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Em que áreas posso usar a linguagem corporal? Virtualmente em qualquer área: na família, no trabalho e em qualquer outro tipo de contexto em haja interação humana.

Você deve manter em mente que a capacitação em análise do comportamento não verbal vai agregar valor ao que você já faz ou à sua atividade profissional principal.

A linguagem corporal, ou comportamento não verbal, faz parte de um campo maior de estudo denominado Comunicação Não-Verbal. São muitos campos de estudo, e há lugar para todos os tipos de especialistas.

Normalmente, esse campo mais amplo é subdividido em áreas mais específicas como, por exemplo: a cinésica [linguagem corporal e expressões faciais]; proxêmica [os significados da ocupação do espaço]; estudo da aparência física [o que interpretamos sobre a aparência dos outros, não necessariamente o que eles são]; e a paralinguagem [como as características do som comunica significado].

Além dos estudos nessas áreas principais, existem trabalhos na parte do toque [tasésica] e dos artefatos (Pires, 2022a).

Essa última é muito interessante, pois nós não nos damos conta do quanto os artefatos estão carregados de simbologias, como os religiosos, e os acessórios do vestuário, que podem projetar alguma afiliação ou identidade.

Por que, então, aprender a reconhecer emoções pelas expressões faciais, a linguagem corporal ou as outras dimensões da comunicação não verbal?

Afinal, para que serve isso? Como usar a linguagem corporal?

 

Como ocorrem as nossas percepções?

Antes de explicarmos a linguagem corporal, é importante que você entenda como ocorrem as nossas percepções e os nossos juízos a partir das nossas experiências.

Semiose é o processo de criação de significado no qual sinais, símbolos e outras formas de comunicação são usados ​​para transmitir informações. A semiose é um componente fundamental da comunicação, usada em muitos contextos diferentes, principalmente nas conversas cotidianas.

Esse é um processo bastante complexo, e vamos resumir sob o ponto de vista microgenético. Imagine-se na interação com alguém. Messe momento, você está escutando o que a pessoa fala, vendo sua movimentação e observando a sua face. A partir de todas essas fontes, o seu sistema nervoso organiza a informação, utilizando certos critérios.

Esses critérios são as crenças e valores, que não são elementos apenas cognitivos, mas anteriormente entrelaçados em certas emoções. Então, se você estiver conversando sobre algo que gosta, seus valores vão orientar a seleção dos elementos de toda essa experiência interativa. Alguns podem chamar esse fenômeno de viés.

Igualmente, se você não gostar da pessoa [ou do assunto] com quem está interagindo, esses critérios também vão orientar a sua experiência subjetiva, e o viés pode ser não tão positivo.

É um processo decorrente da própria seleção que fazemos pela nossa incapacidade de lidarmos com toda a informação percebida. Esse processo é semiótico por excelência, no qual construímos os significados a partir de todos esses elementos.

Então, nós damos significado às expressões faciais e à movimentação, utilizando toda essa informação como uma nova camada comunicativa.

A seguir vemos alguns exemplos da utilidade desse conhecimento em algumas áreas da nossa vida.

 

A linguagem corporal na família

usar a linguagem corporal-comunicação-linguagem-corporal familia

Muito do nosso tempo é investido nas relações pessoais e familiares. A qualidade das relações com nossos filhos, por exemplo, pode atingir outros patamares se aprendermos a lidar com eles antes de terem que nos expressar que rompemos algum dos seus limites emocionais.

Esse conhecimento pode ser útil, ainda, no reconhecimento de sinais de uso de drogas e de outras circunstâncias que preocupam os pais nas relações com seus filhos.

A partir desse reconhecimento, o adulto pode traçar uma estratégia para abordar o tema com seu filho e iniciar um processo de maior aproximação e de aprofundamento da relação. Então, é bom saber usar a linguagem corporal.

 

A linguagem corporal na Política

A política é outra área que você pode usar a linguagem corporal e um campo de atuação muito profícuo para o reconhecimento deusos-comunicação-linguagem-corporal-2 emoções, já que se baseia na mediação verbal e na negociação de circunstâncias, prazos e condições.

Nesse contexto, as pessoas que trabalham na política precisam desse conhecimento para evitar dissabores em seu trabalho como negociadores.

É bem possível que, com o tempo, o político vá desenvolvendo naturalmente uma aptidão para detectar os cenários de risco e as condições para melhor negociação. Se você já trabalha com política, deve notar que já possui algumas estratégias para reconhecer o estado emocional das pessoas.

Há até estudos que nos infirmam sobre a possibilidade de prevermos o resultado de eleições pelas faces dos políticos (Pires, 2010).

Entretanto, a aprendizagem das técnicas que ensinamos sobre expressões faciais e microexpressões aprimorará essa capacidade de usar a linguagem corporal.

 

Na Psicoterapia e na Aplicação de Técnicas e Métodos Psicológicos em Geral

usar a linguagem corporal-comunicação-linguagem-corporal-3O psicoterapeuta não deve se preocupar se a pessoa em atendimento está mentindo ou falando a verdade. Isso faz parte do processo. Entretanto, deve estar muito atento às emoções que são expressas na linguagem não verbal e deve saber usar a linguagem corporal.

Aprimorar a capacidade de reconhecer a ocorrência dessas emoções, ainda que se manifestem por breves momentos, pode fazer muita diferença para o desenvolvimento da terapia.

No processo terapêutico, a pessoa pode atravessar um turbilhão de emoções que ela mesmo não consegue perceber e dar significações. Muitas vezes, certos eventos estão relacionados a emoções contraditórias.

Em nível cognitivo, a pessoa expressa os seus sentimentos da forma como é socialmente esperada a sua manifestação. No entanto, no rosto, as emoções espontâneas, que são experimentadas aparecem, ainda que por breves momentos. Essa é, portanto, uma ferramenta essencial para o profissional de Psicologia.

 

A linguagem corporal na educaçãocomunicação-linguagem-corporal-educação

Os desdobramentos na educação são muito significativos. Nos últimos anos, diversos trabalhos acadêmicos foram produzidos sobra a melhoria da qualidade da relação professor-aluno. Essa relação poderá melhorar significativamente se as pessoas envolvidas aprenderem a reconhecer as suas emoções e a usar a linguagem corporal.

Temos uma área exclusiva para os professores.

 

A linguagem corporal na Segurança Pública e Privada

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Um dos desdobramentos possíveis para usar a linguagem corporal e o reconhecimento de emoções é a identificação da mentira. Investigações policiais e particulares podem se beneficiar de forma bastante produtiva das técnicas de reconhecimento de emoções, uma vez que há sinas inequívocos de estresse e de descrença quando alguém mente (Pires, 2022b).

Aprender a reconhecer microexpressões pode ajudar a saber observar os indicadores mais importantes para analisar a veracidade das narrativas.

 

Conclusão

Não há limites para usar a linguagem corporal e para as aplicações do reconhecimento de emoções. Onde há interação humana, haverá espaço para a utilização desse conhecimento.

Veja o artigo Sobre como se tornar um especialista em linguagem corporal

Boa leitura

Sergio Senna

Aproveite para conhecer o Portal da Educação Socioemocional e da Cultura de Paz

Artigo, sobre como usar a linguagem corporal, inicialmente elaborado em 18 de janeiro de 2011. Atualizado e ampliado por Sergio Senna, em 1 março de 2023.

 

Referências

PIRES, Sergio Fernandes Senna. A comunicação não verbal na política: introdução aos campos de estudo e funções. In: Eloi Martins Senhoras. (Org.). Ciência política: debates temáticos 2. Ponta Grossa: Atena, 2022, v. 1, p. 1-14.

PIRES, Sergio Fernandes Senna. A mentira no debate político: omitir é mentir?. In: Eloi Martins Senhoras. (Org.). Ciência política: debates temáticos 2. Ponta Grossa: Atena, 2022, v. 1, p. 15-25.

Pires, Sergio Fernandes Senna. É possível prever o resultado de eleições analisando a face dos políticos?. CADERNOS ASLEGIS (IMPRESSO), n.39, v. 8, p. 293-300, 2010.