Qual nossa reação diante das atuais campanhas publicitárias?

Prezados,

Já perceberam que eventualmente encontramos manifestações contra determinada campanha publicitária nas redes sociais e sites, quase sempre relacionadas ao biotipo ou idade de determinada celebridade? Isso tem relação com a comunicação não verbal. Quantas vezes já não viram debates acerca das curvas da atriz A ou B, ou que determinada cantora parece ser bem mais nova do que realmente é? Interessante perceber que este tipo de reação chega a ser tão adversa, que por vezes resulta em raiva por parte das pessoas, então, seria mais prudente por parte dos publicitários ter um pouco mais de atenção no resultado final na pós produção de suas campanhas?

No artigo “A face da publicidade moderna” abordei de forma inicial o assunto, inclusive relatando alguns casos que geraram polêmicas, recomendo que leiam.

Matérias populistas, como a destacada ao lado, fazem a alegria das pessoas: Que diferença! Veja como são as fotos dos famosos sem a ajudinha do Photoshop

Bom, temos que perceber que tal incômodo, analisando de forma mais superficial, pode estar relacionado à dois aspectos:


  • A percepção que temos dos outros diante do formato do rosto e marcas de expressões na face. Geralmente ao olharmos para alguém, formamos um (pré) conceito acerca da pessoa;
  • Diante das exigências emocionais ditadas pela modernidade, temos que apresentar uma auto imagem irreal, geralmente impossível de se atingir, e quando não conseguimos, geralmente ficamos frustrados.

A comunicação não verbal nas propagandas

Preconceitos - Publicidade - Comunicação Não Verbal - ibralcÉ sempre bom lembrar que o estudo do impacto que a aparência física das outras pessoas causa em nós também é um campo de pesquisa da comunicação não verbal. Existem algumas pesquisas elaborada pelo Dr. Alexander Todorov indicando que o formato dos rostos pode influenciar a percepção que temos das pessoas e que realizamos juízos sobre a competência de outras pessoas com base unicamente na sua aparência facial.

Essa pesquisa foi explanada aqui no portal, no artigo “O que percebemos quando vemos o rosto de alguém?“, e dada nossa atual cultura, é bem mais interessante possuir um rosto sem marcas mais características/fortes (rugas na testa, pés de galinha, bigode chinês, etc) do que um que denuncie um provável período de dificuldade ou simplesmente que o tempo está passando para nós, e que estamos perdendo o aspecto vigoroso da juventude, potência, capacidade de produção, e etc (e não! Não acho que isso esteja certo, apenas citei o que a cultura atual prega como “correto”). Entendem agora o sucesso do botox? ou de programas que suavizam nossas marcas de expressões antes de postar nossa foto nas redes sociais? pois é…

É bastante interessante os “vestígios emocionais” que as marcas das rugas podem deixar em nossa face. Não trata-se de uma ciência exata, mas podemos perceber mudanças na face diante de eventos em um dado tempo. Conheçam o trabalho da fotógrafa Claire Felicie, e vejam como o tempo e as emoções vividas podem marcar nossa face: A história em nossa face.

No entanto, em algum momento, percebemos que esse ideal não existe, e que nossa auto imagem não é tão perfeita como a daquela atriz famosa, e isso por vezes gera frustrações em diversos graus (umas sérias, outras nem tanto), algumas pessoas inclusive chegam a criar vidas virtuais paralelas e desconexas com a realidade.

E este tipo de problema vem crescendo tanto, que aqui no Brasil já saíram propostas para regulamentação das campanhas veiculadas, exigindo que todo anúncio, onde haja manipulação digital de pessoas, exiba o aviso “Atenção: imagem retocada para alterar a aparência física da pessoa retratada.”, sob o argumento de que a saúde dos adolescentes, que ficam influenciados pelas modelos perfeitas que aparecem nos anúncios, desenvolvem transtornos alimentares em busca da perfeição ilusória. Trata-se do Projeto de Lei 6853/10. Já nos países europeus, este tipo de coisa já é regulamentada, e vez por outra vemos casos de pessoas processando a empresa por lá, já aqui, estamos bem distantes desta realidade.

Propaganda Cerveja - IBRALC

Algumas campanhas tiveram grande sucesso justamente por mostrar mais a realidade. O famoso “garoto” propaganda de cerveja acima retrata bem mais a realidade do consumidor do produto (em termos de forma física, e justamente por isto era tomado de forma agradável pelos próprios consumidores do produto). Entretanto, o publicitário insere de forma discreta a ideia de sucesso associado ao produto, já que mesmo os baixinhos e gordinhos teriam chance com a atriz (ou qualquer outra bela mulher).

No entanto, temos que ficar atentos ao pesar a mão sobre esse tipo de debate, afinal, é papel da publicidade impulsionar vendas e tornar marcas conhecidas, tentando sempre vender um sonho e não um produto. Se não fosse assim, não teríamos mulheres e homens (em boa forma, sempre) em propagandas de cerveja (que não é bem a realidade) e aventuras em propagandas de carro (quando vou e volto ao trabalho todo dia não vejo nada da aventura vendida na propaganda).

Uma grande parte da comunicação não verbal é cultural

Cigarro - Publicidade - Comunicação Não Verbal - IBRALCAinda é interessante perceber que a cultura vigente também dita fortemente os rumos da publicidade: uma campanha de um homem ou mulher, bem sucedido, em boa forma física e de sucesso. HOJE, jamais seria atrelada à uma marca de cigarro, fato que OCORREU durante anos, na época em que o cigarro era associado à uma imagem de sucesso, fama e riqueza. Ou seja, existe uma certa simbiose entre a cultura vigente e a publicidade, já que o ponto onde uma repercute na outra não é bem claro…futuramente podemos debater isto melhor. Evidentemente estou ignorando a influência financeira da indústria do cigarro sobre o mercado, o que não vem ao caso aqui.

A recomendação, como sempre, é bom senso por parte dos publicitários, pois os consumidores ainda continuam buscando sonhos ao invés de produtos. No entanto, esse sonho deve estar mais sintonizado com a realidade. Então, é melhor não pesar tanto a mão nos photoshops’s da vida, já que uma pequena ruga aqui ou ali pode tornar a campanha mais atraente.

Até a próxima,

Edinaldo Oliveira


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Como citar este artigo:

Formato Documento Eletrônico (ABNT)

JUNIOR, Edinaldo Oliveira. Qual nossa reação diante das atuais campanhas publicitárias?. Instituto Brasileiro de Linguagem Corporal. Disponível em < https://ibralc.com.br/qual-nossa-reacao-diante-das-atuais-campanhas-publicitarias/> . Acesso em 4 Dec 2016.

Formato Documento Eletrônico (APA)

Junior, Edinaldo Oliveira. (2016). Qual nossa reação diante das atuais campanhas publicitárias?. Instituto Brasileiro de Linguagem Corporal. Recuperado em 4 Dec 2016, de https://ibralc.com.br/qual-nossa-reacao-diante-das-atuais-campanhas-publicitarias/.

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Edinaldo Oliveira

Graduado em ADMINISTRAÇÃO - GESTÃO DE NEGÓCIOS pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Caruaru/PE (2005) e Pós-Graduado em Engenharia de Software pela mesma faculdade, em 2010, além de graduado em Gestão da Tecnologia da Informação, pela ESTÁCIO, em 2014. Diletante do campo da psicologia, com foco no estudo da comunicação não verbal, especialmente no que se refere as expressões faciais, e como esta ferramenta pode ser aplicada em diversas áreas, a saber: segurança, defesa, educação, vendas, nas organizações e na saúde. Além disto, é amante da astronomia, astrofotografia e fotografia.
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