Lie to Me – Nono episódio

A vida não tem preço (Life is Priceless)

Assim como em outros episódios, existem diversos temas para comentar. Escolhi dois que considero muito importantes para aqueles que estão estudando a interpretação da comunicação não verbal e que desejam tornarem-se bastante efetivos em suas análises.

lie-to-me-pacote

O primeiro desses aspectos tem relação com um dos principais motivos que levam as pessoas a mentirem, mas também a serem enganadas pelas mentiras alheias: a ganância.

O segundo, diz respeito a um dos indicadores que podem significar que as pessoas já se conheciam ou têm intimidade uma com a outra.

Passemos, então, a pontuar os aspectos anteriormente mencionados.

 

Mentir por ganância é muito comum, ser enganado por causa dela é mais comum ainda

Uma das maiores fragilidades que uma pessoa pode trazer para a sua vida é tornar-se gananciosa. Acredito que, ao lado da vaidade, esse é um dos principais motivos pelos quais as pessoas enganam e são enganadas. A pessoa que se deixa envolver pela ganância ou pela vaidade fica incrivelmente vulnerável. É como se ficasse “cega” à realidade que a cerca.

Veja o vídeo abaixo que se trata de uma reportagem exibida no Jornal Hoje do dia 9 de maio de 2011.

[videojs mp4=”http://ibralc.com.br/videos/lie-to-me/picaretas-paco.mp4″ preload=”auto” autoplay=”false” width=”400″ height=”300″ id=”movie-id” class=”aligncenter” controls=”true”][/videojs]

Inacreditável! Essa é a única palavra que encontro para expressar minha surpresa acerca do assunto.

Como alguém pode cair em um golpe desses? Pense bem. Uma pessoa deixa cair um pacote de dinheiro. Outra acha e se propõe a dividir com você que vem atrás? Heim????

Que pessoa altruísta! Logo o tema muda e ela se propõe a te dar todo o dinheiro em troca daquela ninharia que você tem na bolsa ou carteira….. Incrível, quanta generosidade!

Perceba que em nenhum momento do golpe se fala em devolver o dinheiro ou procurar o verdadeiro dono……

O que, na verdade, está sendo trabalhado pelo golpista é a ganância da pessoa. E pasme você, esse é o golpe mais aplicado no Distrito Federal. Já foi alvo de campanha educativa da Polícia Civil. Que coisa curiosa, a polícia tem que ensinar as pessoas a não serem gananciosas… e eu penando que eram nossos pais que ensinavam isso…..

No episódio, vemos que muito da trama gira em torno da ganância, da vantagem desenfreada e da propina.

 

[box type=’warning’]

Fique atento a como a ganância ronda a sua vida e você terá maior proteção contra alguns golpes.

Por outro lado, o golpista, ao ver que você não é sensível a essas ofertas, procurará outra vítima. Além disso, para reconhecer um golpista desses, preste atenção às suas expressões faciais. Microexpressões de surpresa, raiva ou desprezo podem surgir quando ele perceber que você não cairá no golpe.[/box]

 

O espaço mantido entre as pessoas revela suas relações

Devido à importância desse assunto, tenho desenvolvido uma série de artigos sobre a proxêmica, o campo da comunicação não verbal que estuda o espaço que as pessoas mantém entre si e entre os objetos.

Nesse episódio, existe uma cena em que o Dr. Ligthman comenta esse aspecto, mas a representação não foi bem executada. Vejamos a cena:

[videojs mp4=”http://ibralc.com.br/videos/lie-to-me/lie-to-me-1.mp4″ preload=”auto” autoplay=”false” width=”400″ height=”300″ id=”movie-id” class=”aligncenter” controls=”true”][/videojs]
Observe bem a cena acima. Caso seja necessário reveja diversas vezes. A observação do Dr. Lightman não é precisa. Quando ele atenta para o fato das pessoas que conversam estarem a menos de 30 cm uma da outra, não é isso que vemos aos 7 segundos do vídeo. As pessoas estão longe o suficiente para não interpretarmos que já se conheciam antes. Na sequência da cena, a posição é corrigida para algo mais próximo aos 12 segundos.

 

Outro indicador divergente é a forma como os atores se abraçam. Caso houvesse mesmo uma intimidade anterior, veríamos as barrigas se tocarem. No entanto, o que vemos na cena é um certo desconforto no abraço. Penso que os atores deveriam ter sido melhor orientados para não confundir as pessoas que acompanham o seriado.

O que mais me assusta nesse seriado são as conclusões tão sérias que chegam a partir de tão poucos indicadores…. Não pense que todos os profissionais interpretam a linguagem corporal dessa mesma forma inconsequente.

Vejo nosso artigo mais completo sobre a proximidade no abraço nesse link.

 

[box]Essa é uma das dificuldades de quem quer aprender a interpretar a linguagem corporal por meio desse seriado. Nem sempre as cenas são precisas e didáticas o suficiente. Como o “aluno” também não pode perguntar e tirar a suas dúvidas, a aprendizagem ficará prejudicada.[/box]

 

Caso você realmente queira aprender a interpretar a linguagem corporal, procure um profissional que possa te ajudar de forma competente e deixe o seriado apenas para a sua diversão.

Siga acompanhando nossos artigos e faça os seus comentários.

Saudações

Sergio Senna


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Como citar este artigo:

Formato Documento Eletrônico (ABNT)

PIRES, Sergio Fernandes Senna. Lie to Me - Nono episódio. Instituto Brasileiro de Linguagem Corporal. Disponível em < https://ibralc.com.br/lie-to-me-nono-episodio/> . Acesso em 4 Dec 2016.

Formato Documento Eletrônico (APA)

Pires, Sergio Fernandes Senna. (2011). Lie to Me - Nono episódio. Instituto Brasileiro de Linguagem Corporal. Recuperado em 4 Dec 2016, de https://ibralc.com.br/lie-to-me-nono-episodio/.

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Sergio Senna
Psicólogo, doutor em psicologia (UnB), possui diversas especializações na área de educação, segurança e políticas públicas. Tem larga experiência acadêmica e profissional na interpretação da linguagem corporal, presta assessoria institucional no Congresso Nacional e desenvolve trabalhos acadêmicos nas temáticas da análise da mentira e da linguagem corporal. Veja o currículo completo aqui!
Sergio Senna

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28 Comments

  1. Gostei de todo conteúdo bem como o debate promovido aqui. estarei sempre consultando estes conteúdo uma vez que tenho bastante interesse em pesquisar e contribuir para desvendar os casos na policia. Grato a todos

    • Olá Ivaldo,

      Obrigado pela visita, e que bom que gostou de nosso conteúdo. Navegue no site, tem muito material interessante.

      Abraço,

      Edinaldo

  2. Olá.

    Pela primeira vez venho comentar, acho interessante esses artigos, e vou por minha opinião.

    Pelo que vejo na ultima foto postada, essa é minha análise:

    1) Advogado – Alegria. Porém sem nenhum exagero no sorriso.

    2) Ré – Mostra claramente que ela está com a sensação de Alívio. Vejam que ela olha pra baixo, provavelmente pensando ” Graças a Deus ” … E sua boca aberta com a parte debaixo do queixo meio cheia, ou seja, estava respirando. Logo, alivio.

    3) Policial – Insatisfação. Vejam sua boca e seus olhos, se tivesse uma foto próxima dessa, com certeza presenciariamos um Dupping delight. Que mostraria o desprezo em relação a ré.

    • Prezado Junior,

      Muito obrigado pela participação. Não sei se você observou os comentários abaixo, neles possuem um análise das fotos em questão.

      Apenas destaquei um trecho que o Dr. Sergio citou, que é bastante interessante:
      “No entanto, há algo mais que nos é revelado pela sequência de fotos após anunciada a absolvição da Casey Anthony, naquele momento: duping delight.

      Essa expressão da língua Inglesa é utilizada para identificar o sorriso que ocorre quando um mentiroso percebe o sucesso de seu intento. Serve, também, para expressar o sorriso de desprezo contido diante de algum pensamento (não expresso) de êxito.”

      Continue nos acompanhando.

      Abraços,

      Edinaldo Oliveira

  3. Olá,

    Mais um texto sobre culpa/vergonha:

    “Vergonha × culpa

    Não há distinção-padrão entre vergonha e culpa. A antropóloga cultural Ruth Benedict descreve a vergonha como uma violação de valores culturais e sociais enquanto sentimentos de culpa emergem de violações de valores internos. É possível sentir-se envergonhado de pensamentos ou comportamentos que ninguém saiba bem como sentir-se culpado por ações que ganham a aprovação de outros. Todavia, em Facing Shame, os terapeutas Fossum e Mason declaram que “enquanto a culpa é um sentimento doloroso de remorso e responsabilidade pelas ações de alguém, a vergonha é um sentimento doloroso sobre alguém enquanto pessoa”. A vergonha é necessária para estabelecer limites, na infância, visto que crianças pequenas são incapazes de associar causa e efeito por si mesmas. Todavia, quando as crianças se tornam mais capazes de julgar suas próprias ações, a culpa se torna a formadora da consciência. Embora, em geral, a culpa guie as consciências dos adultos, a vergonha intrínseca está freqüentemente presente nos adultos também.”

    Link completo em: http://pt.goldenmap.com/Vergonha

    Abraços,

    Edinaldo Junior

    • Valeu o comentário Edinaldo. Na psicologia, me especializei em Psicologia Cultural, que se dedica, em grande parte, ao estudo das crenças e valores.

      Uma parte do trabalho da Psicologia Cultural é explicar como funciona o nosso “software”, ou seja, a parte simbólica de significados que preenche a nossa existência de sentido e que se imbrica com nossa dimensão biológica, o nosso corpo.

      Esse emaranhado de significados, que são estreitamente relacionados às nossas emoções nos proporcionam critérios para o nosso processo decisório e que dão origem ao nosso comportamento intencional.

      Venho explicando parte desses processos em diversos artigos do Portal.

      Quando comecei a estudar a linguagem corporal, foi por curiosidade acerca dessa junção: significado pessoal e movimento do corpo. É uma dimensão muito peculiar da comunicação sob o ponto de vista da Psicologia Cultural. Jaan Valsiner em seu livro Culture in Minds and Societies inicia uma aproximação bastante interessante sobre o tema.

      Devido à grande fluidez dos significados em nossa existência é que sou tão cético sobre modos fechados de interpretação da linguagem corporal….
      Veja como é difícil diferenciar culpa de vergonha! Isso fica mais claro ainda quando percebemos que as crenças e valores que orientam nossas decisões e nossos comportamentos fazem parte de um sistema de significados cujos conceitos estão relacionados entre si.

      Por vezes, a diferenciação entre um conceito e outro dependerá das versões pessoais desses conceitos que são construídas durante a vida e estão relacionadas a como um ser em particular percebe o mundo e o sente em suas emoções. No texto que tenta explicar as diferenças entre culpa, vergonha e seus vários “tipos”, perceba como é difícil traçar certas fronteiras entre os termos.

      É por isso que não acredito em uma padronização da linguagem corporal, nem em sua universalidade, mas sim em padrões que podem ser percebidos dentro de um mesmo grupo.

      Muito boa a sua contribuição trazendo esse texto que comenta a opinião de Ruth Benedict.
      Obrigado
      Sergio Senna

  4. Olá,

    Gostaria de compartilhar a seguinte foto:

    http://p2.trrsf.com.br/image/fget/cf/619/464/img.terra.com.br/i/2011/11/09/2104258-9965-rec.jpg

    A mesma foi localizada em: http://esportes.terra.com.br/noticias/0,,OI5461792-EI1137,00-Alemao+de+anos+vence+Mundial+de+poquer+e+leva+R+milhoes.html#tphotos

    Este sorriso é um bom exemplo de “sorriso em situação desagradável”.

    Outra coisa, notem que o vencedor foi o único a cobrir a face:

    1. http://p2.trrsf.com.br/image/fget/cf/619/464/img.terra.com.br/i/2011/11/09/2104286-0330-rec.jpg

    2. http://p2.trrsf.com.br/image/fget/cf/619/464/img.terra.com.br/i/2011/11/09/2104251-0650-rec.jpg

    Porque será? rsrs

    Abraços,

    Edinaldo Junior

  5. Temos que tomar cuidado por conta de “gatilhos” que criamos. No caso do Goleiro Bruno, não somos pessoas insentas, pois como já ouvimos muito falar do caso, já presumimos alguns sinais como vergonha, culpa e assim analisar a foto com base nesses gatilhos é como se nossa mente fosse “pré-moldada” para aquela situação. Outro ponto de ser muito ruim analisar qqer fato em uma foto é que tbm fazemos pré-julgamentos dos participantes da foto, exemplo é a última postada, um réu sendo absolvido, um advogado de defesa aliviado, quero dizer que são reações óbvias, para a situação. A expressão mais interessante da foto não são nem do Réu ou do advogado mais sim do policial, que é um “personagem coadjuvante” e nada tem haver com situação que está ocorrendo.
    O meu ponto é, se quisermos ser insentos, ler as pessoas que são “protagonistas”, que estão na “mira” da mídia, as vezes é um pouco desnecessário, o interessante é enxergar como as pessoas ao seu redor(que não são focados na mídia) se comportam, pois eles vão passar uma expressão que realmente vale a pena estudar.
    Não digo isso que não vamos ler as pessoas “protagonistas”, apenas digo que para ler essas pessoas é preciso total insenção dos fatos.
    Fica claro isso no episódio “Love Always” em que o Cal Lightman, percebe as reações do guarda-costas do embaixador, que era pelo FBI o alvo principal, de um possível ataque.

    • Olá Saulo,
      Entendo sua preocupação, entretanto tomo sempre cuidado para não criar “preconceitos” acerca do interlocutor – mesmo se tratando de um caso famoso – pois sempre tento tomar como base o conhecimento científico, e não o senso-comum ou “achismo”.
      Como já foi dito diversas vezes pelo Prof. Sérgio, a análise deve ser feita por vídeos, e não por fotos. As fotos postadas aqui por mim, sempre foram na intenção de estudar a expressão em si, os músculos faciais utilizados, etc…
      Na verdade, acho injusto e até certo ponto muito mais complexo, analisar pessoas que fazem parte da nossa convivência mais intima, pois nossas emoções (positivas) geralmente nos traem, e somos levados a ignorar algumas evidências importantes.
      Outra coisa, nos Estados Unidos, esse tipo de estudo é utilizado pelo FBI, CIA, além de serem utilizados na área jurídica (assim como na Inglaterra), e quem participa dos processos de análises devem manter sua imparcialidade. Um outro exemplo mais próximo: os cursos ministrados pelo Prof. Sérgio para polícia.
      É isto, espero ter colaborado.
      Abraços,
      Edinaldo Junior

  6. Prezado Dr. Sérgio,

    Um expressão que confunde um pouco…vergonha e culpa.

    Existe uma expressão típica, ou o movimento é semelhante e temos que ver o contexto?

    Exemplo:

    Vergonha?

    http://4.bp.blogspot.com/-7OUctuH9NN0/TgqNP-eQZVI/AAAAAAAADhg/dS4szIs4dUM/s1600/vai_sair_da_cadeia_1min_05s.jpg

    A cabeça fica mais inclinada para um lado, como se não quisesse ver “aquilo” (o que causa a vergonha)

    Culpa.

    http://f.i.uol.com.br/folha/cotidiano/images/11210820.jpeg

    Cabeça geralmente mais apontada para baixa, junto com o olhos para baixo e um dos lados.

    É isto?

    Mais uma vez obrigado!

    Edinaldo Junior

    • Olá Edinaldo,

      A foto da nutricionista Gabriela é uma das que eu poderia utilizar em minhas aulas para mostrar alguns indicadores que considero genuínos.

      Por exemplo (fazendo a análise de cima para baixo):

      – testa – enrugamento da testa provocado pela contração da parte central do músculo frontal. Essa contração é tão forte que cria uma “onda” de rugas bem acima das rugas verticais produzidas pela contração dos músculos Prócero e Corrugador do Supercílio.

      – olhar abaixado e focado em sua mão;

      – contração do Orbicular da Boca em forma de pressão média nos lábios. Visualiza-se uma ruga de Risório no canto do lábio. Provavelmente o lado que não se vê na foto também contém uma ruga dessas.

      – o corpo está encolhido pela contração muscular generalizada;

      – o movimento das mãos que vemos na foto é muito comum em pessoas que estão nervosas ou que estão “pensando” em algo que ocorreu de uma forma reflexiva.

      Esses indicadores servem para chegarmos à conclusão que essa pessoa está nervosa. Mas eles não são suficientes para concluirmos o porquê do nervosismo dela. Nesse caso específico, uma pessoa faleceu. Isso já é motivo suficiente para que qualquer pessoa envolvida (responsável ou não pela morte) ficasse nervosa.

      No entanto, esses indicadores servem para que o investigador perceba o que mais mobiliza seu interlocutor e possa selecionar perguntas, direcionar a conversa e tomar outras medidas para descobrir a verdade.

      A conclusão que podemos chegar a partir da foto é que a pessoa está em profunda tristeza (eu diria agonia).

      Um abraço
      Sergio Senna

    • Dr. Sérgio,
      “A conclusão que podemos chegar a partir da foto é que a pessoa está em profunda tristeza (eu diria agonia).” Isso…pensei na culpa – somada a tristeza profunda – por conta da matéria, que ao que tudo indica, ela tomou o lugar do motorista realmente culpado pelo acidente.
      Como você já falou em outros posts, as emoções são sempre misturadas. Neste caso eu falei da culpa, não por ignorar a tristeza dela – isso eu percebi -, apenas usei a foto para tentar ilustrar a culpa – esse foi meu objetivo do post. Tentarei buscar uma foto onde o que esteja mais evidente seja a culpa e não a tristeza.
      Como investigador, eu tentaria abordar questões que pudessem elucidar algo a cerca desta culpa. Para descartá-la ou não.
       
      Abraços,
       
      Edinaldo

    • Olá Edinaldo, sua questão é bastante interessante e me dá a deixa para explorar um dos aspectos mais importantes sobre a interpretação da linguagem corporal.

      Não acredito ser possível interpretar, com segurança, qualquer movimento sem que o intérprete o considere em seu contexto.

      Em minhas aulas utilizo fotos e vídeos. As fotos servem para caracterizar alguns indicadores e particularidades dos movimentos. Por exemplo, mostro a foto de uma face para vermos a musculatura contraída e percebermos qual é a ruga que aparece como indicador de que a contração muscular ocorreu.

      No entanto, uma foto não tem muita serventia se queremos interpretar as reações dinâmicas de uma pessoa durante duas horas de depoimento….

      Pense bem, em que adianta saber que alguém ficou triste, se está sendo julgado? É óbvio que essa pessoa (e qualquer um) vai se entristecer. Não é isso que vamos procurar. São outros indicadores que ocorrem em momentos e falas específicas.

      Outro aspecto muito importante consiste na compreensão de que somos seres emocionais. Sentimos emoções a todo momento. Identificar emoções é uma tarefa relativamente fácil. Difícil mesmo é chegar ao conhecimento dos motivos que levaram alguém a emocionar-se.

      Essa tarefa pode ser difícil que a própria pessoa, por vezes, não tem a mínima noção do porquê suas emoções encontram-se mobilizadas de determinada maneira.

      Por essas razões, sempre aconselho que as pessoas tomem cuidado com expressões típicas. Elas sim existem, como é o caso da vergonha. Desviar o olhar pode ser um indicador.

      Mas raciocine comigo. Se a pessoa, por algum motivo, lembrou de algo que a fez sentir vergonha? Como fica isso? O intérprete incauto (a maioria dos apressados) vai julgá-la culpada, sendo que pode não ser.

      Prefiro considerar a linguagem corporal como uma fonte de indicadores, que me ajudam a interpretar o que está sendo dito e, melhor ainda, me ajudam a selecionar e a conduzir uma conversa (de preferência não acusatória) sobre o que desejo saber.

      vamos dialogando sobre isso.
      um abraço
      Sergio Senna

    • Olá,
       
      Dr. Sérgio, no caso “Mas raciocine comigo. Se a pessoa, por algum motivo, lembrou de algo que a fez sentir vergonha? Como fica isso? O intérprete incauto (a maioria dos apressados) vai julgá-la culpada, sendo que pode não ser.”

      Consideraria que, durante um depoimento, se questionado ao réu se o mesmo assassinou fulado, por exemplo, e na resposta do réu, eu notasse uma falta de sincronia entre a fala e a linguagem não verbal, apresentando sinais como mão no rosto, negação com a cabeça, alteração de voz, e o olhar para baixo, citado anteriormente…poderia começar a considerar que ele está ocultando algo, e que aquela expressão de culpa ou vergonha seria um indicador a ser considerado?

      Vejo a expressão de vergonha mais claramente em situação de brincadeiras como questionar se fulano não comprou algo por estar sem dinheiro – dificuldades financeiras – e eles quase de imediato, baixar a cabeça, olhar para baixo lateralmente, enquanto tenta explicar…fica claro aí um pouco de vergonha pela situação.
       
      É isto.
       
      Abraços,
       
      Edinaldo

  7. Prezados Edinaldo e Viviane. Mais uma vez obrigado pela participação com os seus comentários.

    Uma das formas menos técnicas de realizar a interpretação da linguagem corporal é por meio de fotos. Utilizo fotos didáticas em minhas aulas para que os meus alunos possam conhecer os detalhes dos indicadores com os quais trabalhamos e que procuramos identificar.

    No entanto, elementos fundamentais para uma boa interpretação não estão presentes em fotografias, como por exemplo: o tempo de duração do movimento, o momento em que ocorreu, o contexto verbal no momento da expressão, entre outros aspectos.

    Dessa forma, deve-se evitar a interpretação a partir de fotografias. Meu conselho é, sempre que possível, utilizar um vídeo. Caso isso seja inviável, é melhor valer-se de uma sequência de fotos.

    Nesse comentário, vou analisar a expressão do advogado. Tanto você, Viviane, quanto o Edinaldo foram na direção correta: a alegria é uma das emoções expressas nessa foto na face do advogado.

    No entanto, há algo mais que nos é revelado pela sequência de fotos após anunciada a absolvição da Casey Anthony, naquele momento: duping delight.

    Essa expressão da língua Inglesa é utilizada para identificar o sorriso que ocorre quando um mentiroso percebe o sucesso de seu intento. Serve, também, para expressar o sorriso de desprezo contido diante de algum pensamento (não expresso) de êxito.

    Veja a foto na sequência:

    Casey Anthony

    Observe que essa é a foto seguinte. O advogado baixa a cabeça e o ligeiro sorriso que vemos estampado é um exemplo de duping delight. Nesse caso, não podemos afirmar se tem relação com alguma mentira ou é o resultado de um pensamento de vitória que estava vinculado à imagem de algum dos seus opositores (o promotor público, por exemplo).

    Como reconhecer o duping delight?
    É um breve sorriso unilateral. É uma mistura de desprezo e satisfação (alegria). É uma resposta quase autonômica e quando a pessoa percebe, tenta realizar algum movimento para encobrir. Pode ser baixando ou virando a cabeça. Algumas pessoas também pressionam os lábios na tentativa de ocultá-lo.

    Essa é uma expressão muito importante e qualquer pessoa deveria ser capaz de reconhecê-la. Imagino que todos os adultos já foram vítimas do duping delight. Sabe aquele adversário que sentiu satisfação quando você se “deu mal” em algum trabalho? Pois é, o sorrisinho de satisfação secreta pelo o seu fracasso era o duping delight.

    Em breve escreverei um artigo inteiro sobre esse tema e comentarei a face da Casey e do Guarda.

    Sigam acompanhando e participando do Portal e não esqueçam de recomendar as matérias!
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    Um abraço
    Sergio Senna

    • Dr. Sérgio,

      Obrigado pela atenção.

      Pelo menos a Viviane e eu não passamos tão longe…já é um progresso rsrsr

      Tentarei postar videos, concordo com tudo, só por uma imagem (sem sequências) é complicado.

      Abraços,

      Edinaldo Junior

  8. 1) Advogado: satisfação, vaidade.
    2) Ré: profundo alívio
    3) Policial: não sei exatamente o que é, mas me parece que ele não concorda com o resultado e não acreditar na inocência da ré.

    • Prezada Viviane, obrigado pelo incentivo através da sua participação.

      Acompanhe nossas matérias e sugira alguma que gostaria de ver publicada por nós.

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      Um abraço
      Sergio Senna

    • Prezado Sergio,

      Não vai soltar nenhuma dica?? Já estou curioso..rsrs

      Obs.: Não sei se é possível, já que o episódio não foi ao ar em rede aberta, mas recomendo muito assistir/discutir o episódio terceiro, da segunda temporada “Control Factor”. Sinopse: “Enquanto estão em férias no México, Lightman e Emily se envolvem no caso de uma mulher americana desaparecida. De volta para casa, Foster investiga sangue infectado na área DC dos hospitais com o rival de Lightman, Jack Rader.”

      Esse episódio fala sobre ética, enfocando a forma como o personagem “Jack Rader” trata comercialmente o uso da linguagem corporal.

      Abraços,

      Edinaldo Junior

    • Olá Edinaldo, estou aguardando mais algumas manifestações, assim como a da Viviane que possam abrilhantar o debate sobre a análise de situações em comunicação não verbal.

      Mais uns dois dias e podemos oferecer uma solução para debatermos.

      Um abraço
      Sergio Senna

    • Vamos provocar o debate.

      Achei a matéria interessante e produtiva. A partir da foto da reportagem podemos abordar um importante tema que é o duping delight.

      A outra foto também é interessante e podemos explorar vários aspectos. Vamos aguardar algumas manisfetações de nossos leitores.
      O que vocês acham das expressões exibidas nas fotos?

      abraço
      Sergio Senna

    • Dr. Sergio.

      Fico feliz de que minha colaboração tenha sido produtiva. Quando bati a vista na foto e vi 03 expressões faciais/pessoas ao mesmo tempo, lembrei logo do seu site.

      A grosso modo vejo:

      1. Advogado – alegria muito contida (satisfação pela vitória no caso).
      2. Ré – Tristeza (mas como não vi o vídeo, deve ter tido alívio pelo resultado)
      3. Policial – Raiva (talvez quisesse um resultado diferente)

      Acredito que tenhamos mais de uma emoção em cada face. Não sei se o policial estaria com raiva + desprezo… mas optei por ficar com as mais “evidentes”

      É isto. Espero não ter passado muito longe e acertado alguma coisa.

      Abraços,

      Edinaldo Junior

    • Complementando…

      Confesso que o sorriso do advogado me deixou “encucado”. Além da satisfação, é como se existisse um sensação de “sei algo e não vou contar”, não sei… enfim, vou ficar no aguardo de opiniões.

  9. Parabéns por suas análises, tô viciado em estudar micro expressões e corpo, estou fazendo os cursos METT e FACS, mas gostaria de fazer os presenciais com vcs! Muito bom!

    • Prezado Luis, obrigado pelas suas palavras de incentivo. Sei o quanto é difícil aprender a ser um bom intérprete da linguagem corporal, pois encontrei os mesmos obstáculos em minha própria caminhada.

      Saber que nosso conteúdo vem sendo útil às pessoas é importantíssimo para nossa empresa, pois cultuamos outros valores em nosso negócio.

      Siga acompanhando e participando de nossas matérias com seus comentários

      Saudações
      Sergio Senna

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