Exploração da linguagem corporal na mídia

Exploração da linguagem corporal na mídia.

Vocês sabem que, em meus estudos, procuro muita coisa na Internet. Nessas minhas andanças, vi dois vídeos que me chamaram bastante a atenção esta semana: um de autoria do Dr. Matsumoto, intitulado: “How to Tell a Lie with the Naked Eye“, no qual nos apresenta alguns indicativos de possíveis mentiras, como levantamento de ombros ou balançar negativamente a cabeça, e outro de um programa apresentado na TV, onde o apresentador andava durante a noite, nas festas, com um especialista em detectar mentiras, abordando casais.

Vídeo entrevista Dr. Matsumoto “How to Tell a Lie with the Naked Eye”, será que tais indicativos são infalíveis?

 

No vídeo do Dr. Matsumoto, é interessante notar como o mesmo se apóia em certos indicativos na análise apresentada na entrevista citada, especialmente no levantamento do ombro e do balançar negativamente a cabeça, alegando que o primeiro indicaria falta de segurança no que é dito e o segundo seria nosso “cérebro negando o que é dito”.

Mas até que ponto estes indicativos são confiáveis? Segundo Dr. Sérgio Senna “existem algumas hipóteses para a ocorrência desse “balançar a cabeça”:

1. Pode ser resultado de um emparelhamento de comportamentos e ser disparado quando a pessoa fala alguma palavra, sente alguma emoção ou está diante de algum estímulo específico. Alguns emparelhamentos podem ser bastante misteriosos em suas origens;

2. Pode ser a negação, se considerarmos que o balançar a cabeça se tornou um gesto icônico (atenção, pois essa é uma hipótese entre outras categorias de gestos). Nesse caso, temos algumas sub hipóteses:

a. negação do que a pessoa está sentindo;
b. negação do que a pessoa está pensando;
c. negação do que a pessoa está falando;
d. negação do que a pessoa nem tem consciência.

Não devemos esquecer que o ser humano pode falar uma coisa, pensar outra e sentir uma terceira (ao mesmo tempo), isso tudo mergulhado em um turbilhão de outras tantas coisas das quais não temos plena consciência…..

Devemos sempre buscar a verdade? A qualquer custo?

É igualmente importante lembrar que , entre muitos princípios, o comportamento humano obedece ao da EQUIFINALIDADE, segundo o qual um comportamento observado pode ser causado por razões diferentes.

Então, concluímos que a hipótese da negação com a cabeça sobre o que se está dizendo é apenas uma (e talvez a menos provável) entre muitas.

Mas, em qualquer livro de auto-ajuda de linguagem corporal aparece APENAS a interpretação da negação diretamente relacionada com o que se está dizendo, donde concluímos que esse conhecimento não oferece segurança na interpretação correta.”

 

As vezes falamos bem de certa pessoa, mas balançamos a cabeça negativamente. Este fato pode ter duas explicações: uma, que o gesto de balançar negativamente a cabeça faz parte da linha de base do interlocutor (pode ter sido incluído em seu repertório comportamental por uma quantidade imensa de motivos) e outra, que ao falar de alguém, lembremos de alguma atitude que foi reprovada por nós, como por exemplo, falamos bem de um colega balançando a cabeça negativamente, este fato pode se dar por lembrarmos de alguma briga que tivemos em algum momento com o mesmo, e não pelo fato de estarmos mentindo sobre o que falamos.

 

Podemos sair apontando quem mente ou não?

O segundo vídeo, do programa de TV (tratando o tema “infidelidade”), agrava ainda mais o problema da interpretação, pois o “profissional em detectar mentiras” propôs confrontos entre o casal, alegando que diria se o parceiro falou a verdade ou não.

Devemos nos questionar essa técnica sobre dois pontos de vista: realmente devemos confrontar “a verdade” de forma tão aberta e sem nenhum tipo de “engrandecimento” para o relacionamento? Ainda mais se expondo em um programa de TV?

E ainda, será que a análise feita pelo “detector de mentiras humano” é válida? Podemos iniciar confrontos com nosso parceiro, baseado apenas na análise de um único indicador, como a técnica utilizada por essa pessoa, que não considerou diversos aspectos de uma análise mais criteriosa, como ter uma linha de base, apoiar-se em indicadores “fracos” como os citados anteriormente (levantar ombro ou balançar a cabeça negativamente), alguns dos interlocutores analisados estavam sob efeito de álcool e isto não foi considerado, entre outros fatores.

 

Recomendamos a leitura do artigo “Análise da Linguagem Corporal e a Privacidade.“, onde o mesmo trata melhor a linha tênue entre a privacidade e a análise da mentira.

 

Portanto, devemos utilizar este tipo de análise com parcimônia, evitando meros espetáculos circenses em programas de TV, pois isto passa longe de qualquer ética.

Devemos sempre perceber se o profissional em questão realmente busca a verdade (qual seriedade e rigor científico ele aplica em suas análises) ou busca apenas sua alto promoção.

 

Os especialistas filiados ao IBRALC evitam o sensacionalismo. Não participamos de programas de TV ou de matérias jornalísticas cuja finalidade é explorar a fragilidade emocional das pessoas e levamos a análise da credibilidade muito a sério pelas consequências que o emprego de nossas técnicas podem causar na vida das pessoas.

 

Até a próxima,

Edinaldo Oliveira

 

Referências:

JUNIOR, Edinaldo Oliveira. Análise do comportamento não verbal e a linha de base. Instituto Brasileiro de Linguagem Corporal. Disponível em < http://ibralc.com.br/web-destaque/analise-do-comportamento-nao-verbal-e-a-linha-de-base/> . Acesso em  07 de outubro de 2012.

JUNIOR, Edinaldo Oliveira. Análise da Linguagem Corporal e a Privacidade.. Instituto Brasileiro de Linguagem Corporal. Disponível em < http://ibralc.com.br/web-destaque/analise-da-linguagem-corporal-e-a-privacidade/> . Acesso em  07 de outubro de 2012.

JUNIOR, Edinaldo Oliveira. Drogas e o teatro da mentira.. Instituto Brasileiro de Linguagem Corporal. Disponível em < http://ibralc.com.br/web-destaque/drogas-e-o-teatro-da-mentira/> . Acesso em  07 de outubro de 2012.

MATSUMOTO, David. How to Tell a Lie with the Naked Eye. Humintell. Disponível em < http://www.humintell.com/2012/10/how-to-tell-a-lie-with-the-naked-eye/ >. Acesso em 07 de outubro de 2012

PIRES, Sergio Fernandes Senna. Entenda a Programação Neurolinguística. Instituto Brasileiro de Linguagem Corporal. Disponível em < http://ibralc.com.br/web-destaque/entenda-programacao-neurolinguistica/> . Acesso em  07 de outubro de 2012.

PIRES, Sergio Fernandes Senna; JÚNIOR, Edinaldo Oliveira. Realmente contamos 3 mentiras a cada 10 minutos?. Instituto Brasileiro de Linguagem Corporal. Disponível em < http://ibralc.com.br/web-destaque/realmente-contamos-3-mentiras-a-cada-10-minutos/> . Acesso em  07 de outubro de 2012.


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Como citar este artigo:

Formato Documento Eletrônico (ABNT)

JUNIOR, Edinaldo Oliveira. Exploração da linguagem corporal na mídia. Instituto Brasileiro de Linguagem Corporal. Disponível em < https://ibralc.com.br/exploracao-linguagem-corporal-na-midia/> . Acesso em 4 Dec 2016.

Formato Documento Eletrônico (APA)

Junior, Edinaldo Oliveira. (2012). Exploração da linguagem corporal na mídia. Instituto Brasileiro de Linguagem Corporal. Recuperado em 4 Dec 2016, de https://ibralc.com.br/exploracao-linguagem-corporal-na-midia/.

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Edinaldo Oliveira

Graduado em ADMINISTRAÇÃO - GESTÃO DE NEGÓCIOS pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Caruaru/PE (2005) e Pós-Graduado em Engenharia de Software pela mesma faculdade, em 2010, além de graduado em Gestão da Tecnologia da Informação, pela ESTÁCIO, em 2014. Diletante do campo da psicologia, com foco no estudo da comunicação não verbal, especialmente no que se refere as expressões faciais, e como esta ferramenta pode ser aplicada em diversas áreas, a saber: segurança, defesa, educação, vendas, nas organizações e na saúde. Além disto, é amante da astronomia, astrofotografia e fotografia.
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10 Comments

  1. Edinaldo, eu tenho totalmente certeza de que não vale a pena divulgar os tais vídeos e site que mencionei, até pela falta de veracidade nos temas propostos. Porém me dispus a fazer para alguém que queira ter uma noção do que são esses “especialistas”, porque sem esse pré-conceito é muito fácil confundir com alguém que tenha conclusões apoiadas na ciência. Minha intenção é mais dizer “tome cuidado com isso” – até porque eu fui um que confundi, rs -.
    Aguardei a resposta do tal cidadão, ao meu questionamento, mas fiquei até surpreso com a atitude do “especialista”.
    O problema que eu vejo nessas matérias é a difusão de informações falaciosas sobre o tema – ironia, dizer “mentiras” para descobrir uma mentira – o que leva a crença de que é fácil analisar o comportamento dos outros, quando a realidade é totalmente oposta.
    Lembro da minha busca sobre comportamento, encontrei cursos, artigos, vídeo aulas, áudios e palestras, todos como base a PNL para o ensino.
    É o receio de que aconteça o que Joseph Goebbels – ministro da propaganda de Adolf Hitler – disse: “Uma mentira dita mil vezes, torna-se uma verdade.”
    É sábio dizer que o conhecimento que diz ter ciência envolvida, mas na verdade não tem base científica fica com os dias contados, porém até esse dia chegar quantos mais vão tropeçar e cair na PNL.
    Obrigado mais uma vez, Edinaldo Oliveira e Dr. Sergio Senna.
    Abraços e até logo!
    Rogério B.

    • Olá Rogério,

      Entendo, eu mesmo caí nesta de PNL no início dos meus estudos, acredito que seja um erro bem comum.

      Estes especialistas sempre vão existir, não tem jeito! O que podemos fazer é ir aos poucos divulgando o que existe de científico (pois a ciência também erra, mas faz parte da busca do caminho correto). Não somos aqui donos da verdade, mas estamos dispostos a debater qualquer dúvida, pois quando elaboramos artigos, sempre tem muita pesquisa antes, para estarmos sempre embasados pela ciência, o que nos propicia debater o assunto de forma sensata, diferentemente de quem se baseia na PNL (de forma aberta ou não), estes sim, vão encontrar limites e muitas vezes te deixar “na mão”, como ocorreu com você.

      Vamos ver o que ocorre mais para frente…

      Abraço,

      Edinaldo

    • Ops, esqueci de clicar em “Resposta” lá embaixo, rs.
      É verdade, infelizmente a maioria cai na PNL antes de encontrar artigos científicos, mas espero que com o tempo, isso mude.
      Obrigado, Edinaldo, abraços!

  2. Mais um ótimo artigo, Edinaldo!
    Eu sou mais um que apanhou na busca de artigos sobre linguagem corporal, na verdade, apanhei na busca dos que são verdadeiros, pois os falaciosos tem em toneladas na web.
    Sou formado na área da saúde e entendo a complexidade de cada funcionamento do corpo, mas nada é tão complexo quanto o psiquismo.
    Depois de cometer alguns – muitos – erros, aprendi aqui no IBRALC que a análise comportamental não é fácil como é exposto na maior parte dos artigos da internet e televisão, leva tempo, estudos e prática. Ah, e obrigado por me ensinarem isso, rs.
    Mas com relação ao assunto, há uns meses encontrei um vídeo, de um programa humorístico muito famoso aqui no Brasil, onde havia o entrevistador e o “especialista em linguagem corporal”. Então era mostrado vídeos de políticos discursando e o “especialista” dizia se o discursante estava mentindo ou não. Todas as técnicas utilizadas por ele, na análise, eram as mesmas que o Dr. Sergio acabou de ressaltar no comentário abaixo e mais algumas! Como o clássico sinal de negação.
    Curiosamente encontrei o site do tal especialista, e em uma das suas postagens, perguntei sobre o sinal de negação, se poderia ser outro pensamento o gerador de tal sinal ao invés do discurso falado, ele apagou a minha pergunta e continuou a responder os outros internautas que não o questionava.
    Especialista? Aham… claro.

    PS: Se alguém quiser o link, do vídeo e do site, me mande uma mensagem pelo facebook e eu responderei.

    Abraços! E até logo!

    Rogério B.

    • Olá Rogério,

      Obrigado por mais este comentário.

      Primeiramente, não postei links por questões éticas, nem sei se vale a pena você estar divulgando, basta mencionar que o fato ocorreu, ponto!

      Pois é, interessante, quando os mesmos são um pouco “pressionados”, para que demonstrem como chegaram as suas conclusões, os mesmos se evadem (ou somem com a questão, como foi no seu caso), estranho, concorda? Isso já aconteceu muito comigo.

      Não somos detentores da verdade, entretanto, procuramos ser honestos, sempre demonstrando como chegamos em nossas conclusões (apoiados cientificamente).

      Siga interagindo e passando sua experiência com o assunto, isso nos ajuda bastante.

      Abraço,

      Edinaldo Oliveira

    • Olá Rogério, obrigado por mais essa sua participação em nossos debates.

      Entendo bem a sua posição, pois antes de me especializar nesse assunto, essas eram as mesmas dificuldades que eu encontrava para estudar.

      Essas pessoas que andam aparecendo na TV como especialistas em analisar o comportamento não verbal não entendem muito de comportamento humano.
      Até mesmo aqueles um ou outro que é psicólogo, parece que andou esquecendo o básico do que aprendeu na faculdade.

      Para mim, é até pior ver um psicólogo ensinando princípios da PNL, dizendo que tem fundamentação científica. Os demais, têm até desculpa de não saberem que nada disso é científico, mas psicólogos não podem cometer esses erros básicos em relação aos processos mais elementares que orientam o comportamento humano.

      Outro dia me ligaram da Folha de São Paulo pedindo para participar de uma matéria. Como de praxe, perguntei quem eram os demais participantes. A reporter, com muita relutância, me disse uns dois nomes já conhecidos….. (essas figurinhas da mídia gratuita e do sensacionalismo televisivo) Foi o suficiente para que eu me dispusesse a encerrar a conversa e desejar boa sorte na matéria.

      Eu levo muito a sério a missão de informar as pessoas sobre esse tema.

      Eu vi esse programa do qual vc fala. Na verdade, o CQC me incomodou muito para fazer a matéria. Na semana do programa eu estava trabalhando em Alagoas e no Piauí. Eles ligaram uma dezena de vezes. Mas imagina se eu ia fazer parte disso…. me prestar a um papel desses a ainda ver aquelas animações que eles colocam em quem está sendo entrevistado. E falando dos políticos…. eu trabalho todos os dias com eles. Creio que devo ter um mínimo de discrição profissional.

      Foi igual à matéria do Fantástico (foi mais de uma hora de gravação e não aproveitaram quase nada pq eu não falei o que eles queriam) na qual a verdadeira intenção era que eu falasse mal dos políticos…. Fizeram de tudo, mas eu não entrei na deles.

      Eu sigo o meu caminho da mesma forma que sempre segui ao longo desses mais de 30 anos no mundo do trabalho. Tranquilo, sem querer estrelismo e procurando aproveitar as boas oportunidades, como têm me oferecido na TV Século XXI e até mesmo na Globo para difundir conhecimento de qualidade sobre o tema.

      Um abraço e seguimos caminhando.
      Sergio Senna

  3. Olá Edinaldo, parabéns pelo artigo hoje publicado.

    Faço minhas as palavras do Felipe, pois também penei (talvez um pouco mais do que duas décadas a mais do que ele), trombando com esses absurdos que encontramos sobre a linguagem corporal, por exemplo:

    1. que coçar nariz é sempre sinal da mentira;
    2. que a direção do olhar pode indicar se a memória é cinestésica, auditiva ou visual;
    3. que mentimos 3 vezes a cada 10 minutos;
    4. que a linguagem corporal representa 93% da comunicação;
    5. que existem padrões rígidos no comportamento humano;
    6. que é muito fácil pegar um mentiroso, e essas crendices e mitos….

    O mentiroso que mais pode nos causar dano é um profissional. Desenvolveu habilidades avançadas para enganar as pessoas e sabe o que está fazendo. Daí não é nada fácil de pegar! O primeiro passo para o fracasso é subestimar a dificuldade da tarefa a realizar.

    Fico impressionado como alguns chamados especialistas em linguagem corporal se propõem a “analisar” em tempo real situações complexas a partir de poucas variáveis.

    Quem sabe o Pentágono deveria contratar essas pessoas (a peso de ouro) para interrogarem supostos terroristas?

    Pois com toda a minha vivência no tema, com o estudo que tenho (que não é pouco) e com a minha experiência diária com integrantes de um dos grupos que contém os mais hábeis oradores e e técnicos na persuasão (os políticos federais), eu não me atrevo a chegar às conclusões que vejo essa gente tirando em segundos, às vezes….

    Penso que há problemas éticos seríssimos em ir a um programa de televisão fazer um show de adivinhação sobre o que as pessoas estão sentindo.

    Seu artigo é uma importante mensagem de que os analistas do IBRALC e nossos colaboradores trabalham sob outra perspectiva ética e técnica e dizem NÃO ao sensacionalismo, à procura de mídia gratuita e à falta de critério técnico e científico nas análises.

    É bom que nossos leitores saibam que, semanalmente, dizemos não a veículos de comunicação que nos fazem esse tipo de proposta.

    Parabéns por mostrar respeito aos nossos leitores e tratá-los como pessoas inteligentes que saberão rejeitar esses grotescos espetáculos de exposição das pessoas à avidez de matérias da mídia.

    Um abraço e obrigado pelo sua preciosa colaboração.
    Sergio Senna

    • Olá Dr. Sérgio,

      Obrigado pelo comentário.

      Pois é…esse é o recado do IBRALC para os “ilusionistas” de plantão. Sempre que possível, vamos lembrar aos leitores os perigos destas “mágicas”.

      Abraço,

      Edinaldo Oliveira

  4. Belo texto, Edinaldo!
    Essa crítica veio bem a calhar. E seria bom se todos os sites especializados, com compromisso científico, denunciassem essas posturas, pelo menos no sentido de sempre se analisar o rigor do que está sendo feito.

    Quando eu comecei a estudar o assunto da linguagem corporal, há muitos anos, iniciei lendo livros populares que relacionavam-na com a psicologia evolucionista. Eram muito interessantes, mas somente até eu chegar até a literatura científica e verificar que muitos videos e livros populares podem até ter boa intenção – propagando o conhecimento para a massa – mas o fazem de maneira tão genérica e imprecisa ou generalista, que acabam deformando o conhecimento.

    Uma das coisas que mais me lembro relaciona-se até mesmo com aquele texto que escrevi aqui no Ibralc, sobre Os 4 Porques de Nikolaas Tinbergen. Esse constructo nos mostra as várias esferas de análise do comportamento, sendo algums delas úteis para explicar o motivo pelo qual o comportamento se deu AGORA e outras, as causas distantes ou últimas, para nos mostrar o motivo pelo qual a capacidade de emitir dado comportamento foi selecionada ao longo da evolução. Eu vejo as mídias populares fazendo uma salada incrível sobre esses conceitos. Num livro que li, por exemplo, vi que o aperto de mão é um comportamento selecionado pela seleção natural porque ele mostrava que nenhum dos indivíduos portava armas. Provavelmente isso tem alguma validade mesmo, pois prcebe-se variações de gestos relacionados ao aperto de mão em todo o mundo, mas isso não pode ser usado para explicar um aperto de mão no momento em que ocorre.

    Esse tipo de erro fornece, inclusive, armas para que muitos críticos deturpem mais ainda o que está sendo proposto, seja em termos de linguagem não-verbal ou psicologia evolucionista.

    Enfim, seu post foi mais do que necessário.

    Abraço!

    • Olá Felipe,

      Obrigado pelo comentário! Interessante que recebi um número bom de feedback em relação a este artigo, que por sinal foi escrito em tom de crítica e com um fundo de revolta.

      Não citei nomes por questões éticas, mas a reportagem na TV, mencionada no artigo, foi de um programa com um certa circulação, imagine quantas pessoas ficaram com uma impressão deturpada do assunto.

      Interessante seu comentário sobre o aperto de mãos, entretanto, o pessoal (especialistas e autores de livros na área) esquece o fator cultural, pois em alguns países é comum, além do aperto de mão, um beijo no rosto (imagine isso aqui no Brasil rsrsrs).

      Fazendo uma analogia extremamente simples: Assim como na análise técnica na bolsa de valores, não podemos basear nossas compras em dados pontuais, como observar uma subida da ação no período de tempo de alguns dias, temos que ser mais amplos, pois muitas vezes, ao diminuir a lente sobre o gráfico, percebemos que o movimento do mês ou semana é de queda, e que aquela análise diária é mera correção, aí já viu né? Perda de dinheiro na certa, e acredite, isso ocorre muito.

      Na análise da comunicação não verbal ocorre muito isso: olham tudo pontualmente, esquecendo que somos seres mais complexos.

      Abraço,

      Edinaldo Oliveira

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