Soubemos o que você fez na sala ao lado.

Soubemos o que você fez na sala ao lado.

Muito se discute acerca de como utilizar a linguagem não verbal para se obter uma “vantagem” em um processo de entrevista para emprego ou promoção, por exemplo, entretanto, neste artigo, discutiremos o outro lado: o da empresa. Como as empresas podem preparar ambientes adequados para um processo seletivo? Tentaremos dar algumas orientações de como planejar um bom ambiente e como interagir nele da melhor forma.

Devemos perceber primeiramente alguns pontos:sala-entrevista

1. Eliminar qualquer tipo de posicionamento de mesa, cadeiras, que lembrem um confronto (o modelo tradicional é a mesa no meio, entrevistador de um lado e entrevistado do outro – evite isso!);

2. Proporcionar um ambiente que possibilite uma visualização do entrevistado em um momento de ausência do entrevistador;

3. Possuir uma sala com um ambiente atrativo e com vários itens – itens de escritório (caneta, borracha, grampeador, etc), diferentes poltronas, cadeiras e até um computador, para podermos observar uma possível interação do entrevistado com tais itens.

Vamos explicar em mais detalhes os três pontos citados acima.

 

Observando o entrevistado

O primeiro ponto nos remete ao problema do tradicional modelo de entrevistas: sala com um ambiente indiferente e frio (é apenas mais uma sala do escritório), e geralmente a seguinte  disposição de mesa e cadeiras:

sala-mesa1

Neste posicionamento, os interlocutores ficam frente a frente, podendo criar um clima não tão favorável, a mesa apenas contribui para este resultado, servindo como “barreira” entre os dois. Baseando-se nisso, porque as empresas ainda insistem em propagar este tipo de modelo? 

Este tipo de formato em nada colabora na melhor percepção do entrevistado, o nervosismo geralmente é bem comum – por parte do entrevistado – durante o processo, então, porque não tornar o processo mais tranquilo? Um clima menos tenso será mais produtivo.

sala-tradicional-entrevistaFormato tradicional de entrevista

Portanto, pense em dispor de mesas redondas, sofás, cadeiras posicionadas mais próximas, entre outros itens, no ambiente onde será feita a entrevista, trazendo um tom mais informal e deixando assim o candidato mais tranquilo para a entrevista.

Para um melhor entendimento no posicionamento das cadeiras e mesa, recomendo a leitura do artigo “Diz-me onde sentas, e te direi quem és“.

O item dois e três estão inter-relacionados, pois devemos ter um ambiente que propicie visualizarmos o entrevistado de fora da sala, bem como, aproveitando-se deste fato, observar como ele reage em relação ao tempo de espera e os itens disponíveis na sala.

Devemos proporcionar um ambiente diverso, para que o entrevistado escolha como interagir com o local, pois assim podemos observar seu comportamento não verbal de uma maneira mais eficiente.

Observem agora um projeto de um escritório que favorece o processo de entrevista – para ampliar clique na imagem:

sala-1sala-2sala-3Fonte: Autoria própria.

Notem que a sala maior -onde a entrevista ocorre- esta repleta de itens colocados propositalmente: a entrevista poderá ocorrer na mesa redonda, facilitando a aproximação entre o entrevistado e entrevistador, e até no sofá (dependendo do nível de interação desejado, pois pela proximidade, teremos a vantagem de tornar o clima mais informal, entretanto, a mesma situação pode causar desconforto pela extrema proximidade logo no início da entrevista, assim, devemos ter cuidado neste ponto).

Mas, por outro lado, como o entrevistado se comportaria se fosse pedido para aguardar o início da entrevista, sozinho, na sala? O que ele faria lá? Digamos que o entrevistador teve um “imprevisto” e atrasará 30 (trinta) minutos, o entrevistado aguardará sentado no sofá ou na mesa? Irá ler um livro? Assistir televisão? Olhar o aquário ou acessar a Internet? Cada atitude dessa poderá ajudar a traçar um perfil inicial do entrevistado. E mais: ele aguardará pacientemente os 30 minutos ou demonstrrá impaciência?

Note que existe um “espelho falso” acima do sofá, e logo atrás uma outra sala, menor. Nestes 30 minutos de “atraso”, poderemos observar como o entrevistado se comporta, se possui um perfil mais tranquilo/agitado ou se ficará mais à vontade no ambiente ou mais contido, por exemplo.

O espelho seria uma saída ao uso de câmera, que para ser utilizada, por segurança, deve-se solicitar a autorização do entrevistado, tirando assim o elemento surpresa. O espelho é um meio menos óbvio de se perceber que estamos sendo observado, ao contrário de câmeras.

Existem outras possibilidades como, no meio da entrevista, se ausentar rapidamente para resolver algo, e observar o comportamento do entrevistado neste tempo (e como ele utiliza este tempo). Utilizando-se do mesmo método, podemos também medir interações de um grupo, de forma mais à vontade, pois estarão “sozinhos” na sala.

Os padrões mudam

Existe um vídeo bastante interessante, demonstrando como a linguagem não verbal pode auxiliar na condução interrogatórios. Apesar de ser um assunto diferente, gostaria que assistissem o vídeo, e observassem como a linguagem não verbal pode nos dizer muito sobre um “entrevistado”, e notem, que na ausência do policial, o “entrevistado” interage com algumas coisas deixadas na mesa, achando que estava sozinho, o que terminou complicando ainda mais sua situação.

Nos Estados Unidos é permitida a filmagem do primeiro interrogatório. Não afirmamos aqui que concordamos com todos os indicadores citados na reportagem, mas utilizamos o vídeo para destacar a importância da interação do sujeito com os itens dispostos na sala, demonstrando assim a relevância de tal observação.

 Polícia usa psicologia para que suspeito confesse crime – Clique na imagem para assistir.

 Fonte: http://tvuol.uol.com.br/assistir.htm?video=policia-usa-psicologia-para-que-suspeito-confesse-crime-0402CC9B3064D0892326

A linguagem corporal do suspeito do crime segue um padrão no início do interrogatório, entretanto, quando confrontado pelo policial – que informava já saber que o suspeito tinha culpa (após observar incongruências não verbais com o que estava sendo falado) –  o padrão muda radicalmente, aí sim, vemos o “verdadeiro” suspeito falando.

Percebam o quanto podemos agregar ao processo de entrevista nos utilizando de um ambiente preparado para tal atividade, bem como com o uso da análise corporal. Evidentemente que não descartamos o uso de fichas profissiográficas.

“A ficha profissiográfica, também denominada ‘ficha de especificação’, é o produto das informações transmitidas pela análise do cargo, requisição de empregados e outros instrumentos afins, caracterizando as aptidões, habilidades e os aspectos da personalidade necessários ao pleno exercício de um determinado cargo” (Carvalho, 2000).

O custo para desenvolvimento de tal ambiente e das técnicas de análise corporal são aceitaveis, diante de suas consequências: funcionários mais adequados às atividades, maior satisfação, comprometimento e uma menor taxa de rotatividade/turnover.

Avalie o ambiente de entrevista da sua empresa. Ele pode melhorar? O que falta para isso?

 

E você? O que pensa sobre isso? Deixe-nos o seu comentário!

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Edinaldo Oliveira

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Como citar este artigo:

Formato Documento Eletrônico (ABNT)

JUNIOR, Edinaldo Oliveira. Soubemos o que você fez na sala ao lado.. Instituto Brasileiro de Linguagem Corporal. Disponível em < https://ibralc.com.br/soubemos-o-que-voce-fez-na-sala-ao-lado/> . Acesso em 4 Dec 2016.

Formato Documento Eletrônico (APA)

Junior, Edinaldo Oliveira. (2012). Soubemos o que você fez na sala ao lado.. Instituto Brasileiro de Linguagem Corporal. Recuperado em 4 Dec 2016, de https://ibralc.com.br/soubemos-o-que-voce-fez-na-sala-ao-lado/.

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Edinaldo Oliveira

Graduado em ADMINISTRAÇÃO - GESTÃO DE NEGÓCIOS pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Caruaru/PE (2005) e Pós-Graduado em Engenharia de Software pela mesma faculdade, em 2010, além de graduado em Gestão da Tecnologia da Informação, pela ESTÁCIO, em 2014. Diletante do campo da psicologia, com foco no estudo da comunicação não verbal, especialmente no que se refere as expressões faciais, e como esta ferramenta pode ser aplicada em diversas áreas, a saber: segurança, defesa, educação, vendas, nas organizações e na saúde. Além disto, é amante da astronomia, astrofotografia e fotografia.
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