras são mentiras!. Instituto Brasileiro de Linguagem Corporal. Disponível em < https://ibralc.com.br/pequenas-grandes-mentiras/> . Acesso em 4 Dec 2016.

Formato Documento Eletrônico (APA)

Pires, Sergio Fernandes Senna. (2014). Pequenas ou grandes: mentiras são mentiras!. Instituto Brasileiro de Linguagem Corporal. Recuperado em 4 Dec 2016, de https://ibralc.com.br/pequenas-grandes-mentiras/.

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Sergio Senna
Psicólogo, doutor em psicologia (UnB), possui diversas especializações na área de educação, segurança e políticas públicas. Tem larga experiência acadêmica e profissional na interpretação da linguagem corporal, presta assessoria institucional no Congresso Nacional e desenvolve trabalhos acadêmicos nas temáticas da análise da mentira e da linguagem corporal. Veja o currículo completo aqui!
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