Sinceridade radical é aconselhável?

Honestidade Radical

Neste primeiro post desta nova série, iremos abordar conceitos que não foram citados na série Lie to me, comentada no Portal pelo Dr. Sérgio Senna.

O primeiro episódio é executado em um ritmo “frenético”, pois tenta abordar conceitos acerca dos estudos da expressão facial, linguagem corporal, aplicações práticas, etc. Os temas abordados podem ser vistos na série “Lie to Me – Primeiro Episódio“. lightman-honestidade-radical

De forma análoga ao episódio, este primeiro post irá “passear” pelos diversos temas expostos no episódio,  focando em um tema específico: honestidade radical é aconselhável?

 

 

Só não vou te enganar…Porque eu sou sincero…

Primeiramente, podemos perceber a importância da tecnologia envolvida na análise dos vídeos: telões de alta resolução, scanners que rapidamente exibem a foto em um enorme tela, e em alta resolução, banco de dados de faces para associações de capturas de expressões dos envolvidos na investigação, enfim, a tecnologia digital está presente, e para ficar, em todo o percurso investigativo da série – claro que com um toque cinematográfico, pois nunca falham e são extremamente rápidas.

lightman-honestidade-radical-2Iniciando de forma inversa, pelo segundo caso abordado no episódio, o do senador, percebemos a importância dos impactos da busca pela verdade: vale realmente a pena sempre buscá-la? O episódio nos mostra que devemos ponderar o lucro em detrimento do prejuízo, e que nem sempre a verdade vale a pena .

 A mentira faz parte da interação, é considerada por muitos uma espécie de “azeite social” que facilita a interação humana quando propicia o “arranjo” das mensagens ao que as pessoas consideram mais adequado em determinado contexto. Por outro lado, há um risco enorme quando mentiras de qualquer natureza são toleradas, pois de certo modo, uma mentira contada prepara o terreno para a próxima mentira (que pode não ser tão “inofensiva” quanto a que lhe antecedeu),

Outro aspecto relevante consiste na quebra da confiança que ocorrerá quando uma mentira for descoberta. Alguém que foi “vítima” de uma mentira, dificilmente se sentirá bem quando descobrir que as informações que chegaram ao seu conhecimento não expressavam a realidade dos fatos. Nesse caso, dependendo da proximidade afetiva entre os envolvidos, diversos graus de conflito podem ser criados entre essas pessoas.

Para um melhor entendimento, recomendo a leitura do artigo “Mentiras sinceras nos interessam?“, de autoria do Dr. Sérgio Senna

No primeiro episódio da série Lie to Me, é introduzido um estilo de vida conhecido por “honestidade radical“, filosofia esta seguida pelo personagem Locker. O movimento de honestidade radical nasceu nos EUA, e foi criado pelo psicoterapeuta Dr. Brad Blanton,que afirma que a felicidade plena só pode ser atingida dizendo a verdade a todo o momento, livrando-nos do filtro que existe entre o nosso cérebro e a nossa boca e dizendo tudo o que pensamos como pensamos a toda e qualquer pessoa, em qualquer momento e a toda a hora.

Radical Honesty is direct communication that leads to intimacy in relationships. Then people can powerfully create their future together. This works for couples, families, communities and nations.
At the Center for Radical Honesty, we are building communities of intimate friends who are creating a revolution in consciousness through direct, open and honest conversation. – http://www.radicalhonesty.com/

Em uma entrevista à esquire, o Dr. Blanton chega a citar conceitos como: “If you are having fantasies about your wife’s sister, Blanton says to tell your wife and tell her sister. It’s the only path to authentic relationships. It’s the only way to smash through modernity’s soul-deadening alienation”, seria algo do tipo: Se você está tendo fantasias sobre a irmã de sua esposa, Blanton diz para dizer a sua esposa e diga a sua irmã. É o único caminho para relacionamentos autênticos. 

O conceito de honestidade radical é controverso e polêmico, tanto que, ao longo do desenvolver da série, o personagem Eli Locker, que é adepto de tal conceito, entra em conflito com tais convicções. É bastante interessante ver a utilização destes conceitos na sociedade e suas repercussões, é como uma trama paralela e constante.

Abaixo, vemos uma rápida entrevista sobre o assunto na qual o jornalista A.J. Jacobs (que experimentou viver a Honestidade Radical para escrever suas matérias) levanta que uma das principais implicações sobe ser radicalmente honesto é a reciprocidade das pessoas que começam a serem “radicalmente honestas” em retribuição.

Além disso, é óbvio que existirá uma pequena diferença entre o radicalmente honesto e o grosseiro….  Veja o vídeo (em inglês – CLIQUE NA IMAGEM):

Agora observe o outro vídeo e perceba como as vezes a mentira pode ser “necessária”, sem que atinja de forma maldosa alguém, mas pelo contrário, funcione como um suavizador de alguma dura realidade.

Filme: “The Invention of Lying” -2009

Diante da situação do segundo vídeo, o conceito de honestidade radical seria a melhor opção? Acreditamos que o equilibrio e sensibilidade diante da situação seja a melhor escolha.

Diante de nossos comentários sobre a mentira (mesmo as mais “inocentes”) e sobre os prejuízos que podem causar aos relacionamentos humanos, seria a honestidade radical uma solução benéfica para a melhoria dos relacionamentos humanos?

Encerramos com essa pergunta e gostaríamos que deixasse seus comentários sobre tão controverso assunto. 

 

Referências:

A.J. Jacobs. “I Think You’re Fat”; Esquire. Disponível em: http://www.esquire.com/features/honesty0707. Acessado em 12/02/2012.

Radical Honesty – Freedom from the jail of your mind. Disponível em: http://www.radicalhonesty.com/. Acessado em 12/02/2012.

Senna, Sérgio. “Mentiras sinceras nos interessam?”; ibralc.com – IBRALC. Disponível em: http://ibralc.com.br/a-mentira/mentiras-sinceras-nos-interessam/. Acessado em 12/02/2012. 

  

E você? O que pensa sobre isso? Deixe-nos o seu comentário!

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Edinaldo Oliveira e Sergio Senna

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Como citar este artigo:

Formato Documento Eletrônico (ABNT)

. Sinceridade radical é aconselhável?. Instituto Brasileiro de Linguagem Corporal. Disponível em < https://ibralc.com.br/honestidade-radical/> . Acesso em 28 Aug 2016.

Formato Documento Eletrônico (APA)

. (). Sinceridade radical é aconselhável?. Instituto Brasileiro de Linguagem Corporal. Recuperado em 28 Aug 2016, de https://ibralc.com.br/honestidade-radical/.

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Edinaldo Oliveira

Graduado em ADMINISTRAÇÃO - GESTÃO DE NEGÓCIOS pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Caruaru/PE (2005) e Pós-Graduado em Engenharia de Software pela mesma faculdade, em 2010, além de graduado em Gestão da Tecnologia da Informação, pela ESTÁCIO, em 2014. Diletante do campo da psicologia, com foco no estudo da comunicação não verbal, especialmente no que se refere as expressões faciais, e como esta ferramenta pode ser aplicada em diversas áreas, a saber: segurança, defesa, educação, vendas, nas organizações e na saúde. Além disto, é amante da astronomia, astrofotografia e fotografia.
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45 Comments

  1. É um dilema e tanto, aprendi desde pequena que mentiras em nenhum caso pode ser bom e que todos temos o direito de experimentar a verdade, todavia, relacionamentos de amizade, afetivos, profissionais, etc. estão sempre por um fio, me entristeço e logo racionalizo, mas quando temos a ‘sorte’ de conhecer algumas pessoas com muita compatibilidade, é surpreendente e maravilhosa a qualidade dessa relação, faz tudo ser recompensatorio!

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  2. É um dilema e tanto, aprendi desde pequena que mentiras em nenhum caso pode ser bom e que todos temos o direito de experimentar a verdade, todavia, relacionamentos de amizade, afetivos, profissionais, etc. estão sempre por um fio, me entristeço e logo racionalizo, mas quando temos a ‘sorte’ de conhecer algumas pessoas com muita compatibilidade, é surpreendente e maravilhosa a qualidade dessa relação, faz tudo ser recompensatorio!

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  3. Não acredito que a honestidade radical seja o caminho para relações radicalmente felizes, mesmo pq cada um tem sua própria visão da honestidade, o que é ser honesto para um pode não ser para o outro. A relações humanas são complexas demais. Há necessidade de se equilibrar as honestidades, as verdades, as sinceridades. Tudo na vida deve ser pautado peo bom senso. Se alguém te pergunta sua opinião sobre um assunto e te pede honestamente, vc tem a obrigação de ser honesto, mas isso é dentro de uma conceito pessoal, o que pode não corresponder ao conceito do ouvinte.

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  4. Mas a omissão que eu falo, é conforme citação do Dr. Sergio Senna Pires, não quero dizer que “[…]omitir seja sinônimo de mentir[…]”:

    1. O mentiroso deve saber qual é a verdade;
    2. a pessoa mentirosa deve ter a intenção de manipular a informação;
    3. obtém-se algum proveito de sua mentira.

    Nesse seu exemplo, não existe nenhuma intenção de tirar proveito da situação, o que realmente não caracteriza uma mentira.

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  5. (Putz, o Facebook não me avisa quando tem novos posts aqui. Entrei de novo por acaso e vi que tinha mais comentários…)
    Olha, com certeza estudar os sinais da mentira é útil para os policiais e tudo mais, e com certeza em alguns casos omitir é errado, mas no caso da omissão é discutível, enquanto no da mentira sempre é errado na minha opinião.

    Edinaldo, você citou uma situação onde omitir é errado, pois é praticamente uma mentira neste caso, já que o fato de ele estar vendendo o produto pelo preço de um que funciona, na caixa como se fosse novo etc, implica que ele está “dizendo” que funciona…

    Mas não acho que omitir seja sinônimo de mentir em todos os casos. Um exemplo bobo, mas que passa a mensagem: se eu te encontro na rua e não te conto que acabei de beber água. Eu estou omitindo isso, certo? E convenhamos que não existe mentira nenhuma. Se omitir sem infringir os três critérios (bem colocados pelo Sergio, inclusive), é omissão sem haver mentira.

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  6. Prezada Ismavete,

    Existem muitas maneiras de classificar e estudar o ato de mentir.

    Esse é um estudo antigo, pois a mentira sempre foi muito utilizada na política e na diplomacia. Mesmo depois do Séc. XIX foram produzidos muitos compêndios e estudos sobre a mentira.

    Uma das obras mais antigas é a “Arte da Guerra”.

    Atualmente, existem três critérios essencias para classificar algo como mentira (incluindo omissões).

    1. O mentiroso deve saber qual é a verdade;
    2. a pessoa mentirosa deve ter a intenção de manipular a informação;
    3. obtém-se algum proveito de sua mentira.

    É o caso narrado pelo Edinaldo.

    1. O vendador do carro sabe que a charanga está “bichada”;
    2. Ele “omite” essa importante informação (consciente e deliberadamente);
    3. Ele espera “se livrar do abacaxi” e lucrar com o negócio.

    Se somente o dono da loja soubesse, mas o vendedor não, sua afirmação sobre a procedência do carro não seria, a rigor, considerada mentira. Ele poderia fazer a ressalva… até onde sei, não está bichado….. Isso por questões éticas, uma vez que ele trabalha em uma loja onde já viu outros carros serem vendidos com problemas.

    Esse alerta seria o suficiente para alertar o cliente para certificar-se do estado do carro.

    É um assunto complexo, e muito de nossa interpretação depende do contexto.

    um abraço
    Sergio Senna

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  7. Carlos, ao meu ver, omitir é um tipo de mentira…imagine um vendedor que não informa que o produto esta com defeito, pelo simples fato do cliente “não ter perguntado”.

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  8. Prezados Edinaldo e Carlos, existem vários sentidos em estudar a mentira. Só para citar alguns….

    um deles é conhecer os mecanismos psicológicos subjecentes à mentira; outro é antecipar-se ao mentiroso, conhecer as suas técnicas para não entrar em conflito com ele.

    Um dos meus alunos me disse que estava fazendo o meu curso para “aprender a mentir melhor”. Eu não sou sensor de ninguém. Após estudar cada um é responsável pelo uso que fará desse conhecimento.

    Ministro curso para a Polícia Federal. Alguns agentes trabalham infiltrados. Esse conhecimento também tem esse propósito.

    Entretanto, concordo com você. A pessoa deve fazer todo o possível para ser verdadeira. Se ela não pode contar algo, por vergonha ou por que precisará iludir alguém, essa pessoa deve fazer uma revisão do que tem vivido.

    Apesar dessa minha opinião geral, sei que não é fácil parar de mentir e muitas situações nos deixam em dúvida sobre o melhor a ser feito.

    Se o tema e as escolhas fossem fáceis, não teríamos o mundo que vivemos na configuração que está.

    Um abraço
    Sergio Senna

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  9. Inclusive coloco um ponto a mais para quem acredita que mentiras devem existir: qual o sentido de estudar os sinais da mentira para conseguir detectá-la, já que quem mente para você teoricamente pode estar pensando na sua felicidade?

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  10. Li os artigos e tenho milhões de coisas a dizer, mas vou resumir um dos pontos que achei mais importantes: a gente aprende a mentir porque tá rodeado disso por aí, mas uma pessoa que se dispõe a não mentir, vai consegir viver uma vida ótima da mesma forma (com o plus da tranquilidade de nunca ser pego). Por conta disso, ela vai agir mais corretamente em inúmeras situações, pois possivelmente se sentirá mal ao contar que aprontou algo (já que contará a verdade quando lhe for perguntado). Não estou defendendo a “honestidade radical” propriamente dita, porque ela implica em você sair falando tudo que vem na cabeça, sem filtro. Tem muita coisa que se pode omitir para não fazer mal a alguém, e que é diferente de mentir, pois ao omitir você dá ao outro a chance de saber a verdade, que se considerar importante, perguntará sobre o que quer saber.

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  11. Eu falei preso ao exemplo mesmo porque eu acredito ser possível dar uma boa versão de “verdade” para cada situação que as pessoas dizem que a mentira seria aceitável. Sacou? Eu vou dar uma olhada nos artigos e volto aqui para comentar. Abraço!

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  12. Lá no artigo tá assim:
    “Diante da situação do segundo vídeo, o conceito de honestidade radical seria a melhor opção? Acreditamos que o equilibrio e sensibilidade diante da situação seja a melhor escolha.”
    Na minha opinião, se a senhora vai morrer com certeza em no máximo 24h, por que não desligar os aparelhos logo ou dar uma injeção letal para que aconteça sem que ela sofra? Acho que a situação do filme não aconteceria no mundo real. Ou seja, não precisaria chegar nessa parte que o cara inventa um monte de história para a mulher…

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  13. O colega Carlos de Akcântra questionou: “Como vários se interessam em indentificar mentiras, como reagem quando descobrem? Eu tenho uma opinião de que em nenhuma situação se deve mentir. Você pode até omitir algo, eufemizar, ser evasivo ou mudar de assunto, mas de fato mentir sempre é errado, independente de ter boas intenções. O que acham?”

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  14. Edinaldo Oliveira, eu não colocaria isso como uma verdade relativa, pois o fato é bem real na experiência do pct psicótico, então é relatado como uma experiência vivida. Assim como nos temos lembranças tidas como vividas, mas na realidade nem todas são.

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  15. Um outro exemplo seria pacientes com surtos psicóticos, eu já tive a experiência de conhecer uma pessoa que atravessou esse problema, mania de perseguição é bem recorrente, e a pessoa que sofre o problema realmente “diz a verdade” quando tenta explicar o que aconteceu com ele em alguma situação.

    É apenas um outro viés deste assunto…

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  16. Achei muito interessantes os comentários até aqui.

    Penso que tão importante quanto identificar uma mentira é saber compreender os contextos e as situações “pastosas” nas quais ficamos em dúvida sobre o que é verdade ou não.

    Vamos em frente!

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  17. Acredito que algumas verdades não podem ser relativizadas, algumas verdades tem fim em si. Como o caso citado pelo Sergio Senna Pires, não há como uma pessoa estar fisicamente em 2 lugares ao mesmo tempo. De outra maneira, a grosso modo, dependendo do ponto de observação, duas pessoas podem admitir uma verdade totalmente diferente com relação ao deslocamento de um avião (é verdade que ele se desloca, em qual sentido, é relativo).

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  18. Neusi, na verdade o carro não é seu, você é detentor da posse e o banco é detentor da propriedade. Ocorre que há uma expectativa de direito, a qual será satisfeita com o findar das parcelas. Entretanto, você concorda que, a cada parcela paga, seu direito ao bem se iguala mais ao direito que o banco tem, certo ?

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  19. Ando quatro anos (48 meses) pra La e pra cá em um mercedes em 100% do valor, nesse período me refiro assim: Vamos no meu carro; vou estacionar meu carro; mandei lavar meu carro(veja ai que mandou em troca de pagamento); bateram em meu carro; esse carro é meu…e ai vai.
    Seria ai uma verdade relativa? Já que estou pagando é meu, em contra partida se paro de pagar a financeira apreende o veiculo. E quanto ao mandei lavar? Se paguei mandei?
    O cliente sempre tem razão. Será? Depende do ponto de vista.
    Por vezes acho que a verdade é relativa, porem também não se pode dizer a mesma coisa nos exemplos do professor Sergio.
    Então em minha opinião, não, nem sempre a verdade é relativa.

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  20. Juvencio Almeida, Neusi Caetano, Bruno Martins, Marcelo Costa, Juan Kelvin, Dodô Sant’s, Thiago Sálvio, Thiago Morais, Vinicius Lopes , Michele Carvalho…opiniões?

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  21. Em resposta argumentei que:

    A verdade NEM SEMPRE seria relativa, pois existem elementos ligados ao tempo, aos lugares etc que não dependem de uma significação simbólica e que dificilmente serão relativizados……

    Por exemplo, se na sexta-feira passada alguém foi ao clube, não podemos dizer que, em nossa interpretação, essa pessoa esteve fisicamente no shopping. Pois àquela hora o corpo daquela pessoa estava no clube.

    O que admitiria interpretação é se o psiquismo dela estava ligado ao que ocorria lá.

    Entretanto, seu corpo não pode estar em dois lugares ao mesmo tempo…. então é verdade que ele estava no clube e não no shopping.

    Esse fato não pode ser relativisado. Se alguém matou uma pessoa (atirou nela) esse fato também não pode ser relativizado e assim por diante.

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  22. A verdade é sempre relativa a minha percepção e minhas emoções. Nós temos mecanimos de defesa que distorcem a realidade para que possamos enfrenta-la. Então nunca estariamos dizendo a verdade. E sim uma verdade singular, algumas vezes momentanea. Não podemos esquecer do poder que a palavra exerce sobre as outras pessoas. Dizer tudo que vem a cabeça, sem filtro seria autenticidade ou uma forma preguiçosa de lidar com seus conteúdos. Considero muito simples despejar tudo no outro. Porém considero muito mais maduro refletir sobre sua percepções e sentimentos antes que eles sejam expostos aos outros. E até aqui não estamos falando em mentir, e sim avaliar suas verdades.

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    • Prezada Hosana, obrigado pelo seu comentário e por colaborar com o enriquecimento do debate e das opiniões em nosso Portal.

      Sua argumentação tem elementos muito relevantes. É certo que uma boa parte das análises e da interpretação do nosso mundo simbólico, dessa teia de significados que tecemos e vivemos tem graus diferenciados de relativismo.

      É por isso que estudamos comunicação não verbal: para aprimorarmos nossa capacidade de análise.

      No entanto, a verdade NEM SEMPRE é relativa. Existem elementos ligados ao tempo, aos lugares etc que não dependem de uma significação simbólica e que dificilmente serão relativizados……

      Por exemplo, se no domingo passado alguém foi à Igreja, eu não posso dizer que, na minha interpretação, essa pessoa esteve fisicamente no shopping. Pois àquela hora o corpo daquela pessoa estava naquele lugar. O que admitiria interpretação é se o psiquismo dela estava ligado ao que ocorria lá.

      Entretanto, seu corpo não pode estar em dois lugares ao mesmo tempo…. então é verdade que ele estava na igreja e não no shopping. Esse fato não pode ser relativizado. Se alguém matou uma pessoa (atirou nela) esse fato também não pode ser relativisado e assim por diante.

      Além disso, concordo plenamente com suas afirmações. Achei curiosa a ênfase na preguiça de elaborar emoções… é verdade! Lidar com as emoções dá muito trabalho! E tem gente preguiçosa mesmo, então acho que é uma hipótese válida.

      De qualquer maneira, a sinceridade não deveria ser desculpa para a grosseria. O que também é uma hipótese interessante. tem pessoas que gostam da adrenalina que a grosseria traz.

      Obrigado e siga nos acompanhando e participando do Portal.
      Sergio Senna

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  23. Boa a sua reflexão Dayse. Você expressou bem a idéia de suporte do movimento Radical Honesty.

    As pessoas que seguem esse estilo de vida chegam a praticar a fala sem qualquer censura. O que vier à mente é dito.

    Penso que é aí que começam os problemas operacionais, pois quem fala o que que quer, ouve o que não quer…..

    Ser radicalmente sincero em uma sociedade orientada em outra direção causa muitos problemas de socialização, o que os praticantes deverão lidar de alguma forma.

    Eu mesmo vivo uma versão não tão radical desse estilo de vida e tenho que lidar com certas consequências.

    De qualquer forma, é uma reflexão interessante como as crenças e valores podem fazer muita diferença nas vidas das pessoas.

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  24. Eu entendo sim, mas há uma diferença entre HONESTIDADE e Sinceridade, honestidade é uma filosofia de ser íntegro em todas as circunstâncias, quanto a sinceridade arrogante do Dr Lightman é de um Gênio,(muito acima do normal) que pra ele é tão claro que ele não tem paciência…de ficar ensinando ou explicando até para seus funcionarios, quanto a sinceridade radical…é realmente complicado, tem um episodio dele na 3 temporada, onde tem tipo de um GURU que fala pra ele quem ele é e como reage…ele não gosta….Mostrando que ninguém gosta mesmo de ouvir a verdade..ou melhor não estamos preparados, mesmo que venhamos a refletir sozinhos depois!

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  25. O personagem do Lightman, muitas vezes atravessa essa ponte entre a grosseria e simplesmente falar a verdad. Interessante que em alguns momentos, quando fala a verdade para ajudar alguém, o mesmo fala em um tom mais sério. Já quando a grosseria é utilizada como arma para agredir – muitas vezes até para ajudar no caso – o mesmo se utiliza de um tom mais sarcastico.

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  26. Grosseria, muitas vezes, não é a verdade, pois por algum motivo o interlocutor pode estar querendo agredir alguém.

    A verdade, as vezes, é tratada como grosseria pelo simples fato de não estarmos acostumados a escutá-la, ou simplesmente não ser um comportamento “padrão” nosso. Já pensou se você experimenta falar somente a verdade por uma semana? com certeza alguns te chamariam de grosseiro, pois não estão acostumados com seu novo comportamento.

    Por exemplo:

    Quando alguém impede nossa saida do elevador, podemos tomar duas atitudes:

    1. Simplesmente empurrar a pessoa ou chingá-la, para que saia da nossa frente;
    2. Dizer que para que se possa sair do elevador, eles terão que dar licença;

    A segunda opção, apesar de ser cordial, pode ser encarada como agressiva ou grosseira, pois geralmente é algo que não se espera.

    Não sei se me fiz por entender.

    Abraços,

    Edinaldo Oliveira

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  27. Pq existe honestidade pequena, média ou alta?? pra mim honestidade é honestidade…nunca pensei em quantidade, talvez a forma que parece ser honestidade em angulo radical, é o jeito que que Dr Lightman trata as coisas, do tipo , Onde for melhor pra ele, ou assim soa melhor, na situação, que os envolve naquele momento, mesmo pq o LOKER È UM GENTLEMAN perto do OGRO do dr Lightman..rsrsrs creio piamente que ser honesto e usar a verdade, não tem grau, a verdade é verdade e honestidade é honestidade….

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  28. Ótimo artigo! Realmente tem que ter sensibilidade para avaliar cada situação… Como diz o verso de Cazuza: “Mentiras sinceras me interessam”.

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