Quais são as técnicas para detecção de mentiras?

O que as técnicas de identificação da mentira possuem em comum?

Existem diversas técnicas e procedimentos para a detecção de mentiras pela linguagem corporal. Por mais diferentes que pareçam, no entanto, compartilham características comuns:

– são métodos ou técnicas que se valem da observação de indicadores indiretos em relação à mentira;

– os indicadores observados, normalmente, têm relação direta com parâmetros do sistema nervoso.

A grande dificuldade em identificar a mentira consiste na correta interpretação dos indicadores corporais, tomando em consideração um determinado contexto de interlocução.

Não é possível afirmar que alguém está mentindo, com segurança e responsabilidade, a partir de um único indicador como “coçar o nariz”, por exemplo.

Diversas alterações ocorrem em nosso sistema nervoso quando mentimos. Parte do trabalho de detecção de mentiras consiste em observar, avaliar e até mesmo medir essas alterações.

Alterações imperceptíveis dos parâmetros do SNA

Seguindo a mesma sistemática da observação do comportamento, existem alguns aparelhos e técnicas que são utilizados para “medir” as alterações imperceptíveis ao olho humano.

Para isso se utilizam os polígrafos ou “detectores de mentira”. Note, que apesar do nome, essa máquina não passa de um medidor de batimentos cardíacos, de pressão sanguínea, de movimentos respiratórios e de condutância da pele combinados.

tecnicas-mentira-poligrafo

Um operador habilitado faz perguntas à pessoa que está sendo submetida ao teste, enquanto os sensores registram o que ocorre em seu corpo.

Após isso, o analista interpreta essas alterações tomando em consideração o tipo de pergunta, sua relação com o que se deseja descobrir e o momento em que as alterações foram registradas.

A foto ao lado, mostra uma dessas máquinas.

Nos países que permitem a sua utilização há muita polêmica sobre os seus resultados. Alguns defendem seu uso com unhas e dentes, outros o abominam. Penso que a sua utilização, dentro dos limites que essas técnicas nos proporcionam pode ser benéfica, sempre tomando os devidos cuidados para não esperar mais do que esses aparelhos e a interpretação dos dados coletados realmente oferecem.

 

No vídeo abaixo o Dr. Sergio Senna apresenta um polígrafo e explica o seu funcionamento:

 

Além disso, são utilizados outros aparelhos, todos com base na mesma premissa: mentir causa alterações no sistema nervoso. Abaixo ilustro dois deles.

Imagem térmica Mede a elevação da temperatura de regiões da face provocada pelo afluxo de sangue.
tecnicas-mentira-termal tecnicas-mentira-termal2
Análise da voz Mede alterações nas características do som provocadas pelo nervosismo.
tecnicas-mentira-analise-voz tecnicas-mentira-voz2

A observação do comportamento

Observar o comportamento de uma pessoa é a técnica mais barata e portátil que existe. Se essa observação puder ser realizada em comparação com o comportamento do próprio sujeito em outras situações, a qualidade da análise pode melhorar bastante.

Quando mentimos, ficamos nervosos, com medo ou raiva. Todas essas emoções ativam nosso sistema nervoso autônomo, produzindo um aumento dos nossos gestos e também de outros movimentos do corpo.

O que vemos, portanto, não é a mentira, mas sim o resultado fisiológico dela por meio do sistema nervoso.

Observa-se também, uma tentativa do mentiroso controlar seu nervosismo ou a expressão de suas emoções quando percebe que está sendo interrogado e vê que ficou nervoso. Nesse caso, percebe-se uma diminuição nos movimentos e gestos, que ocorre numa tentativa do mentiroso tentar esconder sinais que revelam sua agitação.

É por esse motivo que se torna tão importante observar o que chamamos de “linha de base”, que consiste em um padrão de movimentos e gestos habitualmente apresentado por alguém.

Na verdade, quando observamos a agitação de uma pessoa ou a redução de seus movimentos e gestos não significa que esteja necessariamente mentindo, mas que aquele assunto a mobilizou.

Além disso, existe uma grande diferença entre saber que alguém está mentindo e descobrir qual é a mentira. Cuidado com essa diferença.

 

Alterações no Sistema Nervoso Central

Pesquisas têm sido realizadas em países do hemisfério norte com o objetivo de fabricar uma máquina que tenha acesso a um suposto “centro da mentira” no cérebro. Para tanto, utiliza-se a ressonância magnética funcional que registra a ativação de determinadas áreas.

No entanto, difícil é demonstrar que essas áreas estão única e exclusivamente relacionadas com a mentira. Além disso, seu preço é inviável para aplicações investigativas, isso sem falar na impossibilidade de transportá-la ou mesmo dos desdobramentos legais para “obrigar” alguém a passar por ela.

A metáfora da imagem abaixo ilustra bem o que pode ocorrer na prática: o nariz do mentiroso não vai deixar ele “entrar na máquina”.

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Não pretendemos esgotar o assunto com esse breve artigo. Existem outras técnicas e máquinas que nos auxiliam a avaliar se uma pessoa está mentindo sobre determinado assunto, sobre as quais trataremos em outros artigos.

No entanto, tenho preferência pela percepção visual. Com um pouco de treino, aprendendo as técnicas corretas e tendo bom senso, as avaliações são muito precisas.

Seus olhos estão sempre com você, não custam nada e permitem avaliações imediatas. Tomando em consideração os cuidados necessários a uma boa interpretação da linguagem corporal que recomendamos nesse link, você será muito bem sucedido nesse tipo de análise.

Prossiga conosco e aprenda mais sobre esse assunto percorrendo nossas matérias sobre a mentira e faça seu cadastro para receber aviso sobre nossos artigos!


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Como citar este artigo:

Formato Documento Eletrônico (ABNT)

PIRES, Sergio Fernandes Senna. Quais são as técnicas para detecção de mentiras?. Instituto Brasileiro de Linguagem Corporal. Disponível em < https://ibralc.com.br/quais-sao-as-tecnicas-para-deteccao-de-mentiras/> . Acesso em 2 Dec 2016.

Formato Documento Eletrônico (APA)

Pires, Sergio Fernandes Senna. (2011). Quais são as técnicas para detecção de mentiras?. Instituto Brasileiro de Linguagem Corporal. Recuperado em 2 Dec 2016, de https://ibralc.com.br/quais-sao-as-tecnicas-para-deteccao-de-mentiras/.

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Sergio Senna
Psicólogo, doutor em psicologia (UnB), possui diversas especializações na área de educação, segurança e políticas públicas. Tem larga experiência acadêmica e profissional na interpretação da linguagem corporal, presta assessoria institucional no Congresso Nacional e desenvolve trabalhos acadêmicos nas temáticas da análise da mentira e da linguagem corporal. Veja o currículo completo aqui!
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24 Comments

  1. Dr. Sergio,

    Esta técnica do ovo de avestruz mostrada na série realmente existiu em alguma cultura? Estou desenvolvendo uma monografia sobre esse assunto e fiquei interessado sobre essa cena.

    Grato pela atenção.

    Abraços

  2. Olá,
    Gostaria, com este pequeno artigo, elucidar questionamentos acerca do conceito sobre psicopatia, e demonstrar como é possível a utilização da expressão facial como ferramenta auxiliar na percepção desta patologia.

    Sempre temos a ilusória idéia de que psicopatas/sociopatas, são pessoas com distúrbios evidentes, mal vestidas, que sempre cometem homícidios, etc. Infelizmente, esta idéia passa longe da realidade.

    Primeiramente tomemos emprestado dois conceitos sobre psicopatia:

    Psicopatia, conforme Martha Stout define “é o termo mais popular para nos referirmos à sociopatia, distúrbio que se caracteriza pela falta de consciência e que é bem mais comum do que imaginamos, atingindo uma em cada 25 pessoas. Entre seus principais “sintomas” estão: incapacidade de adequação às normas sociais; falta de sinceridade e tendência à manipulação; impulsividade; irresponsabilidade persistente e ausência de remorso.”

    Segundo Ana beatriz Barbosa, “Psicopatas são indivíduos que apresentam um transtorno de personalidade, que se caracteriza por ausência de emoções de forma geral, sentimento de empatia, compaixão, culpa ou remorso. Eles são frios e calculistas, transgressores de regras sociais e capazes de passar por cima de qualquer pessoa para satisfazer seus interesses próprios. Estão infi ltrados em todas as esferas sociais e profi ssionais, disfarçados de executivos, religiosos, bons amigos, pais e mães de família, e não costumam levantar suspeitas sobre quem realmente são. Almejam somente o poder, status e diversão, e são livres de constrangimentos ou julgamentos morais internos..”

    Comprovando a afirmação da caracterização padrão que temos no nosso imaginário, acerca deste distúbio (daquele assassino cruel), gostaria de citar mais um trecho do livro “Meu vizinho é um psicopata”, no qual demonstra através de estatísticas, o quão suceptíveis estamos:

    “Mas o que esses 4% realmente significam para a sociedade? Consideremos as seguintes estatísticas para os problemas de que ouvimos falar com mais frequência: estima-se que a taxa de distúrbios alimentares anoréxicos seja de 3,43%, e eles são considerados quase epidêmicos. No entanto, esse número é menor do que o índice de ocorrência do Transtorno da Personalidade Antissocial. Os distúrbios classificados como esquizofrenia acometem apenas 1% da população – um quarto da incidência da sociopatia – e, segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, o câncer de cólon, cujos índices são considerados “alarmantes”, atinge cerca de 40 em cada 100.000 indivíduos – 100 vezes menos que a personalidade antissocial. Para re sumir, há entre nós mais sociopatas do que pessoas que sofrem de anorexia, quatro vezes mais do que esquizofrênicos e 100 vezes mais do que vítimas de câncer de cólon.”

    Quando falamos em sociopatia, temos que considerar, portanto, seus níveis (desde os mais leves até os mais extremos – desdes os mentirosos nos ambientes coorporativos, os quais se lançam de diversas armas para derrubar seus colegas de trabalhos, enganar chefes, desviar verbas, etc. até os que torturam e matam por mero prazer, ou até “necessidade”).

    Então podemos dividí-los da seguinte forma:
    1. Psicopata comunitário ou de grau leve: “Eles são os psicopatas mais comuns, tendem a exibir poucos critérios e são aqueles que dificilmente matam; entretanto, são os mais difíceis de serem diagnosticados porque tendem a se passar despercebidos no ambiente social, caracterizando o “psicopata comunitário”. Geralmente, possuem inteligência média ou até mesmo maior que a média, mas são frios, racionais, mentirosos, não se importam com os sentimentos alheios e são os psicopatas ditos dissimulados: escondem tais características de forma que pouquíssimas pessoas consigam perceber, são muito manipuladores. Muitas vezes estão ao lado de todos e ninguém consegue perceber isto.” – http://pt.wikipedia.org/wiki/Psicopata
    2. Psicopata  antissocial ou de grau moderado a grave: “. Esses psicopatas têm uma alta tendência a se enquadrarem por exemplo, na categoria serial killers. A maioria apresenta as mesmas características do psicopata comunitário, entretanto apresentam condutas que os colocam contra à sociedade em geral fazendo com que sejam mais facilmente inseridos no meio carcerário. São menos frequentes, entretanto, uma vez que satisfazem quase ou todos os critérios para a personalidade antissocial, eles são aqueles que estão mais facilmente vulneráveis a delitos graves e chocantes.” – http://pt.wikipedia.org/wiki/Psicopata

    Cleckley, estabeleceu, em “A máscara da saúde”, alguns critérios para o diagnóstico do psicopata, em 1976, Hare, Hart e Harpur, completaram esses critérios. Somando-se as duas listas podemos relacionar as seguintes características:

    1. Problemas de conduta na infância.
    2. Inexistência de alucinações e delírio.
    3. Ausência de manifestações neuróticas.
    4. Impulsividade e ausência de autocontrole.
    5. Irresponsabilidade
    6. Encanto superficial, notável inteligência e loquacidade.
    7. Egocentrismo patológico, autovalorização e arrogância.
    8. Incapacidade de amar.
    9. Grande pobreza de reações afetivas básicas.
    10. Vida sexual impessoal, trivial e pouco integrada.
    11. Falta de sentimentos de culpa e de vergonha.
    12. Indigno de confiança, falta de empatia nas relações pessoais.
    13. Manipulação do outro com recursos enganosos.
    14. Mentiras e insinceridade.
    15. Perda específica da intuição.
    16. Incapacidade para seguir qualquer plano de vida.
    17. Conduta anti-social sem aparente arrependimento.
    18. Ameaças de suicídio raramente cumpridas.
    19. Falta de capacidade para aprender com a experiência vivida.

    Gostaria de ressaltar o ponto 14 “Mentiras e insinceridade”, pois utlizando técnicas de linguagem corporal, expressões faciais/microexpressões faciais, podemos tentar detectar traços de incoerência no que está nos sendo dito. Assim, vejo esta técnica como ferramenta mais “prática” para nos afastar de possíveis problemas (sendo um psicopata ou apenas um “mero mentiroso”). Mais uma vez: devemos utilizar a linguagem corporal como uma ferramenta que agregue valor em outros diagnósticos, e não tomá-la como um teste para indicar se alguém é ou não psicopata.

    Então, fica a dica: por terem -os psicopatas- apenas emoções superficiais e até ausência de sentimentos, devemos sempre observar que o que se esta sendo contado desperta uma emoção facial congruente com o que está sendo dito, em caso negativo, temos que ficar em alertas.

    Fontes:

    – Stout, Martha. Meu vizinho é um psicopata. 1ª edição. Sextante, 2010
    – Barbosa Silva, Ana Beatriz. Mentes Perigosas: O psicopata mora ao lado. 1ª edição. Fontanar, 2008
    – PsiqWeb: http://virtualpsy.locaweb.com.br/index.php?sec=91&art=149 . Acessado em 31/08/2011

    ->Recomendo assistir o episódio 11 da 2ª temporada de “Lie to me”, bem como o seriado “Mentes Criminosas”
    Abraços,
    Edinaldo Junior

    • Olá Edinaldo, obrigado por mais essa sua participação no Portal.

      A psicopatia é um assunto que ainda desperta acalorados debates no âmbito da Psicologia.

      Principalmente quanto ao seu diagnóstico e à predição de um possível comportamento violento por parte do psicopata.

      Temos diversos psicólogos e psiquiatras que são leitores de nosso Portal. Vamos dar um tempo para que algumas pessoas postem suas opiniões.

      Um abraço
      Sergio Senna

    • Olá,
      Psicopatia é um assunto tão bom quanto a linguagem facial/micro-expressões faciais. Já estudo o assunto faz algum tempo, e sempre rende bons debates…embora grande parte da população ainda não tenha clareza em relação a este disturbio.
      Abraços,
      Edinaldo Junior

  3. Dr. Sérgio,

    Assisti um episódio de Lie to me, em que citam estudos que mostrariam que usuários de alguns tipos de drogas não reconhecem bem expressões faciais, exceto a de nojo e desprezo (pois essas seriam expressões muito vistas pelos usuários de drogas).

    Aproveitando isso, e entrando em outra área que aprecio bastante (montagem de perfis, com foco em criminosos em série e psicopatas), e entendendo que apesar de manipuladores, psicopatas tem mais dificuldade em identificar expressões faciais e verbais que pessoas sem esse transtorno, poderiamos incluir testes com fotos de expressões faciais, afim de ter mais um indicativo do transtorno?? O que acha? existe algum estudo neste sentido?

    Obrigado!

    Edinaldo Junior

    • Olá Edinaldo, obrigado por mais essa participação.

      Muito tem sido pesquisado sobre o reconhecimento de expressões faciais e as áreas do cérebro envolvidas nessa tarefa.

      A questão do autismo está mais relacionada com a perda da consciência do que ocorre ao redor da pessoa. É como se fosse uma introspecção. Autistas não são pessoas, necessariamente, com deficiência intelectual. Pelo contrário, alguns são mesmo superdotados em certas habilidades.

      Existem algumas variações da perda de atenção. Pessoas consideradas Savantes, por exemplo, possuem altas habilidades em cálculo e evocação de memória pictórica.

      A influência das drogas é diferente. Existem alguns estudos sobre isso e já também foi tema em breves momentos de um dos episódios do Lie to Me.

      Existem muitos tipos diferentes de drogas que provocam diversos efeitos deletérios em nosso sistema nervoso central. Um desses efeitos, é a diminuição da capacidade de decidir, pois muitas drogas atuam no córtex pré-frontal. Diante desse efeito, não é surpreendente que uma pessoa veja uma expressão facial (que às vezes é apenas um pouquinho diferente de outra) e não consiga reconhecê-la.

      Devemos, portanto, separar as questões. O autismo não está relacionado ao uso de drogas.

      Seu comentário nos ajuda a esclarecer esse aspecto aos nossos leitores.

      Obrigado e siga participando
      Sergio Senna

    • Olá,
       
      Primeiramente desculpe se interpretei mal os artigos, talvez não tenha me expressado bem no momento de transcrever.

      São duas áreas distintas, minha intenção foi apenas de demontrar como o estudo das expressões faciais estão sendo apreciados, como mais uma ferramenta de ajuda no diagnostico, nestas duas áreas.

      Quando citou que “Pelo contrário, alguns são mesmo superdotados em certas habilidades.” – Realmente, já havia lido algo sobre isso…
      Espero não ter complicado mais do que ajudado.
       
      Abraços,
       
      Edinaldo Junior

    • Olá,
       
      Só complementando…acabei de assistir um episódio de Lie to me que trata justamente sobre psicopatas e linguagem corporal/microexpressões….muito bom!
      Quem puder assistir, o episódio é 2×11 (Segunda temporada, episódio 11)…
      Como tinha falado anteriormente, ele foi “pego” justamente pela ausência/confusão das expressões faciais.
      Abraços,
      Edinaldo Junior

  4. Sou estudante de psicologia e adorei esse site, ja li varias materias e também fiz os testes… parabéns pelo trabalho de vocês…

    uma curiosidade quais são as profissões que mais se interessam pelo estudo da liguagem corporal??

    desde ja obrigada…

    • Prezada Graci, obrigado pelas palavras de incentivo que se somam aos demais interessados pela linguagem corporal que passaram a conhecer o nosso trabalho.

      Sempre sugiro aos nossos leitores que apreciam o tema, fazer a divulgação do nosso conteúdo aos seus amigos. Temos os botões do Facebbok e do Twitter. Além disso, há o ícone Google+1 que nos ajuda bastante no mecanismo de busca.

      Se você gostou desse artigo, ajude-nos a divulgá-lo! Clique nos ícones do Facebook, Twiiter e no Google+1

      Somos procurados por diversos profissionais.

      Venho desenvolvendo um conteúdo específico para profissionais da segurança pública que é um grupo que tem bastante interesse na abordagem científica que faço.

      Somos também procurados por profissionais que lidam com entrevistas e avaliações (psicólogos, administradores, negociadores e outros interessados em gestão de recursos humanos).

      Outro público que nos procura são pessoas interessadas em perceber, melhor as emoções (suas próprias e dos seus interlocutores).

      Infelizmente, no Brasil, o conhecimento disponível no campo da comunicação não verbal ainda está ligado à auto-ajuda, sem muito suporte científico.

      Nossa abordagem é bem diferente, pois minha ênfase é trazer 100% de conhecimento comprovadamente científico a todo o conteúdo do portal e das minhas aulas.

      Penso que ler dois ou três livros de linguagem corporal não habilita alguém a sair ensinando esse tema por aí.

      Para realizar um trabalho que realmente beneficie as pessoas é necessário responsabilidade, conhecimento e experiência.

      O conhecimento e a prática da interpretação da comunicação não verbal é de difícil aquisição, pois existem muitos mitos na literatura que anda disponível por aí em Língua Portuguesa.

      Siga acompanhando nossas matérias e não esqueça de nos ajudar a divulgar o Portal.
      Saudações
      Sergio Senna

  5. Dr. Sérgio,

    Citando o episódio do Lie to Me, que mostra o Dr. Lightman compra um Ovo de Avestruz e coloca na mão do vendedor de polígrafo, e o mesmo quebra quando vê que a máquina não funciona para detectar mentiras…

    Então realmente significa que analizar a linguagem do corpo e as micro expressões é a melhor forma para detectar mentiras e sentimentos? Ou é balela do seriado?

    Obrigado!

    • Prezado Luis, obrigado pelo seu comentário.

      Vou colocar a cena por você lembrada para ilustrar uma reflexão sobre a detecção de mentiras. Quanto à sua pergunta, ensino aos meus alunos que a linguagem corporal é uma comunicação primitiva. Não utilizo a palavra primitiva no sentido de incompleta ou em desenvolvimento, mas sim que ela está intimamente ligada ao nosso sistema nervoso autônomo.

      Por conta disso, ela é muito apropriada para revelar emoções básicas (medo, surpresa, tristeza, alegria, raiva e aversão). No entanto, assim como discorro em diversas matérias, esse conhecimento deve ser utilizado com parcimônia, equilíbrio e com boa fé.

      Conclusões apressadas podem trazer prejuízos imensos não só para a pessoa que tem a sua linguagem corporal interpretada, mas também para o seu intérprete. Sobre isso, dê uma olhada no artigo:

      http://ibralc.com.br/blog/a-mentira/nao-existe-um-unico-definitivo-sinal-da-mentira/

      Venho utilizando a interpretação da linguagem corporal em meu trabalho há mais de duas décadas. Trabalho com políticos federais diariamente e esse conhecimento me ajuda imensamente. Muitos desses políticos têm habilidades naturais em perceber (e tirar proveito disso) a linguagem corporal das pessoas que com eles interagem.

      Então, diante disso, não posso chegar a outra conclusão senão aquela indicada por milhares de estudos científicos ao redor do mundo: a linguagem corporal é sim reveladora!

      Um abraço e siga participando de nosso portal com seus comentários.
      Sergio Senna

  6. Prezado Sérgio Senna,

    Existe algum estudo que indique que seja mais fácil detectar a mentira em uma entrevista direta (estando claro para todos que estamos ali para tentar detectar uma mentira) ou é mais fácil detectar a mentira quando estamos desprevinidos/relaxados, por exemplo, em um encontro social/festa?? Existe algo que indique isso?

    Sucesso!

    Edinaldo

    • Prezado Edinaldo, obrigado por mais essa colaboração nos debates de nosso Portal.

      Existem diversos estudos sobre a mentira e as situações em que ocorrem.

      No entanto, basta refletir um pouco para chegarmos à conclusão de que as técnicas de interrogatório empregadas pelo Dr. Paul Lightman no seriado Lie to Me não são muito apropriadas.

      Diversos estudos indicam que uma entrevista não confrontativa é o melhor caminho para detectar mentiras. Aqui temos dois raciocínios a fazer:

      1. Se você é um profissional da entrevista (policial, psicólogo organizacional, recrutador etc) – você estará interessado se a pessoa mente ou não. No entanto, para esse trabalho, não adianta muito somente identificar a emoção que a pessoa sente. Sentiu medo, sim, e ai? O que você vai fazer com apenas esse pedaço de informação? Então, uma entrevista dessas, principalmente no campo da segurança pública, precisa levar a pessoa a provas e evidencias que vão além das emoções (que não têm muita validade como provas em um tribunal, por exemplo). Todo o seu trabalho necessita conduzi-lo a evidências concretas da mentira. O estudo das emoções e da linguagem corporal será mais uma ferramenta para esse trabalho.

      2. Se você não é profissional desses que trabalham com entrevistas. Nesse caso não aconselho mesmo esses entrevistas tipo Lie to Me. Que vantagem uma pessoa teria em pressionar o filho ou a esposa daquela forma? Para maiores reflexões, aconselho a leitura do artigo a seguir:

      http://ibralc.com.br/blog/a-mentira/nao-existe-um-unico-definitivo-sinal-da-mentira/

      Na verdade, quanto mais desprevenida a pessoa estiver, mais chances alguém terá de pegá-la na mentira.

      Um dos grandes segredos para ser bem sucedido nessa área é manter o sigilo sobre suas habilidades. No meu caso, isso é difícil pois já sou bastante conhecido. Mas quando possível, o observador da linguagem corporal deve manter sigilo sobre suas observações, tanto para preservar o conteúdo do que observa, quanto garantir a privacidade das pessoas.

      Sobre isso, veja o artigo:

      http://ibralc.com.br/blog/lie-to-me/lie-to-me-setimo-episodio/

      Continue participando de nossos debates.
      Um abraço
      Sergio Senna

    • Olá Sérgio,

      Mais uma vez obrigado pela grande atenção dispendida.

      Li os artigos indicados, e achei muito interessante a frase “Como conclusão, fica aqui o meu conselho: Se você não é um investigador profissional, não haja como um, tentando descobrir mentirosos em cada esquina. Use esse conhecimento com parcimônia e sabedoria. Você viverá uma vida muito mais feliz!”

      Realmente, quando percebo um sinal de “mentira”, tento conduzir a conversa de forma que perceba outros sinais, repetidos ou não. Daí tento complicar a história, para ver o tempo que levam para uma resposta, nível de detalhamento, etc. Ainda me utilizo muito da expressão corporal, mais do que as micro-expressões, pois algumas ainda são muito rápidas e não consigo ligar uma a outra (sempre tento treinar para agilizar/aperfeiçoar a técnica).

      Sinais diretos podem ser “falsos positivos”, estou até pensando em realizar um experimento, para ver no que dá: Pedir para alguém escolher uma carta do baralho, e tentar “adivinhar”, exibindo as cartas e perguntando se aquela é a correta, nisto, tento identificar um sinal e assim acertar a carta. Teste bobo, mais para treinar a habilidade rsrs.

      Mas já percebi que em conversas informais, noto mais se a conversa esta agradando ou não. Numa festa, quando soltei uma brincadeira, embora o colega tenha rido, percebi uma micro-expressão, não vi exatamente qual era, mas me parecia algo negando, como se tivesse chateado, daí já não toquei mais no assunto.

      Um último ponto: parece-me que pessoas relaxadas tendem a exibir micro-expressões mais duradouras, de 0,5sec a 2sec, o que me dá mais margem para ver, tenho ainda dificuldade nas de tempo menor.

      Mais uma vez, obrigado pelas valiosas dicas.

      Abraços,

      Edinaldo

  7. boa-tarde,

    Este assunto muito me interessou, foi de grande valia para mim, li com muita atenção e gostei muito, afinal crio uma sobrinha desde os tres meses de idade, hoje está com 16 e seis meses, e mente muito às vêzes eu chego a pensar que estou ficando louca do tanto que ela mente. Eu gostaria de informar que os irmãos dela também são da mesma forma a mãe também porém com uma diferença ela tem desvio mental. Estou quase enlouquecendo do quanto essa minha filha mente e o que é pior tenho medo que ela me coloque numa situação difícil e perigosa devido as invenções que são absurdas, se duvidar a pessoa até chora e chega a se penalisar das mentiras que são convincentes pra quem não a conhece. Por esse motivo gostaria de receber algo que eu possa ter a paciência de seguir em frente e tentar ajudá-la e principalmente me auto ajudar, afinal eu a amo muito e não tenho condiççoes de pagar um psicólogo.
    um gde abraço, fico no aguardo e desde já meus agradecimentos,

    e-mail: [email protected]
    servidora publica federal

    • Prezada Cesaria, obrigado pelo seu comentário.

      Assim como você narrou, diversas pessoas passam por esse mesmo problema. A mentira vai entrando em nossa vida assim como indiquei em dois artigos que estão disponíveis no Portal:

      http://ibralc.com.br/blog/a-mentira/todas-pessoas-gostam-da-verdade/

      e

      http://ibralc.com.br/blog/a-mentira/por-que-certas-pessoas-mentem-sem-necessidade/

      Veja esses artigos também.

      Uma estratégia de intervenção quanto ao hábito de mentir só ganha sentido quando se analisa o caso concreto em que as mentiras habituais ocorrem.
      Nesses casos é necessário a ajuda profissional de um psicólogo. O sistema de saúde vem disponibilizando, cada vez mais, atendimento psicológico clínico nos Centros de Atendimento Psicossocial (CAPS). Além disso, diversos planos de saúde vêm oferecendo cobertura em serviços psicológicos.

      Meu conselho é que você não deixe o assunto parado. Procure ajuda profissional.

      Saudações
      Sergio Senna

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