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Em que áreas posso usar a linguagem corporal?

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Tempo de leitura: 5 min.

Em que áreas posso usar a linguagem corporal? Virtualmente em qualquer área: na família, no trabalho e em qualquer outro tipo de contexto em haja interação humana.

Você deve manter em mente que a capacitação em análise do comportamento não verbal vai agregar valor ao que você já faz ou à sua atividade profissional principal.

A linguagem corporal, ou comportamento não verbal, faz parte de um campo maior de estudo denominado Comunicação Não-Verbal. São muitos campos de estudo, e há lugar para todos os tipos de especialistas.

Normalmente, esse campo mais amplo é subdividido em áreas mais específicas como, por exemplo: a cinésica [linguagem corporal e expressões faciais]; proxêmica [os significados da ocupação do espaço]; estudo da aparência física [o que interpretamos sobre a aparência dos outros, não necessariamente o que eles são]; e a paralinguagem [como as características do som comunica significado].

Além dos estudos nessas áreas principais, existem trabalhos na parte do toque [tasésica] e dos artefatos (Pires, 2022a).

Essa última é muito interessante, pois nós não nos damos conta do quanto os artefatos estão carregados de simbologias, como os religiosos, e os acessórios do vestuário, que podem projetar alguma afiliação ou identidade.

Por que, então, aprender a reconhecer emoções pelas expressões faciais, a linguagem corporal ou as outras dimensões da comunicação não verbal?

Afinal, para que serve isso? Como usar a linguagem corporal?

 

Como ocorrem as nossas percepções?

Antes de explicarmos a linguagem corporal, é importante que você entenda como ocorrem as nossas percepções e os nossos juízos a partir das nossas experiências.

Semiose é o processo de criação de significado no qual sinais, símbolos e outras formas de comunicação são usados ​​para transmitir informações. A semiose é um componente fundamental da comunicação, usada em muitos contextos diferentes, principalmente nas conversas cotidianas.

Esse é um processo bastante complexo, e vamos resumir sob o ponto de vista microgenético. Imagine-se na interação com alguém. Messe momento, você está escutando o que a pessoa fala, vendo sua movimentação e observando a sua face. A partir de todas essas fontes, o seu sistema nervoso organiza a informação, utilizando certos critérios.

Esses critérios são as crenças e valores, que não são elementos apenas cognitivos, mas anteriormente entrelaçados em certas emoções. Então, se você estiver conversando sobre algo que gosta, seus valores vão orientar a seleção dos elementos de toda essa experiência interativa. Alguns podem chamar esse fenômeno de viés.

Igualmente, se você não gostar da pessoa [ou do assunto] com quem está interagindo, esses critérios também vão orientar a sua experiência subjetiva, e o viés pode ser não tão positivo.

É um processo decorrente da própria seleção que fazemos pela nossa incapacidade de lidarmos com toda a informação percebida. Esse processo é semiótico por excelência, no qual construímos os significados a partir de todos esses elementos.

Então, nós damos significado às expressões faciais e à movimentação, utilizando toda essa informação como uma nova camada comunicativa.

A seguir vemos alguns exemplos da utilidade desse conhecimento em algumas áreas da nossa vida.

 

A linguagem corporal na família

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Muito do nosso tempo é investido nas relações pessoais e familiares. A qualidade das relações com nossos filhos, por exemplo, pode atingir outros patamares se aprendermos a lidar com eles antes de terem que nos expressar que rompemos algum dos seus limites emocionais.

Esse conhecimento pode ser útil, ainda, no reconhecimento de sinais de uso de drogas e de outras circunstâncias que preocupam os pais nas relações com seus filhos.

A partir desse reconhecimento, o adulto pode traçar uma estratégia para abordar o tema com seu filho e iniciar um processo de maior aproximação e de aprofundamento da relação. Então, é bom saber usar a linguagem corporal.

 

A linguagem corporal na Política

A política é outra área que você pode usar a linguagem corporal e um campo de atuação muito profícuo para o reconhecimento deusos-comunicação-linguagem-corporal-2 emoções, já que se baseia na mediação verbal e na negociação de circunstâncias, prazos e condições.

Nesse contexto, as pessoas que trabalham na política precisam desse conhecimento para evitar dissabores em seu trabalho como negociadores.

É bem possível que, com o tempo, o político vá desenvolvendo naturalmente uma aptidão para detectar os cenários de risco e as condições para melhor negociação. Se você já trabalha com política, deve notar que já possui algumas estratégias para reconhecer o estado emocional das pessoas.

Há até estudos que nos infirmam sobre a possibilidade de prevermos o resultado de eleições pelas faces dos políticos (Pires, 2010).

Entretanto, a aprendizagem das técnicas que ensinamos sobre expressões faciais e microexpressões aprimorará essa capacidade de usar a linguagem corporal.

 

Na Psicoterapia e na Aplicação de Técnicas e Métodos Psicológicos em Geral

usar a linguagem corporal-comunicação-linguagem-corporal-3O psicoterapeuta não deve se preocupar se a pessoa em atendimento está mentindo ou falando a verdade. Isso faz parte do processo. Entretanto, deve estar muito atento às emoções que são expressas na linguagem não verbal e deve saber usar a linguagem corporal.

Aprimorar a capacidade de reconhecer a ocorrência dessas emoções, ainda que se manifestem por breves momentos, pode fazer muita diferença para o desenvolvimento da terapia.

No processo terapêutico, a pessoa pode atravessar um turbilhão de emoções que ela mesmo não consegue perceber e dar significações. Muitas vezes, certos eventos estão relacionados a emoções contraditórias.

Em nível cognitivo, a pessoa expressa os seus sentimentos da forma como é socialmente esperada a sua manifestação. No entanto, no rosto, as emoções espontâneas, que são experimentadas aparecem, ainda que por breves momentos. Essa é, portanto, uma ferramenta essencial para o profissional de Psicologia.

 

A linguagem corporal na educaçãocomunicação-linguagem-corporal-educação

Os desdobramentos na educação são muito significativos. Nos últimos anos, diversos trabalhos acadêmicos foram produzidos sobra a melhoria da qualidade da relação professor-aluno. Essa relação poderá melhorar significativamente se as pessoas envolvidas aprenderem a reconhecer as suas emoções e a usar a linguagem corporal.

Temos uma área exclusiva para os professores.

 

A linguagem corporal na Segurança Pública e Privada

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Um dos desdobramentos possíveis para usar a linguagem corporal e o reconhecimento de emoções é a identificação da mentira. Investigações policiais e particulares podem se beneficiar de forma bastante produtiva das técnicas de reconhecimento de emoções, uma vez que há sinas inequívocos de estresse e de descrença quando alguém mente (Pires, 2022b).

Aprender a reconhecer microexpressões pode ajudar a saber observar os indicadores mais importantes para analisar a veracidade das narrativas.

 

Conclusão

Não há limites para usar a linguagem corporal e para as aplicações do reconhecimento de emoções. Onde há interação humana, haverá espaço para a utilização desse conhecimento.

Veja o artigo Sobre como se tornar um especialista em linguagem corporal

Boa leitura

Sergio Senna

Aproveite para conhecer o Portal da Educação Socioemocional e da Cultura de Paz

Artigo, sobre como usar a linguagem corporal, inicialmente elaborado em 18 de janeiro de 2011. Atualizado e ampliado por Sergio Senna, em 1 março de 2023.

 

Referências

PIRES, Sergio Fernandes Senna. A comunicação não verbal na política: introdução aos campos de estudo e funções. In: Eloi Martins Senhoras. (Org.). Ciência política: debates temáticos 2. Ponta Grossa: Atena, 2022, v. 1, p. 1-14.

PIRES, Sergio Fernandes Senna. A mentira no debate político: omitir é mentir?. In: Eloi Martins Senhoras. (Org.). Ciência política: debates temáticos 2. Ponta Grossa: Atena, 2022, v. 1, p. 15-25.

Pires, Sergio Fernandes Senna. É possível prever o resultado de eleições analisando a face dos políticos?. CADERNOS ASLEGIS (IMPRESSO), n.39, v. 8, p. 293-300, 2010.

 

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7 comentários em “Em que áreas posso usar a linguagem corporal?”

  1. Olá, sempre tive a dúvida de como analisar corretamente o comportamento não verbal das pessoas. Saber como fazem para interpretar os sinais em seu devido contexto sem se perder e se atrapalhar com os outros sinais que a pessoa expressa. Resumindo, como interpretar corretamente aquilo que está sendo expresso não verbalmente de maneira mais acertiva. Obrigado pelo conteúdo!

  2. Sergio Senna Pires via Facebook

    Muitas pessoas têm dúvida se a linguagem corporal pode ser útil no exercício de suas atividades profissionais. É claro que pode. Dê uma olhada na postagem!

  3. Meu nome é Fernando Neves e faço curso de Ciências Biológias na Universidade Estadual de Maringá e tenho algumas perguntas.

    Sou um leigo curioso sobre o assunto, sempre me interessei pela linguagem corporal antes mesmo de ter lido “O corpo fala” (Pierre Weil). Me interessei ainda mais no assunto quando comecei a assisti a série americana “Lie to Me”, baseada nos estudos de Paul Ekman. Agora venho lendo “Desvendando os segredos da linguagem corporal” (Allan & Barbara Pease).

    A minha pergunta é sobre mais fontes de leitura confiável sobre linguagem corporal, algo mais específico e elaborado como o livro “Couraça muscular do carater” (José Angelo Gaiarça).

    Outra pergunta é como posso vincular meu curso de Biologia com esses tipos de estudo, principalmente envolvendo a área da neurociências que tanto me atrai. Todavia não tenho contato com outras pessoas dessa área para começar algum trabalho interessante.

    Por onde devo começar?

    1. Prezado Fernando, muito obrigado pela sua participação no Portal.

      Isso nos ajuda a atingirmos um dos nossos maiores objetivos que é desenvolvermos uma comunidade de pessoas interessadas nesse tema.

      Assim como venho explicando a diversos de nossos leitores, existe uma dificuldade em conseguir material de boa qualidade (com base científica) em Língua Portuguesa.

      Estudo a comunicação não verbal há algumas décadas e senti essa mesma dificuldade para o meu próprio estudo. Com o passar do tempo, fui me capacitando em outros idiomas, o que facilitou a minha aprendizagem.

      Você notará que os livros de maior sucesso não têm a preocupação de mostrar as bases de onde saem as suas afirmações sobre a interpretação da comunicação não verbal. Penso que na correiria para ganhar dinheiro vendendo livros, alguns autores (e editoras) oferecem seus conteúdos sem os cuidados necessários com base na argumentação que as pessoas devem ler de tudo….

      Bom, isso é verdade, mas a preocupação com a qualidade de uma obra também é um aspecto importante. Essa pressa que ocorre em alguns casos, junto com a ganância de outros causa a criação de alguns mitos, como por exemplo:

      Ao pesquisarmos na Internet sobre a importância da linguagem corporal, nos deparamos com um dos grandes “mitos” que foram criados sobre o tema. É possível encontrar todo o tipo de quantificação da preponderância da linguagem não verbal sobre a linguagem falada. Alguns desses artigos chegam até mesmo a serem convincentes, citando estudos científicos.

      No entanto, essa é uma fantasia que foi criada a partir da década de 60, existindo argumentações de que a comunicação não verbal seria responsável por 93% do conteúdo “interpretável” e uma mensagem!

      Essa afirmação é atribuída ao pesquisador Albert Mehrabian (o que é parcialmente verdade), mas tomou vulto sem levar em consideração as grandes limitações da pesquisa por ele realizada.

      A própria concepção dessa argumentação é uma fantasia, uma vez que seria o mesmo que afirmar a total irrelevância do conteúdo falado…. Se as palavras comunicassem apenas 7% do que se deseja comunicar, elas pouco importariam, o que não é verdade. As palavras e seus significados são muito importantes!

      Prefiro, então, pensar em camadas comunicativas. Uma influenciando as outras, complementando-se, opondo-se e alterando as mensagens que são disponibilizadas e interpretadas.

      Nesse contexto, em alguns casos as mensagens não verbais serão preponderantes, em outros prevalecerá a verbalização.

      Nesse contexto, aconselho que você leia as obras disponíveis de forma crítica. Outro leitor me sugeriu que disponibilizasse um espaço para que os leitores expressassem suas opiniões sobre as obras disponíveis. Venho pensando em como operacionalizar isso, considerando os possíveis desdobramentos jurídicos.

      Sobre a relação das neurociências e a linguagem corporal, sugiro que você “caia de cabeça” pois é um campo totalmente relacionado.

      Veja os artigos:

      https://ibralc.com.br/blog/a-mentira/neurociencia-da-mentira/

      https://ibralc.com.br/blog/tag/lie-to-me/ – Aqui você encontra os comentários à série Lie to Me onde mantenho algumas reflexões sobre o funcionamento do Sistema Nervoso Autônomo e a interpretação da linguagem corporal.

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      Um abraço
      Sergio Senna

      1. Edinaldo Rodrigues de Oliveira Junior

        Olá,

        “Ao pesquisarmos na Internet sobre a importância da linguagem corporal, nos deparamos com um dos grandes “mitos” que foram criados sobre o tema. É possível encontrar todo o tipo de quantificação da preponderância da linguagem não verbal sobre a linguagem falada. Alguns desses artigos chegam até mesmo a serem convincentes, citando estudos científicos.”

        Lendo um desses livros, de linguagem corporal, que não irei citar nome, com uma espécie de “foco” em persuadir pessoas, teve um trecho, que achei um pouco “apelativo”.

        Mostrava uma foto, com duas pessoas famosas, uma ao lado da outra.

        A mulher com as mãos para traz, de costas para o homem. O homem por sua vez, com uma mão no bolso, e a boca fechada, meio que serrada. A interpretação disso = A mulher é poderosa, não se preocupa com a opinião dos outros e o homem, por estar com a boca serrada, queria falar algo. Tinha mais coisas, mas não lembro agora.

        Este tipo de interpretação acho extremamente infeliz, é quase como uma adivinhação, ou estou enganado?

        Abraços,

        Edinaldo Junior

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