Simulações – Lie to Me – Décimo segundo episódio

Blinded (O imitador) – Simulações.

Temos um dos melhores episódios da primeira temporada, tanto em termos de qualidade da história (com um final que gera uma certa surpresa) Lie-to-mecomo de “revisão” de temas abordados na série, pois abordou assuntos como linha de base, mentira x sociopatia e a emoção do medo (EKMAN, 2009).

Estes conceitos já foram abordados detalhadamente em outros artigos, que elencamos abaixo:

Mas além destes aspectos, existem dois assuntos, que apesar de apareceram rapidamente no episódio, possuem extrema importância na solução dos crimes: existe diferença entre uma verdadeira e falsa emoção, no que diz respeito à velocidade de sua manifestação?

Devemos deixar dois alertas aos leitores:

(1) Com o devido treinamento, podemos aprimorar a forma com que expressamos as emoções, podendo até certo nível simular as mesmas de forma eficiente.

(2) Pessoas com transtorno de personalidade dissocial são mentirosos extremamente eficientes…para entender mais sobre o assunto leiam o artigo “Psicopatia e a mentira

Portanto, estamos tratando no presente artigo, para comparação entre uma emoção “verdadeira” e “falsa”, sobre emoções em indivíduos sem nenhum treinamento específico ou com algum tipo de transtorno. 

Velocidade na manifestação das emoções.

Segundo Damásio (2000) as emoções possuem função social e decisiva no processo de interação. As emoções são adaptações que fazem parte do mecanismo com o qual regulamos nossa sobrevivência orgânica e social.

Conforme citado anteriormente, as emoções básicas podem se manifestar em um contexto social, entretanto, também existem manifestações orgânicas. Por exemplo, podemos sentir medo diante de alguém nos apontando uma arma ou, por outro lado, da ameaça de demissão do nosso emprego: ambos ativam a emoção básica do medo, no entanto, será que se manifestam da mesma forma?

Evidentemente que não, pois já pensou na diferença entre reagir ao medo de estar diante de um ataque eminente de uma cobra e de uma possível situação de perigo social (como o exemplo da demissão)? Na primeira situação, crítica para nossa sobrevivência (orgânica), reagiremos em uma velocidade bem mais rápida, já na segunda situação (de perigo social), passaremos por um longo período de medo, onde o mesmo pode ser alimentado por diversos fatores, tanto orgânicos (como nos alimentaremos se não temos mais renda, por exemplo) e sociais (como seremos vistos perante a sociedade, já que “fracassamos”, pois afinal não temos um emprego “digno”).

Situações “mistas” (social e orgânica, simultaneamente) também podem ocorrer, como por exemplo, a reação emocional de um pai/mãe diante de um perigo eminente do filho.

Veja o vídeo a seguir, apesar do garoto saber todo o traçado da montanha russa, possivelmente já ter visto ela funcionando e o que esperar dela, no fundo ele ainda possui medo, mesmo sendo algo já esperado. Percebam que ele simplesmente não expressa medo imediatamente, de uma vez só, pelo contrário, existe uma formação/elaboração da emoção aos poucos (sorrisos nervosos e medo sutil no início até deflagrar o medo abertamente no meio do caminho). A emoção foi se “construindo” aos poucos, portanto, podemos perceber como se forma uma emoção mais “verdadeira”.

Agora vejam o vídeo retirado do episódio (no caso temos a emoção de raiva se manifestando):

O mesmo estava acompanhando o julgamento (o que tem um certo nível de previsibilidade nos rituais, como por exemplo, sabermos que ficaremos diante do réu, que pode nos fazer sentir raiva ou aversão, dependendo do tipo de crime), o natural, no caso do vídeo, seria percebermos sinais de raiva contida ao longo do julgamento, até finalmente culminar na explosão de raiva…mas não foi o que aconteceu no vídeo.

Recomendamos a leitura do artigo “Expressões faciais fingidas são eficazes?“, de autoria do Dr. Sérgio Senna, onde podemos perceber que “falsas” emoções são utilizadas principalmente no contexto social, para obtermos algum tipo de vantagem. 

 

Como perceber estas emoções fingidas?

No caso do vídeo do episódio de Lie to Me, se tivéssemos como analisar o comportamento desde o início, da pessoa que veio a expressar raiva, deveríamos perceber sinais sutis de raiva ou aversão, com uma repetição crescente até finalmente se manifestar explicitamente. Mas não foi isto que ocorreu, muito pelo contrário, o personagem saiu de uma face neutra para uma expressão de raiva muito rapidamente, e pior, quando percebeu que sua farsa deu certo, manifestou um sorriso de satisfação pelo feito. Portanto, prestem atenção em alguns sinais que podem indicar que uma expressão não é genuína:

(1) Desconfie de emoções que surgem muito rapidamente, afinal, se alguém passou um bom tempo sem expressar nenhuma emoção mais evidente, porque “do nada”, ocorreria uma explosão de raiva, por exemplo?

Este primeiro exemplo é bem comum no nosso cotidiano, afinal, quem já não viu “aquele” bajulador na empresa rir da piada (as vezes sem graça) do chefe?  Geralmente é um riso forte, que parte “do nada” e rapidamente se encerra.

Sempre recomendamos a não fazer análises em ambientes como o do trabalho e da família…não vale a pena empreender tanto esforço para percebermos a intenção de todos que nos cercam, seria demasiadamente estressante, afinal, muitas mentiras nos rondam. O mais importante é aprendermos a demandar energia para fazer uma análise em alguma situação que nos traga risco potencial, com a intenção de nos protegermos de possíveis danos. 

(2) As emoções geralmente são crescentes, portanto, percebam que  existem sinais sutis antes de se manifestarem mais fortemente;

(3) E muito importante, percebam se após a reação “inesperada” ocorre algum outro tipo de emoção, como aversão (após a risada do bajulador) ou um sorriso (após fingir raiva).

Percebendo estas “distorções emocionais”, podemos evitar muitos problemas (principalmente no contexto social) e perceber muitas outras intenções além daquele sorriso ou de uma aparente explosão de raiva.

 

Até a próxima,

Edinaldo Oliveira

 

Referências:

DAMÁSIO, A. O Mistério da Consciência: do corpo e das emoções do conhecimento de si. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.

EKMAN, Paul. Períodico Lie to Me. Disponível em <http://archive.paulekman.com/wp-content/uploads/2009/11/Episode-12-Blinded.pdf>. Acesso em 10 de dezembro de 2012.

 

 


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Como citar este artigo:

Formato Documento Eletrônico (ABNT)

JUNIOR, Edinaldo Oliveira. Simulações - Lie to Me - Décimo segundo episódio. Instituto Brasileiro de Linguagem Corporal. Disponível em < https://ibralc.com.br/simulacoes-lie-to-me-decimo-segundo-episodio/> . Acesso em 2 Dec 2016.

Formato Documento Eletrônico (APA)

Junior, Edinaldo Oliveira. (2012). Simulações - Lie to Me - Décimo segundo episódio. Instituto Brasileiro de Linguagem Corporal. Recuperado em 2 Dec 2016, de https://ibralc.com.br/simulacoes-lie-to-me-decimo-segundo-episodio/.

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Edinaldo Oliveira

Graduado em ADMINISTRAÇÃO - GESTÃO DE NEGÓCIOS pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Caruaru/PE (2005) e Pós-Graduado em Engenharia de Software pela mesma faculdade, em 2010, além de graduado em Gestão da Tecnologia da Informação, pela ESTÁCIO, em 2014. Diletante do campo da psicologia, com foco no estudo da comunicação não verbal, especialmente no que se refere as expressões faciais, e como esta ferramenta pode ser aplicada em diversas áreas, a saber: segurança, defesa, educação, vendas, nas organizações e na saúde. Além disto, é amante da astronomia, astrofotografia e fotografia.
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2 Comments

  1. Esse foi o melhor episódio da primeira temporada, toda a trama que se desenrolou foi sensacional, a maneira que o Dr. lightman resolveu o caso foi incrivel, enganou todo mundo, ate mesmo seus colegas de trabalho que convivem com ele, e que também são especialistas, Genial o episódio.

    • Olá Sylvio,

      Realmente, acredito que seja o melhor episódio mesmo…esse lance que o Lightman fez foi demais…rsrs

      Abraço,

      Edinaldo Oliveira

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