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A Engenharia Biológica da Decisão: O Papel Central do Sistema Límbico

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O sistema límbico e nossas emoções

Prosseguindo em nosso propósito de trazer informação básica e proveitosa ao estudo da comunicação não verbal, trataremos do Sistema Límbico, que é a principal parte responsável pelas nossas emoções.

 

O nosso propósito aqui é apenas incentivá-lo a conhecer mais sobre esse tema e mostrar a relação de nossa fisiologia com o comportamento não verbal.

 

A pesquisa tem nos dado algumas idéias de como funciona este sistema. Na história das neurociências estão registradas as experiência de José Manuel Rodriguez Delgado, um neurofisiologista que implantou eletrodos num local especifico do sistema límbico de um touro de corrida.

Veja o vídeo abaixo:

Os eletrodos implantados estavam equipados com um receptor de radio e, quando recebiam um sinal do emissor uma corrente elétrica viaja de um eletrodo a outro e estimulava as respectivas células. Assim que a ferida da operação sarou, o touro foi levado para uma arena, e da forma tradicional, provocado furiosamente pelos toureiros. Delgado entrou na arena e provocou o touro que avançou para ele de cabeça baixa para atingí-lo com os seus chifres.

Quando o touro estava apenas a poucos metros de si, Delgado premiu um botão do emissor, que transportava, gerando um estimulo no cérebro do touro, que acalmou-se imediatamente. Os esforços dos toureiros para enraivecer o touro não tiveram qualquer sucesso enquanto o cérebro do touro continuasse a ser estimulado por Delgado.

Apenas com o estímulo de outra parte do sistema límbico, comandada por outro botão, o touro foi trazido de novo a um estado de raiva sem qualquer intervenção dos toureiros. Ficou evidente que as células nas quais foram implantados os eletrodos regulam a raiva e a tranqüilidade.

As células afetadas estavam localizadas na amígdala, um componente do sistema límbico. De uma forma semelhante a esta, ratos e outros animais podem, pela estimulação seletiva de outras partes do sistema límbico, ser motivados para comer, recusar comida ou serem estimulados sexualmente. Em resumo, o sistema límbico regula algumas das mais vitais emoções.

Estes efeitos também podem ser evocados nos humanos. A primeira vez na qual se demonstrou que os sistemas no cérebro límbico, geram e inibem comportamentos de ataque foi com um paciente, Thomas R. Thomas, cujo principal problema era a sua fúria violenta.

Foram implantados eletrodos na sua amígdala e a estimulação diária de uma parte especifica manteve-o livre de ataques de raiva durante dois meses. Como não é possível continuar este regime ao longo da vida do paciente, já que as partes da sua amígdala quando estimuladas foram eletricamente destruídas. Subseqüentemente, os seus ataques de raiva acabaram.

Doenças nestes mecanismos reguladores conduzem a desordens comportamentais caracterizadas por variações fortes nos desejos: bulimia, anorexia nervosa, psicopatia, etc. Existem diversos estudos que relacionam uma boa parte do efeito viciante de algumas drogas à sua influência nos receptores localizados no sistema límbico. Cria-se assim, uma “mémória” da droga.

Além do já referido, o sistema límbico influencia também o sistema hormonal por intermédio da hipófise, uma pequena glândula unida à base do cérebro. Assim, nossas emoções acabam influenciando todo o nosso sistema hormonal, e todas as consequências que disso advém.

E por último, o sistema límbico, em especial a zona relacionada com o hipocampo, tem um papel importante na memória.

O sistema límbico está presente nos peixes, mas alcança o seu desenvolvimento total nos répteis. A figura abaixo, ilustra a complexidade do processo decisório e a participação do Sistema Límbico (a parte biológica), sem falar no conteúdo, na parte simbólica, nossas crenças e valores que também participam nesse processo. 

Fonte: INEC USP

 

Qual a relação desse conhecimento com a linguagem corporal e as emoções?

 A importância de conhecermos o Sistema Límbico reside no fato de que a linguagem corporal é, por excelência, a linguagem que revela as emoções básicas. É fundamental que compreendamos que o funcionamento de nosso sistema nervoso não abandona as estruturas mais antigas quando novas áreas e funções são acrescentadas.

Nossa experiência humana é um complexo que engloba a cultura, mas que tem muito mais relação com o orgânico do que imaginamos. Para uma boa análise do comportamento não verbal é necessário entender que os processos emocionais básicos também regulam nosso comportamento, assim como uma grande parte de nossas crenças e valores conscientes que, por vezes, nos permitem superar os primeiros “arrobos” emocionais.

 

Esse é outro aspecto importante para a análise do comportamento: reconhecer uma emoção básica é apenas uma parte do trabalho. A segunda coisa mais importante é imaginar se o sujeito dessa emoção se deixará orientar por ela, ou utilizará de outras estratégia e processos para apresentar um comportamento diferente do esperado.

 

É por causa dessa “concorrência” de reguladores do comportamento que você, muitas vezes, não se “deixa levar” pela primeira emoção ou “impulso”, mas age com “a cabeça”.

“Dar a outra face” quando é ofendido é um exemplo disso, uma vez que a vingança ou uma reação de raiva pode ser esperada e até compreensível e socialmente aceitável.  

Dessa maneira, entender o funcionamento do Sistema Límbico é entender um dos limitadores da cultura e de sua influência nas decisões humanas.  Esse funcionamento “básico” ainda é muito poderoso.

Veja mais sobre esse assunto na Wikipedia:

 

[wikibox]limbic system[/wikibox]

 

Como citar este artigo:

Formato Documento Eletrônico (ABNT)

PIRES, Sergio Fernandes Senna. [post-name]. Instituto Brasileiro de Linguagem Corporal. Disponível em < [permalink]> . Acesso em [data-php].

Formato Documento Eletrônico (APA)

Pires, Sergio Fernandes Senna. (2012). [post-name]. Instituto Brasileiro de Linguagem Corporal. Recuperado em [data-php], de [permalink].

 

Ficamos por aqui.

Saudações

Sergio Senna

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