A mentira faz parte da experiência de todos os seres humanos. Em uma grande parte das vezes somos vítimas dela nas situações cotidianas, como nas compras que realizamos ou nas situações laborais.
Outro cenário, é sermos protagonistas da mentira, contando algumas lorotas aqui e ali.
Em todos os casos, é impossível viver sem contato com a mentira.
Nesse contexto, é importante entender que nem todas as mentiras que enfrentamos têm alto poder destrutivo.
Mentir com eficiência requer muita atenção, uma memória prodigiosa e bastante controle emocional.
Quando enfrentamos esse tipo de mentira, estamos diante da real possibilidade de sofrermos prejuízos reais.
Felizmente, não estamos sujeitos a esse tipo de engano com muita frequência e, quando estamos, podemos tomar algumas medidas para diminuir os riscos que corremos.
No entanto, os estudos científicos mais recentes nos indicam que 15% das pessoas possuem uma habilidade especial para não deixar transparecer os sinais clássicos da mentira.

É importante não tirar conclusões erradas a partir dos dados. A pesquisa não levanta que 15% das pessoas são mentirosas, mas que, se mentirem, não apresentarão os seus sinais clássicos como a lentidão para articular as idéias, a surpresa diante de perguntas inesperadas, a satisfação quando chega à conclusão que conseguiu enganar (duping delight) e os indícios gerais de ativação do sistema nervoso autônomo que tratamos no post sobre o terceiro episódio da série Lie to Me.
Esse é um dado significativo para ficarmos alertas e procurarmos reduzir os comportamentos que podem contribuir para que alguém seja enganado, como por exemplo:
(a) adquirir bens sem ter as informações suficientes ou obtê-las apenas de uma fonte;
(b) acreditar na fantasia de que nunca será enganado;
(c) agir por impulso e motivado pela ganância ou vaidade.
A nossa percepção pode ser treinada para perceber detalhes que revelam a possibilidade de alguém estar representando um papel e, consequentemente, mentindo para nós. Esse treinamento, pode ser realizado em vários níveis e passa pela percepção de micro-expressões na face, pela interpretação do movimento corporal com a finalidade de identificar o que se chama inconsistência não verbal (quando as palavras dizem uma coisa e os gestos a face indicam outra).
Nos demais artigos da série sobre a mentira, desenvolverei mais sobre os aspectos da subjetividade humana que podem se tornar “calcanhares de Aquiles” para muitas pessoas e sobre os sinais da mentira.