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Este conteúdo vai te ajudar a:
✔ entender como surgiu o Sistema de Codificação da Ação Facial (FACS)
✔ aprender o que o FACS realmente descreve (e o que não descreve)
✔ evitar erros comuns na interpretação de expressões faciais
✔ compreender os limites científicos da leitura emocional facial
✔ usar sinais faciais com mais rigor analítico
Visão geral rápida (antes de entrar nas abas)
O Sistema de Codificação da Ação Facial (FACS) é um método científico criado para descrever os movimentos musculares do rosto, não para identificar emoções diretamente.
Ele opera em cinco níveis analíticos:
• observação dos movimentos faciais
• identificação de padrões recorrentes
• consideração do contexto
• formulação de hipóteses interpretativas
• reconhecimento dos limites da inferência
Ignorar qualquer uma dessas etapas amplia erros de leitura emocional.
Enquadramento analítico do Sistema de Codificação da Ação Facial (FACS)
O FACS foi desenvolvido por Paul Ekman e Wallace Friesen (1978) com um objetivo claro:
👉 criar uma linguagem científica para descrever todos os movimentos faciais humanos possíveis.
O sistema fragmenta a expressão facial em Unidades de Ação Muscular (Action Units – AUs), cada uma correspondendo à contração de músculos específicos do rosto.
O ponto central:
➡ o Sistema de Codificação da Ação Facial (FACS) é descritivo, não interpretativo.
Ele mostra o que se moveu, não o que a pessoa sentiu.
Como o Sistema de Codificação da Ação Facial (FACS) se conecta à leitura emocional
O FACS passou a ser usado em pesquisas sobre emoções porque:
✔ permite observar movimentos com precisão
✔ padroniza descrições faciais
✔ facilita comunicação científica
Mas há um problema central:
👉 movimentos faciais ≠ emoções.
As expressões são apenas respostas emocionais parciais, não o fenômeno emocional completo.
Para os que desejam aprofundar…
Unidades de Ação
Unidades de Ação do FACS
Veja, abaixo, algumas unidades do FACS que interessam à descrição de emoções:

🧠 AU1 — Levantador interno da sobrancelha
Eleva a parte interna das sobrancelhas, ampliando o olhar. Comum em surpresa, tristeza ou atenção súbita.
👁 AU2 — Levantador externo da sobrancelha
Eleva a parte externa das sobrancelhas, abrindo o campo visual. Relaciona-se a surpresa e interesse.


😠 AU4 — Corrugador do supercílio + Prócero
Puxa as sobrancelhas para baixo e para o centro, formando rugas verticais. Frequente em raiva, concentração ou preocupação.
😳 AU5 — Levantador da pálpebra superior
Abre mais os olhos, expondo maior área da íris. Aparece em surpresa, medo ou alerta.


🙂 AU6 — Orbicular dos olhos (bochechas elevadas)
Eleva as bochechas e estreita os olhos. Essencial no sorriso genuíno (sorriso de Duchenne).
🤢 AU9 — Enrugamento do nariz
Levanta o lábio superior e enruga o nariz. Associado a nojo ou repulsa.


😬 AU10 — Levantador do lábio superior
Eleva o lábio superior, expondo os dentes. Surge em nojo, desprezo ou reações aversivas.
😁 AU11 — Zigomático menor
Puxa os cantos da boca para cima.


😁 AU12 — Zigomático maior
Puxa os cantos da boca para cima. Base do sorriso.
😏 AU14 — Bucinador (assimetria da boca)
Puxa a boca para um lado. Relacionado a desprezo, dúvida ou ironia.


😞 AU15 — Depressor do ângulo da boca
Puxa os cantos da boca para baixo. Frequente em tristeza ou frustração.
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Navegue pelas abas para aprofundar o que você aprendeu.
Sistemas de Codificação Facial
Sistemas para descrever as microexpressões faciais
O Sistema de Codificação da Ação Facial (Facial Action Coding System – FACS) foi proposto por Paul Ekman e Wallace Friesen, em 1978, para descrever as expressões faciais humanas. Ao longo dos anos, vem servindo como ferramenta descritiva das expressões faciais e tem sido empregado em diversos trabalhos científicos sobre emoções.
O FACS pode ser utilizado para descrever qualquer expressão facial anatomicamente possível, isolando as unidades de ação muscular (Action Units – AU). Uma vez que as unidades de ação muscular são independentes de qualquer interpretação, elas podem ser usadas em conjunto com outros descritores, o que inclui a sua associação ao reconhecimento de emoções básicas, ou a comandos em sistemas de realidade virtual.
A publicação de Ekman e Friesen (1978) é extensa e pode ser utilizada para descrever todos os movimentos faciais. Quando a codificação descritiva é associada a um sistema interpretativo, os significados dos movimentos podem ser reconhecidos. Por exemplo, assim como a interpretação do movimento muscular, a ação de músculos que elevam o lábio superior, levantam a bochecha e ajudam a fechar os olhos, pode ser usada para distinguir entre dois tipos de sorrisos:

A: Sorriso sem sinceridade formado apenas pela contração do músculo zigomático maior;
B: Sorriso espontâneo, formado pela contração do zigomático maior, por outros músculos levantadores do lábio superior e pelo orbicular do olho.
A utilização sistemática do F.A.C.S. necessita de treino extensivo, e sua aplicação no cotidiano não é simples, necessitando do muito treinamento especializado. Esse tipo de sistema, como outros, possui a vantagem de poder ser associado às emoções (mediante um processo interpretativo) pelas funções que os músculos exercem em apresentá-las na face.
Sua praticidade é tal que vem sendo empregado em sistemas automatizados de reconhecimento facial e em jogos eletrônicos em personagens que chegam a apresentar micro-expressões.
Modelos de rostos são usados em programas como o Alfred ou o Artnatomy (utilizado no curso Desvendando a Face) , que permitem a configuração artificial da expressão facial por meio da escolha das unidades de ação desejadas.


Como ser um especialista?
Como ser um especialista em Linguagem Corporal, Analise da Mentira
Você pode ver a orientação que damos sobre esses tópicos nas seguintes postagens:
O que é o EMFACS?
O que é o EMFACS [Emotion FACS]?
No portal do Ekman Group consta a seguinte explicação sobre o EMFACS [apresento uma tradução livre, mas recomendo que você leia no original]:
“
EMFACS (Emotion FACS) é uma aplicação seletiva de pontuações do FACS, nas quais os codificadores pontuam apenas o comportamento que provavelmente terá significado emocional. Para fazer isso, o codificador examina o vídeo em busca de combinações básicas de eventos que sugerem certas emoções. (…) Portanto, o EMFACS é o FACS aplicado seletivamente. O EMFACS economiza tempo, pois não se codifica tudo.
A desvantagem é que pode ser mais difícil obter um acordo entre os codificadores no EMFACS, pois os codificadores precisam concordar em duas coisas: 1) qual evento codificar e 2) qual código atribuir aos eventos selecionados. [grifos nossos]
“
♦ DICA
Nosso grifo é para mostrar que o difícil não é codificar, e sim discriminar as emoções no meio de outros eventos, selecionar o que interessa no dado contexto específico e interpretá-las, considerando tudo isso e mais outras informações disponíveis.
A própria explicação da equipe do Ekman Group deixa claro as dificuldades associadas à discriminação dos eventos e à interpretação das emoções.
Por isso é mais fácil elaborar e vender um processo de codificação do que um processo interpretativo geral.
Sobre isso veja mais em FACS Certified Coder – O que é isso?
Características do FACS que são desvantagens na codificação das expressões faciais de emoções
A primeira desvantagem, como anteriormente dito, é que os codificadores precisam selecionar os mesmos eventos [expressões faciais], o que dificilmente ocorrerá, se duas ou mais pessoas estiverem fazendo a codificação.
A segunda é que, mesmo que os codificadores escolham os mesmos eventos, nada garante que a codificação realizada por pessoas diferentes será igual.
A terceira e, na minha opinião, a que pode gerar confusão qualitativa e conceitual sobre emoções, consiste na confusão pelo estabelecimento de uma relação entre a intensidade da expressão facial e a intensidade da emoção experimentada.
♦ ATENÇÃO
Não existe como relacionar a intensidade da expressão facial ou da contração muscular com a intensidade de uma emoção. Simplesmente isso não é possível, devido ao elevado grau de subjetividade da experiência e dos processos de significação de uma emoção.
Essa possibilidade de erro advêm da própria sistemática de codificação em si, composta por um conjunto de números e letras. Os números indicam as unidades de ação muscular ou os movimentos observados. As letras [de A até E] indicam a intensidade do movimento. Essa construção é bastante válida no contexto de um sistema meramente descritivo do movimento facial [que foi o objetivo inicial do FACS].
Seu propósito inicial e primário era ser uma “linguagem” para que fosse facilitada a comunicação científica sobre os movimentos faciais. Entretanto, seu uso primordial para descrever as expressões faciais de emoções pode acabar por conduzir ao erro crasso em associar univocamente a intensidade das expressões faciais à experiência subjetiva da emoção.
Faz mais de uma década que eu venho apontando para esse problema. Como a emoção é um fenômeno complexo, composto, no mínimo, por 3 elementos: (1) ativação fisiológica; (2) experiência subjetiva consciente ou não-consciente; e (3) tendência para um comportamento; uma pessoa pode movimentar a face de forma intensa, mas não experimentar essa emoção na mesma medida.
Isso ocorre, por exemplo, em parte dos golpes nos quais o criminoso(a) deseja mobilizar as emoções de sua vítima. Creio que essa afirmação dispense maiores demonstrações, pois todos sabem do que estou falando. É a manipulação pela empatia com as emoções.
Essa técnica é utilizada pelos golpistas, por exemplo, para desviar a atenção das pessoas enquanto a troca de algum produto está sendo feita durante um golpe.
Espero ter atingido o meu objetivo que era oferecer condições para que você esteja melhor informado sobre o FACS.
Referências
Referências
Ekman, P. & Friesen, W. (1978). Facial Action Coding System: A Technique for the Measurement of Facial Movement. Consulting Psychologists Press, Palo Alto.
Artigo originalmente publicado em: 19 de jan de 2013, revisado e ampliado em 17/10/2023 e em 2026.
Boa leitura
Sergio Senna


