Pular para o conteúdo

Entrar para a Comunidade BRALC

A crise de março de 2022 não foi apenas uma sequência violenta em El Salvador. Ela mudou o ambiente de decisão. Em poucos dias, o governo passou a apresentar a resposta extraordinária como necessidade pública imediata, a Assembleia aprovou o regime de exceção e a discussão sobre segurança saiu do terreno da controvérsia sobre negociação para o terreno da emergência.

Esse deslocamento importa porque a crise não surgiu em um vazio político. Ela ocorreu depois de denúncias documentadas sobre negociação entre Bukele e as maras, mas não depende de aceitar essa hipótese como fato encerrado. O foco deste artigo é mais estreito: como uma explosão concentrada de homicídios reorganizou a resposta estatal e ampliou o espaço político para medidas excepcionais.

Resposta curta: como a crise reorganizou a resposta estatal?

A crise de março de 2022 concentrou dezenas de homicídios em poucos dias, com recortes que variam entre 87 e ao menos 92 mortes, além do registro de 62 homicídios em um único dia. O governo atribuiu a violência às maras e a Assembleia aprovou o regime de exceção. A crise ocorreu depois da controvérsia documental sobre negociações examinada no artigo anterior.

No artigo anterior

No artigo anterior, Bukele e as maras: o que as evidências mostram sobre negociação, analisamos documentos, sanções, acusação judicial, negativa oficial e inferência sobre a hipótese de negociação entre o governo Bukele e as maras. Essa base importa aqui porque março de 2022 não deve aparecer como começo isolado da história.

Este artigo parte dessa controvérsia sem tratá-la como encerrada. A pergunta agora é outra: como a crise de homicídios de março de 2022 reorganizou a política de segurança, independentemente da solução final sobre o pacto?

O que este artigo examina

Neste artigo, examinamos a crise de homicídios de março de 2022 como evento de reorganização da resposta estatal. O foco não está ainda no conteúdo jurídico do Decreto Legislativo nº 333, nem nas prorrogações do regime de exceção.

A pergunta é mais estreita: como uma explosão concentrada de violência alterou a percepção pública de urgência e abriu espaço para medidas excepcionais? Essa delimitação evita dois erros. O primeiro é usar a crise como justificativa automática para toda decisão posterior. O segundo é tratar a exceção como se a crise não tivesse produzido pressão decisória real.

Por que março de 2022 muda a leitura?

Antes da crise, havia disputa sobre negociação, queda de homicídios e relação entre governo e maras. Depois dela, o governo passou a operar com outra linguagem pública: emergência, captura, prisão em massa, controle territorial e resposta extraordinária.

Isso não prova, por si só, a causa da crise. Também não prova a correção de toda medida posterior. Mostra algo mais específico: a crise mudou a pergunta pública. Em vez de discutir apenas como a violência havia caído, o debate passou a girar em torno de como impedir sua repetição.

O que sabemos

A IACHR registrou que o regime de emergência foi decretado depois de uma onda de violência que culminou em ao menos 92 mortes entre 24 e 27 de março de 2022. A mesma instituição registrou que o Decreto Legislativo nº 333, de 27 de março de 2022, declarou o regime de exceção em todo o território salvadorenho.

A notificação enviada por El Salvador à ONU informou que o Decreto nº 333 suspendeu garantias por 30 dias. Entre elas estavam a liberdade de associação e reunião, garantias de defesa, limite de detenção administrativa e inviolabilidade de correspondência.

A Reuters informou que a polícia salvadorenha registrou 62 homicídios em 26 de março de 2022, o maior número diário de homicídios no país naquele século, segundo a fonte citada pela agência. A reportagem também registrou que o Congresso aprovou as medidas emergenciais no dia seguinte, a pedido de Bukele.

A Human Rights Watch e a Cristosal trabalharam com o mesmo recorte de 92 mortes entre 24 e 27 de março. As organizações também registraram que a Assembleia adotou o estado de emergência a pedido do presidente e suspendeu garantias constitucionais relacionadas a associação, reunião, comunicações, informação sobre motivo da prisão e prazo para apresentação a um juiz.

A atribuição da violência às maras também aparece na narrativa oficial e em fontes jornalísticas. O El Faro, por sua vez, registrou que fontes de alta hierarquia da MS-13 assumiram responsabilidade pelos assassinatos de 87 pessoas entre 25 e 27 de março e relacionaram a explosão de violência ao colapso de negociações. Essa interpretação é relevante, mas não encerra a causa da crise.

Linha do tempo curta

DataFatoComo ler
24 a 27 de março de 2022A IACHR registra ao menos 92 mortesRecorte principal com fonte institucional
25 de março de 2022Segundo o El Faro, quatro líderes nacionais da MS-13 saíram de Zacatecoluca rumo a um hospital privadoDado jornalístico documentado que ajuda a organizar a cronologia, sem encerrar a causa da crise
25 a 27 de março de 2022Outras fontes mencionam 87 mortesRecorte alternativo, mais curto
26 de março de 2022Reuters registra 62 homicídios em um único diaGatilho de percepção pública de emergência
27 de março de 2022Assembleia aprova o regime de exceçãoPassagem institucional da crise à resposta extraordinária
Infográfico em formato 4:5 sobre a crise de março de 2022 em El Salvador, com linha do tempo sobre homicídios, maras e regime de exceção.
Linha do tempo da crise de março de 2022 em El Salvador, mostrando como a concentração de homicídios abriu espaço para a resposta extraordinária do Estado.

Como lidar com números diferentes?

As fontes não usam sempre o mesmo recorte temporal. A IACHR trabalha com ao menos 92 mortes entre 24 e 27 de março. Algumas fontes mencionam 87 mortes entre 25 e 27 de março. Outras destacam 62 homicídios em um único dia.

A diferença não deve ser escondida nem explorada como confusão. O texto precisa explicitar o recorte usado e preservar a pergunta analítica: a crise concentrou violência suficiente para reorganizar a resposta estatal.

O que está em disputa

A pergunta fraca seria: “Bukele provocou a crise ou apenas reagiu a ela?”. Essa formulação força uma resposta binária e empobrece a análise.

As perguntas úteis são outras. Que grau de certeza existe sobre a autoria e a dinâmica da crise? A crise decorreu de ruptura de arranjos anteriores, decisão autônoma das maras, disputa interna ou outro fator? Como o governo transformou a crise em narrativa de emergência? Em que medida a crise criou causa jurídica, justificação política ou ambas?

Essa última pergunta é decisiva. Uma crise real pode criar a base factual para ação emergencial, mas não resolve automaticamente a qualidade da autorização jurídica, a proporcionalidade da resposta, a duração da medida e os controles aplicados. Causa jurídica e justificação política não são a mesma coisa. A primeira pergunta se houve evento suficiente para acionar uma medida extraordinária. A segunda pergunta como o governo comunicou, ampliou e sustentou essa medida diante da sociedade.

A distinção também ajuda a ler o papel das fontes. A IACHR reconhece a gravidade histórica das maras e registra o choque de março. Ao mesmo tempo, no relatório de 2024, a Comissão afirma que a permanência da suspensão de direitos não encontra justificativa suficiente nos critérios interamericanos, especialmente diante dos resultados de segurança já alegados pelo próprio Estado. Esse contraste é útil porque separa urgência inicial, continuidade da exceção e controle público.

A diferença importa. Uma crise pode gerar fundamento para ação emergencial. Isso não significa que qualquer resposta posterior se torne automaticamente adequada. Urgência explica a pressão decisória. Não substitui critério, controle e limite.

Documentos e fontes principais

CamadaFonteO que acrescentaComo ler
Evento violentoIACHR, Reuters, HRW/Cristosal, fontes locaisCronologia e escala da criseFato documentado com variação de contagem
Resposta oficialDecreto Legislativo nº 333, Assembleia Legislativa, PresidênciaEnquadramento da emergênciaAto institucional e narrativa oficial
Interpretação da criseEl Faro e analistasPossível relação com negociações anterioresHipótese interpretativa com lastro, não sentença
Controle externoIACHR, HRW, AmnestyRiscos sobre garantias, detenções e abusosCrítica institucional, não conclusão total
Indicadores posterioresDados oficiais de segurançaQueda posterior dos homicídiosResultado observável, não explicação causal completa

Análise institucional

A crise de homicídios deve ser lida como evento de segurança e como mudança nas condições de decisão pública. O número de mortes importa. Mas a concentração temporal importa ainda mais, porque cria urgência, medo, pressão institucional e demanda por resposta visível.

Uma sequência distribuída ao longo de meses pode gerar preocupação constante. Uma explosão concentrada em poucos dias produz outro tipo de efeito. Ela desloca a atenção pública, aumenta o custo político da inação e favorece respostas de alta intensidade.

Esse é o primeiro cuidado analítico. A crise de março de 2022 não deve virar espetáculo numérico, mas também não pode ser tratada como detalhe. A escala temporal da violência ajuda a explicar por que a emergência se tornou politicamente comunicável.

O segundo cuidado é separar causa jurídica e justificação política. A crise oferece o fato que permite ao Estado invocar emergência. Mas a forma como o governo narra, amplia, comunica e sustenta a resposta pertence a outro plano. Uma coisa é dizer que houve emergência. Outra é avaliar se a resposta preservou critérios, limites e controles.

Essa distinção se aproxima do que chamo, em Countering Adaptive Organized Crime, de ação de contenção: uma intervenção voltada a reduzir dano imediato, sem pretender, por si só, transformar o regime criminal que produziu o problema. No caso salvadorenho, uma resposta de contenção podia ser necessária diante da explosão de homicídios. Mas contenção não é estratégia. Ela precisa se conectar a aprendizagem institucional, acompanhamento, critérios de transição e controle público.

A notificação enviada por El Salvador à ONU ajuda a enxergar essa passagem. O Estado salvadorenho informou que a Assembleia havia aprovado o Decreto nº 333 e que suspenderia garantias em razão de graves perturbações à ordem pública por estruturas criminais. Essa é a linguagem da autorização. A avaliação sobre necessidade, proporcionalidade, duração e saída exige outra camada de análise.

A hipótese de ruptura de arranjos anteriores deve aparecer como interpretação possível, não como conclusão encerrada. O artigo pode registrar que a crise ocorreu depois da controvérsia sobre negociação. Pode também registrar que fontes jornalísticas relacionaram os homicídios ao colapso de pactos. Mas não deve transformar essa hipótese em eixo único.

Ainda assim, o material jornalístico sobre a crise é mais específico do que uma inferência genérica. O El Faro afirmou ter obtido gravações de conversas entre Carlos Marroquín, então diretor de Reconstrução do Tecido Social e funcionário associado às negociações com as pandillas, e integrantes da MS-13. Segundo o jornal, nessas conversas Marroquín descreve esforços para manter o acordo durante o repique de homicídios e se refere aos três dias de mortes como uma pressão ao governo.

O mesmo conjunto de reportagens atribui a Marroquín a admissão de ter conduzido pessoalmente a saída de Élmer Canales Rivera, conhecido como “Crook de Hollywood”, para a Guatemala. Também registra que Marroquín responsabilizou o ministro da Segurança, Gustavo Villatoro, pelo colapso das negociações. Esse material eleva o peso da hipótese de ruptura de arranjos anteriores, porque envolve gravações atribuídas a um funcionário governamental identificado. Mas ainda assim não encerra, sozinho, a causa total da crise.

Aqui o caso exige leitura prudente. Se o leitor aceita automaticamente a hipótese de ruptura, ele pode interpretar todos os fatos posteriores como encenação de um acordo quebrado. Se descarta automaticamente a hipótese, pode tratar a crise como evento sem história anterior. As duas leituras reduzem o problema.

Em sistemas de crime organizado adaptativo, uma explosão de violência pode funcionar como mensagem, retaliação, pressão, disputa interna ou sinal de mudança de regime. Organizações criminais não produzem apenas dano físico. Elas também comunicam capacidade, impõem custo, testam limites e interferem na percepção pública de controle.

Isso não significa que toda violência concentrada seja estratégia consciente e unificada. Significa apenas que, diante de organizações que aprendem e reagem, o observador não deve escolher uma explicação antes de organizar fontes, sinais e efeitos. A pergunta central não é só quem matou. É que tipo de resposta a crise tornou possível.

A crise alterou a percepção pública sobre a urgência do controle penal e reconfigurou o espaço político para medidas excepcionais. Essa formulação descreve o efeito institucional e comunicacional sem atribuir intenção fechada a um ator específico.

O governo atribuiu a violência às maras e apresentou a resposta extraordinária como proteção imediata da população. A Assembleia aprovou o regime de exceção. Organizações internacionais registraram, desde cedo, preocupação com detenções amplas, suspensão de garantias e risco de abusos.

Essa sequência mostra a diferença entre exceção como resposta e exceção como regime. Uma resposta emergencial pode surgir diante de um choque real. Um regime de exceção se forma quando essa resposta se prolonga e passa a reorganizar controles ordinários, procedimentos, garantias, incentivos institucionais e critérios de continuidade.

Esse é também o lugar em que o relatório da IACHR ganha relevância. A Comissão reconhece que El Salvador registrou redução significativa da violência, mas questiona a suspensão contínua de direitos. A mensagem institucional é clara: resultado de segurança importa, mas não substitui a demonstração permanente de necessidade, proporcionalidade e controle.

Este artigo para antes da análise completa do Decreto nº 333. Essa análise pertence a outro texto da série. Aqui, o objetivo é entender a passagem: de uma explosão de homicídios para uma autorização pública e institucional de resposta extraordinária.

Quanto mais intensa a crise, maior tende a ser a pressão para reduzir a rastreabilidade das decisões tomadas. O governo precisa responder rápido. A sociedade cobra resultado. As instituições buscam sinalizar controle. Nessa condição, perguntas sobre informação, base jurídica, duração, revisão e critério de saída podem parecer secundárias, quando são justamente as perguntas que protegem a decisão pública contra improviso, abuso, captura e permanência automática da exceção.

No Countering Adaptive Organized Crime, trato esse cuidado como fricção analítica: uma pausa disciplinada antes da intervenção, suficiente para checar premissas, ler o sistema, antecipar adaptação criminal e revisar acoplamentos antes de decidir. Em uma crise como a de março de 2022, a fricção analítica não serve para paralisar o Estado. Serve para impedir que a urgência transforme interpretação provisória em autorização ampla, com baixa rastreabilidade e sem critério de saída.

O que o material permite concluir

O material reunido permite afirmar que a crise de homicídios de março de 2022 reorganizou a resposta estatal em El Salvador e criou as condições políticas imediatas para o início do regime de exceção.

Não permite afirmar, com a mesma segurança, que a crise explique sozinha toda a política posterior ou que toda medida excepcional adotada depois dela esteja automaticamente justificada. A consequência analítica é que a crise não pode ser lida isoladamente: ela exige a controvérsia anterior e a pergunta posterior sobre autorização, controle e saída.

Fechamento contextual

A partir da crise de março de 2022, a questão deixa de ser apenas como o Estado reagiu a uma explosão de homicídios. Passa a ser como essa reação ganhou forma jurídica e que tipo de controle ordinário foi suspenso em nome da emergência.

É nesse deslocamento que o Decreto Legislativo nº 333 entra na análise.

Quer aprofundar?

Para entender por que a crise de março de 2022 não deve ser lida apenas como episódio isolado, vale seguir quatro caminhos internos do IBRALC.

O primeiro é o eixo de crime organizado adaptativo, que ajuda a compreender por que organizações criminosas reagem, comunicam força, reduzem exposição e reorganizam rotinas diante da pressão estatal.

O segundo é a discussão sobre segurança pública adaptativa, útil para diferenciar resposta intensa de transformação institucional.

O terceiro é a passagem da operação à estratégia, importante para pensar quando uma ação visível altera de fato o regime de segurança.

O quarto é o debate sobre copiar modelos de segurança pública, indispensável antes de importar respostas baseadas em resultado visível sem traduzir condições políticas, territoriais e institucionais.

Perguntas da série

O que aconteceu na crise de março de 2022 em El Salvador?

As fontes registram uma onda concentrada de homicídios entre 24 ou 25 e 27 de março de 2022. A IACHR trabalha com ao menos 92 mortes entre 24 e 27 de março. Outras fontes mencionam 87 mortes entre 25 e 27 e 62 homicídios em um único dia.

A crise de março de 2022 prova que o regime de exceção era necessário?

Não sozinha. A crise ajuda a explicar a urgência e a pressão por resposta estatal. Mas necessidade, proporcionalidade, duração, controle e critério de saída exigem análise própria.

A crise prova que houve ruptura de pacto entre governo e maras?

Não como conclusão definitiva. O El Faro relacionou os homicídios ao colapso de negociações e publicou áudios atribuídos a conversas entre Carlos Marroquín e integrantes da MS-13. Esse material torna a hipótese relevante, mas não encerra sozinho a causa da crise.

A queda posterior dos homicídios resolve a discussão?

Não. A queda posterior é um dado relevante de resultado. Ela não explica, sozinha, o método empregado, a qualidade institucional da decisão, o custo da exceção nem os critérios de continuidade.

O que é ação de contenção?

Ação de contenção é uma resposta voltada a reduzir dano imediato. Ela pode ser necessária em uma crise de segurança, mas não substitui estratégia. Para ganhar valor institucional, precisa se conectar a acompanhamento, aprendizagem, controle e critérios de transição.

O que é fricção analítica?

Fricção analítica é uma pausa disciplinada antes da intervenção. Ela ajuda gestores e instituições a checar premissas, ler o sistema, antecipar adaptação criminal e revisar acoplamentos antes da decisão. Não serve para impedir ação urgente, mas para reduzir decisões amplas com baixa rastreabilidade.

Por que março de 2022 importa na série sobre Bukele e as maras?

Porque a crise deslocou o debate. Antes dela, havia controvérsia sobre negociação e redução dos homicídios. Depois dela, o governo passou a apresentar a resposta extraordinária como necessidade pública imediata.

Referências

COMISSÃO INTERAMERICANA DE DIREITOS HUMANOS. State of Emergency and Human Rights in El Salvador. Washington: Organization of American States, 2024. Disponível em: https://www.oas.org/en/iachr/reports/pdfs/2024/Report_StateEmergencyHumanRights_ElSalvador%20(1).pdf

EL SALVADOR. Legislative Decree No. 333, March 27, 2022. Disponível em: https://www.jurisprudencia.gob.sv/DocumentosBoveda/D/2/2020-2029/2022/03/EE856.PDF

EL SALVADOR. Notification under Article 4(3) of the International Covenant on Civil and Political Rights. United Nations Treaty Collection, C.N.96.2022.TREATIES-IV.4, 2022. Disponível em: https://treaties.un.org/doc/Publication/CN/2022/CN.96.2022-Eng.pdf#1#1

HUMAN RIGHTS WATCH; CRISTOSAL. “We Can Arrest Anyone We Want”: Widespread Human Rights Violations Under El Salvador’s “State of Emergency”. New York: Human Rights Watch, 2022.

REUTERS. El Salvador invokes emergency powers after surge in homicides. San Salvador, 27 mar. 2022.

EL FARO. Collapsed Government Talks with MS-13 Sparked Record Homicides in El Salvador, Audios Reveal. San Salvador, 17 maio 2022.

EL FARO. El día en que inició la masacre de marzo, cuatro líderes nacionales de la MS-13 salieron de Zacatecoluca. San Salvador, 12 out. 2022.

EL FARO. Police Documents Prove Illegal Release of MS-13 Leader in El Salvador. San Salvador, 27 out. 2022.

SENNA PIRES, Sergio. Countering Adaptive Organized Crime: A Strategic Guide for Public Safety Leaders. Brasília: Ed. do Autor, 2026. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/404862205

Visualizações: 0