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As expressões faciais são universais?

Emoções Básicas - Mosaico Histórico - Dr. Paul EkmanA primeira abordagem moderna sobre a possível relação entre a dinâmica da face e as emoções foi realizada por Charles Darwin, em 1872, no seu livro As Expressões das Emoções no Homem e nos Animais.

Nesse trabalho, entre muitas contribuições, ele levantou indícios de que determinadas expressões faciais poderiam ser universais e, cada uma delas, fortemente relacionadas à ocorrência de uma mesma emoção. Depois desse trabalho, que serviu de marco e inspiração para diversos outros pesquisadores, muito se avançou no estudo do tema.

Atualmente, o Dr. Paul Ekman, ainda em atividade na Universidade de São Francisco, é uma das maiores autoridades no assunto e vem conduzindo pesquisas acadêmicas desde a década de 60.

Seus achados indicam a existência de uma relação entre seis emoções básicas que são reveladas pelas mesmas expressões faciais: medo, surpresa, alegria, raiva, aversão e tristeza.

A despeito do debate que se possa realizar sobre a universalidade das expressões faciais e sua vinculação à ocorrência de determinadas emoções, é indiscutível que há uma regularidade na dinâmica da face, pelo menos dentro de um mesmo grupo cultural.

[box type=info]Recomendamos ainda a leitura do artigo “Universalidade das expressões faciais é debatida em estudo” (clique aqui), de autoria do Dr. Sérgio Senna[/box]

Um dos grandes problemas metodológicos que encontramos para demonstrar a universalidade de qualquer fenômeno é a necessidade de demonstrar a regularidade universal daquilo que se deseja demonstrar. Caso sejam encontradas exceções, estas devem ter uma explicação plausível e que não invalidem a universalidade.

Penso que até o presente momento, o que as pesquisas do Dr. Ekman e outros nos trouxeram foram fortes indícios de uma base biológica para certas reações emocionais que estão associadas às expressões faciais. Não vejo qualquer sucesso indiscutível na demostração da universalidade das expressões faciais.

Nesse contexto, me parece muito mais proveitoso estudar a regularidade dassas expressões em uma mesma cultura. Isso facilitará tanto a interpretação quanto o uso do conhecimento produzido. É o que venho ensinando em meus cursos. Não ensino brasileiros a interpretarem chineses. Ensino brasileiros a interpretarem brasileiros.

Apesar de todo esse debate acadêmico, você que é nosso leitor não precisa ficar muito preocupado. Em nível operacional do reconhecimento de emoções pelas expressões faciais, não há mais dúvida de que existe um padrão dentro de uma mesma cultura e, ainda que ocorram variações em cada indivíduo, essas variações não invalidam a utilização das técnicas de interpretação das emoções.

Inicie o vídeo a seguir e observe a animação de rostos diferentes que fazem o mesmo movimento e você tem a impressão que as emoções expressas são as mesmas.

Assista o Dr. Paul Ekman contar a história de sua busca  pela prova de que existem expressões faciais universais para as seis emoções básicas. (video em inglês)